A estreia a solo de Bryan Ferry surge no espaço de transição entre o segundo e o terceiro álbuns dos Roxy Music. Brian Eno tinha-se afastado depois do ciclo de obrigações promocionais em volta de “For Your Pleasure”, lançado em março de 1973. Para o seu lugar tinha entretanto entrado em cena um muito jovem Eddie Jobson que, quando militava nos Curved Air, não só tocava teclas como violino. Mas antes mesmo de o escutarmos em “Stranded” (terceiro álbum dos Roxy Music), editado em novembro de 1973, a sua estreia discográfica junto de Bryan Ferry fez-se em “These Foolish Things”, o álbum que, a 5 de outubro desse mesmo ano, assinalou a estreia a solo do cantor mais elegante da música pop.
Não deixa de ser curioso verificar aqui uma afinidade (e ao mesmo tempo um contraste) entre as opções de Ferry nesta sua estreia a solo e as que, também em 1973, levaram David Bowie – outra estrela do firmamento glam rock – a editar, em “Pin Ups”, um álbum também todo ele feito de verões. A maior diferença, além da abordagem instrumental, tem a ver com a matéria prima que cada um chamou aos alinhamentos. Bowie olhou em volta de nomes e canções com um peso formador do seu gosto e definidas sobretudo num espaço que ele mesmo conheceu pessoalmente, no Reino Unido de finais dos anos 60. Já Bryan Ferry concentrou as suas atenções, salvo em algumas exceções, para o lado de lá do Atlântico, escutando vários cancioneiros, chegando mesmo a recuar aos anos 30 (no caso da canção que deu título ao disco).

O álbum abre com uma primeira entre as muitas abordagens que, ao longo de toda a sua obra, faria à obra de Bob Dylan, logo aí mostrando a demanda por caminhos diferentes para a sua afirmação como intérprete. O crooner pop começava a nascer, cantando depois tanto canções dos Four Tops, dos Miracles, dos Beach Boys ou o clássico “It’s My Party” de Lesley Gore, visitando os Beatles e os Rolling Stones respetivamente em “You Won’t See Me” e “Simpathy For The Devil”. A estreia a solo deu-lhe um dos melhores discos de versões alguma vez criados por uma figura do firmamento pop/rock. E de certa maneira “These Foolish Things” acabaria por lançar caminhos aos quais a sua obra, sobretudo a solo, regressaria muitas vezes daí em diante.





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