KLF “The White Room” (1991)

Bill Drummond e Jimmy Cauty eram já figuras com notoriedade, antes mesmo dos “casos” de samples não autorizados do primeiro disco que haviam lançado sob a designação The Justified Ancients Of Mu Mu (em 1987). Drummond tinha conquistado visibilidade na cena musical de Liverpool como manager dos Teardrop Explodes e Echo & The Bunnymen, depois como elemento dos Big in Japan. Mais adiante fundou a Zoo Records e chegou a trabalhar na Warner. E foi nessa etapa que, como A&R, assinou os Brilliant, trio onde então se encontrava Jimmy Cauty. Mas ao chegar à idade de 33 anos e um terço abandonou a indústria para encontrar um caminho. E ao lado de Jimmy Cauty lançaram as primeiras etapas de um percurso artístico que transcendeu sempre as lógicas e rotinas mais frequentes da cultura pop/rock para juntar à sua intervenção e comunicação formas e estratégias situacionistas, com manifestos e o que mais entendessem criar a cada nova intervenção.

Começaram por assinar os seus primeiros discos como The Justified Ancients Of Mu Um, mas em 1989 foi como KLF (iniciais para Kopyright Liberation Front) que concentraram o grosso da sua criação. Começam por lançar Chill Out um disco que acabaria transformado numa referência de uma nova geração de estetas ambient. Apesar dessa aventura “ambiental”, os KLF estavam na verdade mais focados em explorar os espaços mais próximos da música de dança que tinham experimentado numa primeira versão de What Time Is Love, lançada em 1988. A canção lançava as bases de uma música eletrónica habitada por acontecimentos cenográficos que, pouco depois, explorariam mais a fundo em discos com uma carga épica que seriam descritos como “stadium house”.

Surgiu então a ideia criar uma banda sonora para um filme… Mas o orçamento não se compôs e acabaram nas mãos com uma série de temas que, durante algum tempo, ficaram à espera de oportunidade para conhecer novo destino. Até que, em 1991, alguns dos inéditos criados para esse filme que não chegou sequer a ser filmado, acabaram, juntamente com alguns dos singles da série “pure trance” entretanto editados, no alinhamento de um álbum a que chamaram The White Room. O disco, embora sem seguir a matriz conceptual de Chill Out, não deixa de revelar uma certa ordem narrativa entre os temas, tendo então gerado um dos raros acontecimentos nascidos da geração acid house na forma de álbum. Com canções como 3AM Eternal, Last Train to Transcental ou Justified and Ancient (que mais adiante, numa edição em single, se transformaria num dueto com Tammy Wynette), The White Room é um marco na discografia que emergiu após a revolução que a club culture conheceu em finais de 80. Não é apenas o momento maior da obra dos KLF, como devemos reconhecê-lo como um título fundamental na história da dance music.

2 pensamentos

  1. Gosto muito dos singles com o “3Am” no topo. Também gosto do tema “The White Room”, da versão inicial do “Justified & Ancient” e da sonoridade geral do disco. Não sabia o momento cronológico onde tinha aparecido o single dos Timelords. Mas lembrei-me de ir à notícia recente sobre a disponibilização de uma compilação do grupo e está lá. “uma primeira versão de What Time Is Love, lançada em 1988 pouco depois da breve experiência criada sob o nome The Timelords, que lhes deu um inesperado single de sucesso com Doctorin’ The Tardis”

    Gostar

Deixe uma Resposta para Paulo F. Mendez Cancelar resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão /  Alterar )

Google photo

Está a comentar usando a sua conta Google Terminar Sessão /  Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão /  Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão /  Alterar )

Connecting to %s

This site uses Akismet to reduce spam. Learn how your comment data is processed.