Na viragem dos anos 90 para o século XXI, e após o lançamento de um novo álbum de estúdio (“Dead Bees On a Cake”) David Sylvian encerrou um longo capítulo de relacionamento com a Virgin Records com uma sucessão de compilações. Editada ainda em 1999, “Approaching Silence” olhava para música criada para instalações, juntando num alinhamento comum as composições originalmente apresentadas no livro (com CD) “Ember Glance: The Permanence of Memory” (1991) e na cassete “Redemption” (1994), esta co-assinada por Robert Fripp. Em 2002 “Camphor” propunha uma reunião de peças instrumentais originalmente editadas entre os anos 80 e 90, incluindo as colaborações com Holger Czukay. Entre ambos os discos surgiu, no ano 2000, “Everything and Nothing”, compilação em CD duplo que propunha um olhar panorâmico sobre a obra vocal de David Sylvian, incluindo várias raridades e até mesmo um inédito dos tempos dos Japan (“Some Kind Of Fool”, gravado, mas então deixado inacabado, algures durante as sessões de “Gentlemen Take Polaroids”, em 1980). O disco tem agora, finalmente, uma prensagem em vinil.

“Everything and Nothing” junta de facto um olhar retrospetivo por momentos marcantes da carreira de Sylvian, do histórico “Ghosts”, ainda nos Japan, a “Blackwater”, “Every Colour You Are”, “Let The Happiness In” e “Cries and Whspers”, gravadas com os Rain Tree Crow a canções lançadas em singles a solo como “Pop Song”, “God’s Monkey”, “I Surrender” ou “Orpheus,” juntando ainda colaborações com Ryuichi Sakamoto (“Bamboo Houses” e “Heartbeat”), Mick Karn (“Buoy”), Robert Fripp (“Jean The Birdman”) ou Nicola Alesini e Pier Luigi Andreoni (“Come Morning” e “The Golden Way” do álbum “Marco Polo”), juntando ainda momentos do alinhamento dos quatro álbuns vocais a solo que o músico havia editado até então. Não se trata exatamente de um “best of”, até porque são notórias as omissões de canções como “Forbidden Colours” (1983) e todos os cinco singles extraídos dos álbuns “Brilliant Trees” (1984) e “Gone To Earth” (1986). Um “best of” comme il falta chegaria mais tarde, em 2012, no duplo CD “A Victim of Stars 1982–2012”.  

“Everything And Nothing” corresponde à primeira das quatro compilações de Sylvian a solo da etapa de ligação à Virgin encetada em 1980 e que teve como derradeiro título de originais o álbum de 1999 “Dead Bees on a Cake”. Não era má ideia juntar a este disco edições, igualmente em vinil, de, pelo menos, “Approaching Silence” e “Camphor”, já que contém gravações que até aqui nunca conheceram prensagem em vinil. Os admiradores e colecionadores não se importarão nada de ter, também em vinil, uma prensagem do retrospetivo “A Victim of Stars 1982–2012”.

“Everything and Nothing”, de David Sylvian, tem nova edição no formato de 3LP, num lançamento da Universal Music

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