Descobrimo-lo como baixista ao serviço dos Public Image Ltd, a banda que John Lydon formou depois do fim dos Sex Pistols. Mas cedo Jah Wobble definiu um caminho próprio numa discografia a solo que remonta aos primeiros dias dos oitentas. À chegada dos noventas, atento a um alargamento de horizontes a outras músicas de outras geografias que entretanto haviam entrado no mapa mundo dos sons gravados pela expansão que o fenómeno da world music havia conhecido em finais dos anos 80, Jah Wobble formou o coletivo Invaders of The Heart, onde promoveu uma sucessão de encontros sem fronteiras, cruzando géneros, referências e passaportes bem distintos.
Depois de um disco de estreia em 1990 e de um afinar das ideias em 1991 em “Rising Above Bedlam” (onde colaboraram, entre outros, Natacha Atlas e Sinéad O’Connor), em 1994 “Take Me To God”, o terceiro álbum que Jah Wobble gravau com os Invaders of the Heart sugeriu uma visão dialogante e sem barreiras de um mundo onde a música ultrapassava geografias para sugerir uma personalidade maior. E numa altura em que o conceito de “aldeia global” era integrado no discurso corrente, o disco traduzia uma expressão concreta dessa ideia de comunicação à escala planetária.

Mais do que nunca Jah Wobble explorava aqui os espaços da canção, com vários colaboradores a ajudá-lo a integrar no discurso total do grupo elementos com genética africana, indiana ou caribenha que assim esbatiam a matriz ocidental pop que, mesmo assim, surge como ponto de partida. Nomes como Anneli M. Drecker (a voz dos Bel Canto), Ximena Tascon, Abdel Ali Slimani, Natacha Atlas, Najma Akhtar, Baaba Maal ou Gavin Friday contavam-se entre a multidão de colaboradores que Jah Wobble convocou a esta visão pop do mundo.
Diferente do “quarto mundo” idealizado por Jon Hassell ou de meras atualizações de referências tradicionais, este mundo global de Jah Wobble propunha um diálogo entre formas, genéticas e linguagens. Como se o mundo coubesse num disco. Algo esquecido (apesar de uma reedição com extras em 2011), “Take Me To God” pode ser evocado como um paradigma de uma atitude perante a world music que teve importante expressão nos anos 90.





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