Uma das primeiras vozes portuguesas a conhecer a sua voz fixada em disco foi Maria Alice, nome artístico de Glória Mendes Leal Carvalho, nascida em 1904 perto da Figueira da Foz. Mudou-se com 14 anos para Lisboa onde se estreia a cantar em finais da década de 20, no retiro Ferro de Engomar. Por essa altura estava já gravar discos, lançando uma série de títulos de 78 rotações na viragem para os anos 30.
Data de 1936 a edição daquele que ficou registado como o seu maior êxito. Trata-se de “Perseguição”, um fado com música de Carlos da Maia, irmão de um revolucionário republicano, eleito deputado logo em 1911, que tinha sido assassinado na chamada “noite sangrenta” em 1921. A letra era de Avelino de Sousa. E, na verdade, este fado tinha já sido gravado pela própria Maria Alice em 1927, numa altura em que o lisboeta Teatro Taborda era frequentemente usado como “estúdio”.

Apesar de gravado em 1927, o fado levou anos a chegar a disco, ao que parece porque a gravação andou perdida (sendo localizada pelo técnico de som da Valentim de Carvalho, Hugo Ribeiro, apenas em 1977, sendo essa versão então editada no álbum de Maria Alice “Fados dos Anos 20 / 30”).
A segunda gravação de “Perseguição” surgiu na verdade na face B de um 78 rotações que apresentava, no lado A, “Minha Mãe”, de Armando Neves e Júlio Proença. E foi esta gravação, captada em 1936, a que de facto se transformou num êxito tão grande que marcaria a discografia de uma voz que, já tinha protagonizado duas significativas passagens pelo Brasil e era então presença frequente nas emissões de rádio.
Nos anos 40 Maria Alice integra a Troupe Music-Hall mas, depois do casamento, opta por se retirar da vida artística.





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