Nascida em Boston em 1948 começou a cantar na escola e passou por primeiras bandas antes de rumar a Nova Iorque com o sonho de trabalhar no palco de musicais. Acabou integrada no elenco de “Hair” que, em finais dos anos 60, rumou a Munique (Alemanha). E aí fixou residência e casou com o austríaco Helmuth Sommer. Gravou um primeiro primeiro single, ainda em 1968, com Aquarius, um dos hinos nascidos da banda sonora de “Hair”… Apresentava-se então como Donna Gaines (o seu nome real era, de facto LaDonna Adrian Gaines). Lançou mais alguns 45 rotações igualmente sem impacte maior. E a sorte mudou quando, numa altura em que trabalhava como modelo e era voz muitas vezes chamada a estúdio, conheceu os produtores Giorgio Moroder e Peter Bellotte. De um trabalho conjunto nasceu a ideia de um disco. E foi por um erro na gráfica que então emergiu o seu nome artístico. O “o” de Sommer deu lugar a um “u”. O disco foi assim assinado por Donna Summer. Pelo menos é assim que a mitologia evoca a história do seu nome.

O álbum de estreia de Donna Summer foi editado em 1974. Tem por título “Lady Of The Night” e revela ainda uma noção pouco nítida do que poderia ser um rumo para a sua carreira. Apesar de algum impacte de “The Hostage”, uma canção que sugeria o tom de um thriller policial, mas com sabor a musical de palco, e que conheceu edição também a 45 rotações, o disco passou longe das atenções.
Há aqui um cockatil de ideias que arrancam sob o mote teatral de “Lady Of The Night”, um tema-título na linha de uma certa canção ligeira europeia que então passava pela Eurovisão mas que tinha estrela maior da época no grego Demis Roussos (a quem poderia ter sido entregue, de resto, a canção que encerra o alinhamento deste álbum). Não falta a country, visitada, também em modo light, em “Domino” ou, com travo mais elétrico, em “Born To Die”. A escola entretanto feita nos musicais ajusta-se que nem uma luva a “Friends” ou a “Little Miss Feet”. O alinhamento inclui ainda um momento mais próximo das matrizes da canção pop/rock em “Wounded” antes de rumar a um final com carga mais épica no mais tranquilo “Let’s Work Together Now” ou, já em território dos hinos pop, em “Sing Along (Sad Song)”.
Do alinhamento fica clara a versatilidade vocal de Donna Summer, assim como uma capacidade de adaptação futura a vários caminhos possíveis. Este mapear de possibilidades, de resto, parece ser na verdade a verdadeira alma de um disco que, de tão disperso nas referências, trilhos e soluções plásticas, traduz mais o que parece uma rede de ensaios do que propriamente um corpo coeso (algo que frequentemente associamos à ideia do álbum). “The Hostage”, apesar da sua dimensão narrativa mais próxima do teatro musical, acabaria por ser a pista mais próxima do que estava para vir. Coube todavia ao álbum seguinte, “Love To Love You Baby” (1975) o apontar da luz ao fundo do túnel pelos caminhos do então emergente disco sound… E daí até “I Feel Love” (1977) foi (quase) um pulinho.





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