Depois de uma geração pioneira que abriu caminhos na reta final dos anos 70, por volta de 1983 a canção marcada pela presença das electrónicas marcava já a linha da frente das atenções da pop apontada ao gosto mainstream. Entre os nomes que então entram em cena em solo britânico conta-se o de Howard Jones que, depois de uma etapa de vida passada no Canadá e de ter passado por várias bandas (uma delas em terrenos progressivos) começa por se apresentar num modelo diferente, chamando a si a voz e electrónicas, fazendo-se acompanhar por um mimo, que improvisava movimentos ao som das canções. É neste modelo, a dois, que Howard Jones se apresenta no londrino Marquee, que aluga, chamando representantes das editoras para a plateia. Acaba por encontrar casa editorial pouco depois, apresentando (ainda em 1983) o single de estreia “New Song” (produzido por Colin Thurston), que abre o caminho para um álbum de estreia que chega em março de 1984.

Ao invés do que encontramos hoje, com novos discos de nomes como os de uma Dua Lipa, Ariana Grande, Beyoncé ou Lady Gaga a merecer atenção crítica (sem preconceito), Howard Jones entrou em cena numa etapa em que havia uma clara divisião de opiniões, com textos claramente desfavoráveis em grande parte das publicações, com palavras claramente distintas nas páginas de revistas como a “Record Mirror” ou “Smash Hits”, nesta última tendo sido Neil Tennant (a voz dos Pet Shop Boys) o autor de uma prosa que destacou a escrita do novo autor. Longe de títulos maiores desta etapa como os que então surgiam assinados por nomes como os Talk Talk, Frankie Goes To Hollywood, Bronksi Beat ou da muitas vezes injustamente ignorada estreia do compatriota Nik Kershaw, “Human´s Lib” não deixa de merecer um lugar num retrato da pop britânica em 1984, juntando ao single de 1983 outros três igualmente bem sucedidos (“What Is Love”, “Pearl In The Shell” e “Hide & Seek”). “Coditioning” ou “Equality”, com maior fulgor rítmico (com tempero funk ma non troppo), antecipam o caminho que pouco depois o conduziria a um álbum de remisturas e a “Like To Get To Know You Well”, single de transição entre este álbum de estreia e um segundo, mais “manso”, editado em 1985. Canções sobre igualdade, partilha, pensamentos positivos, habitam canções que, apesar do impacte gerado há 40 anos, na verdade sofreu efeitos da erosão do tempo que passou.





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