Pode parecer coisa incrível mas, 54 anos depois de terem pela primeira vez lançado o seu álbum de , e com feitos na sua obra que passam por títulos maiores como “Kimono In My House” (1974), “No. 1 Song In Heaven” (1979) ou “Lil’ Beethoven” (2001), e canções inesquecíveis como “This Town Ain’t Big Enough For Both of Us”, uma vez mais “No. 1 Song In Heaven” ou “When Do I Get To Sing My Way”, os Sparks são um nome que , apesar de estarem longe de representar um segredo bem guardado, na verdade não correspondem aquela galeria de rostos que habitualmente habita as capas de compilações de recuerdos desta ou daquela década ou até mesmo das muitas enciclopédias que já foram dedicadas à história da música pop/rock. Tremenda injustiça quando, como uma vez mais podemos constatar, desta vez ao ver o (brilhante) “Sparks Brothers”, de Edgar Wright, temos na banda criada pelos irmãos Ron e Russel Mael, um dos casos mais notáveis de personalidade, versatilidade e capacidade de invenção, com evidente legião de admiradores entre músicos das diversas gerações que os escutam desde 1970.

Assente em entrevistas (com o inevitável sentido de humor) com os “manos” Mael e uma multidão de admiradores, entre os quais estão Beck, John Taylor e Nick Rhodes dos Duran Duran, Vince Clarke e Andy Bell dos Erasure, Nick Hewyard (Haircut 100), Thurston Moore (Sonic Youth), Flea (Red Hot Chilli Peppers), Steve Jones (Sex Pistola), Jane Wiedlin (The Go-Go’s), assim como antigos colaboradores como Tony Visconti, Giorgio Moroder ou Alex Kapranos (Franz Ferdinand), “The Sparks Brothers” propõe um olhar panorâmico, cronologicamente ordenado, sobre a obra dos Sparks, juntando às memórias e opiniões uma impressionante galeria de imagens de arquivo que nos fazem viajar por discos, canções e memórias que fazem os 140 minutos do filme avançar num piscar de olhos. Das memórias mais antigas, que precedem a própria criação da banda (e nos transportam até ao ambiente familiar no qual cresceram os irmãos Mael), à formação original que dá primeiros passos na Califórnia, antes da rutura (com resultados) que os levou a Londres poucos anos depois, a narrativa observa os episódios de sucesso vividos entre 1974 e 75, a primeira ressaca que surge depois, o renascimento criativo ao lado de Moroder, agora em clima disco, na reta final dos anos 70, não esquecendo a crise que viveram depois de 1986 (que só a resiliência dos dois irmãos permitiu vencer), um novo regresso em forma com “Sensless Sax and Sensless Violins” (sobretudo reconhecido na Europa), as novas visões lançadas já depois da viragem do milénio em “Lil’Beethoven”, o musical que imaginou uma ida de Bergman a Hollywood que criaram para a rádio sueca ou a série de concertos que, em Londres, os fez revistar a integral dos seus álbuns… A tudo isto juntam-se pequenos detalhes (como a exploração da imagem, que gerou controvérsia, do bigode de Ron Mael) ou um convite a entrar no seu próprio estúdio caseiro no qual trabalham diariamente que revela uma atmosfera quase na linha da arte total da dupla Gilbert & George, mas em mood pop… Com humor na construção do próprio retrato, e uma pitada de mitologia a ajudar, este documentário não deixará indiferente quem ainda não tinha notado quão invulgar e incrível é esta dupla de irmãos que nos dá a escutar grandes discos e canções desde 1970…

“The Sparks Brothers”, de Edgar Wright, está disponível na plataforma Netflix

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