Sobretudo conhecido como metade dos Yello, a si cabendo a composição das canções e a própria construção de muitos dos sons usados nos seus discos, Boris Blank tem mais vidas na música para lá daquela que, desde finais dos anos 70, o liga a Dieter Meier. Por um lado assina música para cinema ou outras produções audiovisuais, por outro tem mantido, desde 2014, uma carreira discográfica a solo que, mesmo orbitando espaços com afinidade com as sonoridades dos Yello e edificada sobre ferramentas electrónicas, começa a construir um espaço complementar ao que, através da dupla com Meier, dele fez uma figura central da história da pop eletrónica.
Tendo perdido a visão de um dos olhos, aos 12 anos na sequência de um acidente com uma espingarda, Boris Blank deu por sim com um single dos Beatles na mão (“She Loves You”, oferecido pela mãe) que lhe abriu portas a sonhos e possibilidades. Autodidata, nunca aprendeu música nem leu os manuais que acompanham os sintetizadores que depois foi comprando. Mas da sua imaginação e engenho nasceu uma linguagem que, com a voz (e vídeos) de Dieter Meier e, no início, a colaboração de um terceiro elemento (Carlos Perón), fez dos Yello um caso ímpar com obra notável criada sobretudo nos anos 80 mas que nos últimos anos (apesar de uma etapa menos vibrante entre finais dos 90s e os primeiros tempos do século XXI) lhes voltou a dar merecida notoriedade e aplausos.

Para quem compôs canções como “Goldrush”, “Oh Yeah” ou “The Race” ou álbuns brilhantes como “Stella” ou “One Second”, mais de 45 anos volvidos sobre os primeiros passos com os Yello, ninguém pede mais revoluções a Boris Blank. Mas não deixa de ser cativante o trabalho que tem vindo a criar em nome próprio, com um álbum de estreia a solo, “Electrified” (2014) ainda próximo da região demarcada Yello, seguindo-se logo um segundo disco, gravado em colaboração com a cantora Malia (natural do Mali), “Convergente”, lançado nesse mesmo ano, onde Boris Blank explorava descendências possíveis do modelo de canção elegante que, nos Yello, criara na mítica parceria com Shirley Bassey e Billy McLenzie. Agora, dez anos depois desta dupla estreia, chega “Resonance”, um álbum instrumental que volta a transportar ecos das linguagens dos Yello, se bem que avançando aqui por terrenos mais ambientais, como que sugerindo um reencontro com as atmosferas chill out que fizeram escola na alvorada dos anos 90, juntando contudo fraseados melódicos e até mesmo cenografias que piscam o olho às experiências do autor no mundo do cinema. “Resonance” está longe do tom exploratório dos discos de proa da obra dos Yello, mas faz sentido como, tal como sugere o título, uma ressonância natural de todo um corpo de trabalho.
“Resonance”, de Boris Blank, está disponível em LP, CD e em lançamento digital nas plataformas de streaming, numa edição da Universal Vertrieb





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