Após três álbuns de originais, sob uma intensa agenda de concertos e um estatuto de visibilidade global conquistado, os Duran Duran chegaram a meados de 1984 com vontade de fazer uma pausa. Depois de terminada a digressão mundial que acompanhara a edição de “Seven and the Rgged Tiger”, tinham ainda pela frente a edição em single de uma versão remisturada por Nile Rodgers de “The Reflex” (que se transformaria num dos seus maiores êxitos), o lançamento do álbum ao vivo “Arena” e a gravação do single (e do teledisco) “The Wild Boys”. E foi por essa altura que se dividiram em dois corpos distintos. Simon Le Bon, Nick Rhodes e Roger Taylor juntaram-se em Paris para aprofundar a faceta mais cinematográfica e ambiental do som dos Duran Duran num projeto a que chamariam Arcadia. Meses antes John e Andy Taylor tinham já encontrado terreno livre para expressar o desejo de explorar duas premissas fulcrais da alma dos Duran Duran: a sua faceta mais rock (que tinha como paradigma “Careless Memories” que então tocavam regularmente em palco) e um motor rítmico mais próximo de uma identidade herdada do funk. Depois de uma ideia inicial que previa a presença de vários vocalistas, acabaram por se juntar a Roger Palmer (que tinham conhecido em 1983) e ao baterista Tony Thompson, formando um coletivo a quatro.

Sob produção assegurada por Bernard Edwards (Chic), estes quatro músicos registaram um conjunto de oito temas (entre os quais uma versão de um clássico dos T-Rex e de um outro dos Isley Brothers) nos quais apresentaram uma visão contemporânea de um rock anguloso e polido (que teria consequências diretas no som de “Notorious”, o álbum de reencontro dos Duran Duran editado em 1986). The Power Station (nome do estúdio nova-iorquino onde gravaram) foi a designação que adotaram para o grupo e, depois, o título para o seu primeiro álbum (haveria um segundo, claramente menor, onze anos depois).

A experiência foi coisa talvez mais cara do que musicalmente consequente, apesar da boa repercussão que chegou a ter nos EUA (aqui traduzindo ecos da popularidade global que os Duran Duran então conheciam no lado de lá do oceano). O álbum revelou uma versão com músculo de “Get It On (Bang a Gong) e um belo single pop ritmicamente elaborado (“Some Like It Hot”) que escolheram então como single de apresentação. “Communication”, editado como terceiro single, passou já mais longe das atenções. “Harvest For The World”, dos Isley Brothers, representa um quarto momento a reter num alinhamento que, através de canções menos memoráveis como “Lonely Tonight”, “Murderess”, “Go To Zero” ou da balada “Still In Your Heart”, traduz um passeio impecavelmente produzido que cruzou elementos de funk e traços de um rock mais pesado, ostensivamente longe do sentido pop e das cores que habitavam a música dos Duran Duran. O álbum contou, em alguns momentos, com a colaboração do baterista Roger Taylor, que entretanto ficaria mais envolvido com o outro projeto nascido nas mesmas férias. Contudo, salvo o que se escuta no empolgante “Some Like It Hot” ou na versão do clássico dos T-Rex, houve episódios de maior inspiração em gravações a solo destes músicos entre 1985 e 1986 como foram os casos de “I Didn’t Mean To Turn You On” de Robert Palmer ou “I Do What I Do” de John Taylor (composto para a banda sonora de “9 Semanas e Meia”). 

Hoje, 40 anos depois, este é um episódio paralelo de interesse relativo, datado e no seu todo menos interessante do que o mais elaborado “So Red The Rose”, dos Arcadia. Mesmo assim os Power Station tiveram vida mais longa e uma discografia mais extensa do que o outro projeto então nascido em paralelo. Em primeiro lugar porque, apesar do afastamento de Robert Palmer após a etapa promocional, decidiram fazer uma digressão no verão de 1985 para a qual contaram com Michael des Barres como vocalista. Dez anos depois os quatro elementos que haviam criado o álbum de 1985 juntaram-se para trabalhar em novas canções. John Taylor, num momento difícil da sua vida pessoa, afastou-se antes mesmo de iniciadas as gravações (apesar de ter participado na composição), tomando o produtor Bernard Edwards o lugar de baixista nas sessões de estúdio. A sua morte, pouco depois, impediu-o de fazer a digressão que seguiu ao lançamento do disco. Com os Power Station reduzidos a trio – Robert Palmer, Tony Thompson e Andy Taylor – partiram mesmo assim para a estrada, apresentando um alinhamento feito apenas de temas do vocalista, canções dos Chic e, claro, material dos dois álbuns dos Power Station. 

Deixe um comentário

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Fica a saber como são processados os dados dos comentários.

Trending