Contemporâneos de nomes como os Oingo Boingo (a banda de Danny Elfman), as Go-Go’s e, um nada depois, os Missing Persons ou as Bangles, os Berlin são um dos nomes a ter em conta sempre que se fala da expressão que a new wave gerou entre a cena pop/rock de Los Angeles na viragem dos anos 70 para os 80. Com origens numa banda à qual chamaram The Toys (por pouco tempo), da qual emergiu o núcleo constituído por John Crawford (baixo), Chris Ruiz-Velasco (guitarra) e Dan Van Patten (bateria) os Berlin ganharam forma quando entrou em cena a cantora Toni Childs que, pouco depois cedia o lugar a Terri Nunn. De aparentes semelhanças com o que em Nova Iorque havia emergido com os Blondie, trilhando rotas de afinidade com a canção pop num espaço nascido em berço mais próximo de raízes punk, os Berlin evoluíram por caminhos inicialmente mais angulosos que, de resto, ficaram fixados entre as canções de “Information”, álbum de estreia editado em 1980 no qual o peso das electrónicas era já evidente. Dois anos depois “Pleasure Victim” (o mais recomendável dos discos da banda) revelava uma clara evolução na moldagem das canções num terreno próximo de uma pop eletrónica que então levava umas voltas de avanço em solo europeu, e com primeiros instantes de sucesso em canções como “Masquerade” ou “Sex (I’m a …)”, todavia sem a capacidade de dar o salto sobre o Atlântico que entretanto havia sido dado pelos também norte-americanos Devo, os canadianos Man Without Hats ou os conterrâneos Missing Persons. Na verdade o reconhecimento planetário chegaria um pouco mais tarde, em 1986, com “Take My Breath Away” (canção usada na banda sonora do filme “Top Gun”) e os seguintes singles igualmente extraídos do álbum “Count 3 & Pray”. Coube contudo, a “Love Life”, terceiro álbum, editado em 1984, o papel de preparar o caminho para esses maiores voos…

Precedido pelo single “No More Words”, que revelava nos créditos a presença de Giorgio Moroder (na co-autoria e produção), o terceiro álbum dos Berlin pode não respirar o mesmo fulgor do disco anterior que procurava caminhos, em solo americano, para uma linguagem pop eletrónica que, por esses dias, havia já gerado fenómenos de grande escala através de canções de nomes como os Yazoo, Soft Cell ou Human League. Recuperando ecos da escola new wave, as canções de “Love Life” mantém clara a presença destacada das electrónicas, mas juntam à equação a presença das guitarras e vincam uma arquitetura rítmica que não escondem uma vontade em assinalar uma ligação aos sabores do momento, com clara vontade em explorar baterias sintetizadas e programações. É neste terreno híbrido entre a pop eletrónica e ecos do rock que emergem canções às quais Terri Nunn entrega uma voz mais segura e que têm, numa segunda parceria com Giorgio Moroder (em “Dancing In Berlin”) o melhor momento de todo o disco. Curiosamente ambos os temas criados em parceria com o ‘mestre’ que havia assinado, com Donna Summer, “I Feel Love”, a canção que abrira o caminho para uma nova visão pop eletrónica (capaz de cativar a pista de dança), representam as linhas mais próximas do álbum anterior (de 1982), sugerindo o alinhamento restante uma relação de talvez menor ousadia, rumo a uma pop mais polida nas artes finais. Saiu-lhes a sorte grande no álbum seguinte. Depois Terri Nunn saiu de cena… E os Berlin, também (até que se juntaram, em vários momentos, e sob line ups distintos, já no século XXI).

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