Apesar da abertura assegurada nos anos 90 por nomes como os Daft Punk, Air, Etienne de Crecy, Cassius ou outros mais, muita da música francesa que se fez na viragem do milénio continuava a não chegar a ouvidos exteriores aos universos de influência maior da cultura francófona. Pelo que reduzir o mapa da música popular francesa do início do século aos nomes habitualmente associados à vaga de figuras e sons que por esses dias circulavam em alguma imprensa internacional sob o rótulo “french touch”. De facto, e se quisermos um retrato mais completo dos acontecimentos musicais made in France na aurora do século XX não podemos ignorar nomes então emergentes como os de Benjamin Biolay, Charlotte Gainsbourg ou Emilie Simon ou veteranos a assinar belos novos discos como foram então os casos de Brigitte Fontaine, Etienne Daho ou Arthur H.

Arthur H, talvez sem o mediatismo internacional de Daho ou até mesmo Brigitte Fontaine (que na primeira década do século trabalhou com os Sonic Youth ou Grace Jones),  é um cantautor versátil, com discos editados desde 1989, numa obra que de si fez um dos mais reconhecidos autores de um espaço que é habitualmente rotulado como nouvelle chanson. Editado em 2005 “Adieu Tristesse” foi o seu magnífico décimo álbum de originais e, à altura, o seu maior feito musical até à data. 

O disco respira paixões que eram já há muito óbvias na obra de Arthur H (Serge Gainsbourg, Tom Waits e um gosto pelo apelo de urgência do it youself apreendido com os Clash), mas resolve-as de uma forma completa e mais pessoal que nunca. Além destas pistas, convoca ainda colaboradores como Feist (num dueto que reinventa uma canção de Eric Satie), M e Jacques Higelin. O álbum sublinha o seu reconhecido gosto pelo teatro e pela poesia. É feito de espaços, de sons e palavras que se cruzam em diálogos férteis. Sussurrante na voz grave, ora falada ora cantada, Arthur H passeia-se por canções texturalmente ricas em acontecimentos, com momentos maiores em pérolas como o tema-título, “Ma Dernière Nuit À New York City”, “The Lady Of Shangai” ou “Est’ce Que Tu Aimes”… Uma edição (de 2005) em CD incluia um DVD com uma entrevista, um making of do álbum e o teledisco de “Est’ce Que Tu Aimes”. Apesar de todos estes argumentos “Adieu Tristesse” ainda não conheceu edição em vinil.  

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