Gigliola Cinquetti “Si” (1974)

1974 foi um ano suculento no Festival da Eurovisão. Aassistiu à estreia da Grécia, que apresentou em Brighton uma canção de folk grega, levando inclusivamente para o palco um bouzouki. A Jugoslávia apostava, com os Korni Grupa, um flirt com o rock progressivo em Generacija’ 42. Portugal levou ali E Depois do Adeus, na voz de Paulo de Carvalho, canção que, semanas depois, conquistaria um lugar na história ao ser escolhida como primeira senha de rádio para a revolução que devolveu a democracia ao país. A atriz e cantora anglo-australiana Olivia Newton John, representou o Reino Unido com Long Live Love, que ficou em quarto lugar. E o facto de se viver um momento no qual a livre escolha de língua estava nas regras fez com que vários países explorassem o apelo pop do inglês para tentar cativar os votos… Foi o caso da Holanda que foi representada com I See a Star, da dupla Mouth & McNeal ficou em terceiro lugar. Ou a Suécia, que triunfou ao som de Waterloo, dos Abba, nascendo aí o maior fenómeno alguma vez lançado pelo Festival da Eurovisão. Mas hoje foquemos outro dos “casos sérios” de 1974 e que o brilho vitória dos Abba ou de memórias de 1964, por vezes quase ofusca esta segunda (e magnífica) passagem pelo concurso da italiana Gigliola Cinquetti.

Filha de uma família com origens aristocratas, e com um início de percurso na música iniciado no Conservatório de Verona, Gigliola Cinquetti tinha apenas 15 anos quando, em 1963, venceu uma primeira competição local. O “salto” para uma carreira de facto (que a levaria a abdicar de um rumo antes pensado para estudos de arquitetura ou filosofia) começa a ganhar forma quando, em janeiro de 1964, vence o Festival de San Remo, com Non Ho L’Eta, canção que meses depois lhe daria vitória eurovisiva. A vencedora de 1964 regressou à Eurovisão dez anos depois, em 1974, com uma outra balada, mas esta de título quase telegráfico… Si.

Delicada balada orquestral composta por Daniele Pace, Mario Panzeri, Lorenzo Pilat e Corrado Conti, Si levou ao palco em Brighton uma cantora diferente da jovem que o mundo descobrira em 1964, com presença em palco claramente mais segura e capacidades interpretativas reforçadas. A canção gerou um “caso” em Itália porque, ao mesmo tempo que passava pela Eurovisão, decorria em Itália um referendo sobre o divórcio no qual uma das suas possibilidades no boletim de voto era, precisamente, o “si” (sim).

Na noite em que decorreu o Festival da Eurovisão a canção de Gigliola Cinquetti foi a que mais perto esteve de disputar a vitória dos Abba, terminando a votação em segundo lugar.

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