Teve uma infância difícil. Nascida em Mafra, a viver em Lisboa desde os quatro anos de idade, Beatriz Costa aprendeu a ler por si mesma, trabalhou como empregada doméstica e bordadeira desenvolvendo desde cedo uma paixão pelo teatro desde que começara a frequentar o Parque Mayer, acabando por se estrear, em 1923, como corista na revista “Chá e Torradas”, então em cena no Éden. Não mais deixou o teatro. Fez uma digressão no Brasil, passou por mais palcos lisboetas, fez amizade com grandes vultos da cultura portuguesa de então e, em 1927, deu mais ainda nas vistas quando fez um ousado corte de cabelo à garçonne, que seria daí em diante uma imagem de referência. Chegou ao cinema em 1928 e, cinco anos depois, vestiu a pele da menina Alice Costa na “Canção de Lisboa”, de Cottinelli Telmo, filme que amplificou a sua popularidade como atriz e também como cantora.

É já sob o impacte do sucesso da “Canção de Lisboa” que, em 1936, dá por si numa nova produção teatral que lhe dará um dos maiores sucessos de toda a sua carreira na música. Com música de Raul Ferrão e letra de Alberto Barbos, José Galhardo, Vasco Santana e Amadeu do Vale, a canção “Arre Burro” (que tinha o título da própria revista) explora uma ideia de cultura e saber popular em clima de ruralidade, algo que caracterizou várias personagens que o teatro e o cinema então exploravam num tempo em que se começava a dar um êxodo do campo para as cidades. A canção surgiu em disco, apresentando no lado B o “Fado do 17”, da mesma revista (e com os mesmos autores) cuja letra permite uma leitura de propaganda ao regime (dado como pacificador) mas, ao mesmo tempo, pode levantar uma eventual (mas discreta) paródia aos tempos que corriam. 

Revista em dois atos, juntando um total de 25 quadros, “Arre Burro” esteve em cena no Teatro Variedades incluindo o elenco, além de Beatriz Costa, as figuras igualmente célebres de Vasco Santana e António Silva, que com ela haviam contracenado na “Canção de Lisboa”. 

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