Tudo começou num encontro na (então) Berlim Ocidental, em 1981. Foi ali que se conheceram Marian Gold e Bernhard Lloyd que, de regresso a Munster, onde viviam, começaram a juntar peças soltas já rabiscadas e um entusiasmo por uma cena pop eletrónica que então despontava no Reino Unido, esta, por sua vez, inspirada por pioneiros alemães. Sem saberem tocar um instrumento, munidos de sintetizadores monofónicos, devolviam assim a terreno alemão uma linguagem que por ali tinha raízes. Começaram por pegar numa canção que Marian Gold tinha já criado em 1979 (com o título “Big In Japan”) e estrearam-se em palco em 1982. No cartaz o nome anunciava-os como… Forever Young.
O tempo foi moldando as ideias. Cientes das suas limitações como instrumentistas de palco apostaram no estúdio, onde focaram as atenções. Resolveram criar uma canção com o seu próprio nome mas, pouco depois, foram procurar nova identidade tomando um filme de Jean-Luc Godard como fonte de inspiração. Nasciam os Alphaville e, aos poucos, começava a ganhar forma a coleção de canções que deram forma a “Forever Young”, a primeira das quais a ser revelada correspondendo à velha composição de 1979 que, em janeiro de 1984, surgira como single de estreia da banda, dando-lhes um imediato episódio de sucesso em diversos territórios europeus (tendo alcançado o número um na Suécia, na Suíça e, claro está, na Alemanha, atingindo ainda o número dois em Espanha, na Bélgica e Holanda e número três na Noruega). A “Big In Japan” seguiu-se “Sounds Like A Melody”, reforçando o perfil pop em diálogo com o apelo da dança, mantendo o perfil de popularidade pela Europa fora, não repetindo contudo o sucesso no Reino Unido onde, de resto, se juntariam à legião de bandas da Europa continental com estatuto de “one hit wonders” já que nem mesmo ali o terceiro single, “Forever Young” não alcançaria por aqueles dias mais do que um discreto número 98.

“Forever Young”, o álbum, a 27 de setembro de 1984 , sete dias depois do single com a canção que lhe dava título e revelava mais do que as duas canções que meses antes haviam piscado o olho às pistas de dança de travo euro pop ou a balada que então reclamava espaço na rádio. De resto, distante dos caminhos de “Sounds Like a Melody”, criada e gravada em duas semanas para responder à vontade em editar um sucessor de “Big In Japan” e adiar assim por uns meses a balada que daria título ao álbum, o alinhamento de “Forever Young” mostra uma pop mais elaborada, de cenografia sofisticada e produção cuidada de que são bons exemplos “A Victory Of Love”, “In The Mood” ou “To Germany With Love”. “Fallen Angel”, por sua vez, correspondia (tal como “Sounds Like a Melody” a uma reação ao impacte de “Big In Japan”, embora inexplicavelmente sem ter merecido o mesmo voto de confiança para ser single). “Summer in Berlin”, por sua vez, revelava uma fresta sobre um olhar sobre a própria história alemã, evocando os levantamentos de protesto ocorridos em Berlim Leste em junho de 1953. Já o empolgante, mas complexo, “Jet Set”, que acabaria por ser um (mais discreto) quarto single, surgiu sem ambições maiores mas acabou por traduzir em perto de cinco minutos a visão pop eletrónica cenicamente ambiciosa que se mostrava. Canções cantadas em alemão, como “Blauer Engel”, “Traumtänzer” ou “Leben Ohne Ende” (que daria origem, traduzida para inglês, ao lado B “Seeds”), criadas e gravadas neste período, acabaram contudo fora do alinhamento surgindo, anos depois, em edições especiais que abriram mais olhares sobre a criação de um disco que, juntamente com o seguinte “Afternoons In Utopia”, fez dos Alphaville um caso raro entre uma série de bandas pop europeias, com sucesso mainstream no mercado de singles mas raramente capazes de feitos maiores no formato de álbum. Pelo contrário, vale a pena incluir os dois primeiros álbuns dos Alphaville entre os episódios mais válidos da história da pop eletrónica europeia dos oitentas. Pelo que não é má ideia ouvir aqui mais do que aquilo as memórias da nostalgia fácil (ou seja, os singles de êxito) nos podem contar.





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