50. La Düsseldorf “La Düsseldorf” (1976)

Este é o número 50 da lista “100 Discos Daqueles que Raramente Aparecem nas Listas”… Foi editado em 1976 fez a estreia dos La Düsseldorf e lançou possibilidades de futuro para o relacionamento das eletrónicas com a canção popular. Texto: Nuno Galopim

Depois de uma primeira geração feita de nomes, acontecimentos e discos que fizeram da Alemanha de inícios dos 70 o epicentro de uma revolução na música eletrónica, levando-a dos laboratórios (leia-se estúdios) dos ensaístas e exploradores das décadas de 50 e 60 para os espaços habitualmente habitados pela música popular, uma segunda “fornada” de nomes, gravações e visões acentuou, na segunda metade da década, uma maior aproximação de caminhos que, a breve trecho, colocariam em cena uma noção de pop eletrónica. E entre os projetos que ajudaram a desenhar esses novos trilhos – ganhando até de David Bowie, na época, um elogio, tendo ele afirmado que ali estaria a banda sonora dos “futuros” anos 80 – contam-se os La Düsseldorf. Eram de… Dusseldorf, a cidade que colocara no mapa nomes como os Kraftwerk ou Neu!. De resto, os La Düsseldorf não eram mais do que a banda que Klaus Dinger, em tempos baterista nos Kraftwerk e, acima de tudo, uma das metades dos Neu!, criou depois da separação da dupla que tinha mantido com Michael Rother.

Foi ainda entre os Neu! que emergiram as ideias que ganhariam corpo em La Düsseldorf, o primeiro dos três álbuns que fariam uma discografia que se estenderia até 1980 e que teria em Viva (de 1978) o seu episódio de maior sucesso. Dinger, que havia já defendido pela sua bateria o ritmo pulsante que entretanto tinha ganho a designação ‘motorik’, levara ao álbum Neu 75 uma série de novos colaboradores com os quais vincou abordagens que acentuaram a cisão entre a sua visão e a de Michael Rother. Quando, após a separação dos Neu!, Klaus Dinger junta uma primeira formação dos La Düsseldorf, leva consigo estes parceiros, entre os quais estavam o seu irmão Thomas e o seu amigo (e teclista) Hans Lempe. Este trio definiria o corpo central da nova banda.

O disco nasceu entre o estúdio dos próprios La Düsseldorf (na cidade à qual pediam emprestado o nome) e o de Conny Plank, que assim assinava mais uma contribuição marcante na história da evolução da presença das electrónicas nas emergentes novas formas da canção popular. Apesar de nascido depois de uma rutura (sobretudo em confronto com as visões mais ambientais que Rother acabaria por prosseguir a solo), La Düsseldorf é na verdade um álbum de compromisso entre a vertigem da descoberta de um novo fulgor para a canção (como a que dá título ao álbum) e um gosto pela criação de peças de maior fôlego e mais vastidão cénica (como escutamos em Silver Cloud). No posterior Viva o grupo acentuaria a presença de uma geometria mais acentuada nos ritmos e timbres. Mas é neste La Düsseldorf que, apesar dos estímulos lançados pelos Kraftwerk, Bowie encontra as pistas que o levarão à sua mítica trilogia Berlinense. Do mesmo modo podemos encontrar aqui um antepassado comum a muitas experiências pop que ganhariam forma entre finais dos 70 e inícios dos 80. Dos Ultravox aos Duran Duran, ideias que hoje associamos à identidade pop da alvorada dos oitentas, já se começavam a desenhar por aqui.

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