Jean Michel Jarre “Deserted Palace” (1973)

Três anos antes de “Oxygène” Jean Michel Jarre editou os seus dois primeiros álbuns. Um deles era uma banda sonora. O outro nunca teve qualquer reedição e hoje é uma raridade disputada no circuito do colecionismo. Texto: Nuno Galopim

Depois de 1969 Jean Michel Jarre tinha passado três anos junto do Groupe de Recherches Musicales (GRM) dirigido por Pierre Schaeffer e aprofundado o seu interesse pela exploração da música eletrónica. É nesse período que lança um primeiro single (com os temas La Cage e Erosmachine) e monta, na cozinha da sua casa, um primeiro estúdio. Começa a fazer música para teatro, bailado e cinema e depois trabalha com figuras da pop como Françoise Hardy ou Christophe. E em 1973, apesar de ainda longe da visão mais pessoal que acabaria por registar em Oxygène, edita dois discos, ambos por vezes ignorados quando de traça um olhar panorâmico sobre a sua obra. Um deles é a banda sonora de Les Grands Brûlées, filme de Jean Chapot para o qual desenvolve um tema, variações e uma série de composições complementares e que, já no século XXI, conheceu reedição em suporte de CD. O outro, nunca reeditado (e por isso uma preciosidade para colecionadores) é o álbum Deserted Palace.

Criado com recurso ao material que então tinha em casa (ARP, EMS Synthi AKS, um sintetizador VCS 3, um orgão Farfisa e percussão), Deserted Palace exibe formas relativamente simples, com arranjos ainda pouco elaborados, explorando sobretudo caminhos para a melodia e aproveitando as características tímbricas dos sons. O disco é muitas vezes apresentado como uma coleção de “música de biblioteca” com peças que poderiam assim ser destinadas a utilização em programas de rádio ou televisão, campanhas de publicidade ou cinema. Mas na verdade os títulos das faixas (todas instrumentais) acabam por sugerir linhas para uma possível narrativa…

O disco teve edição em França em 1973 e no mesmo ano surgia nos EUA no catálogo da Synchro-Fox Library Of Recorded Background Music, uma editora de música de “biblioteca”. Nunca teve reedições nem em vinil nem em CD. Alguns temas surgiram no alinhamento da compilação Essentials & Rarities (2011).

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