Existiram com a década de 80. Tiveram uma segunda vida, com discos e palcos, entre 1999 e 2005. E voltaram a reunir-se, em apenas uma mais ocasião, em 2014. Annie Lennox e Dave Stewart tinham já colaborado em bandas anteriores e, inclusivamente, vivido juntos quando, em 1980, criaram a ideia de um projeto no qual apenas os dois seriam a presença comum, podendo assim chamar quem entendessem a cada novo disco ou atuação. Assim nasceram os Eurythmics, que começaram por respirar ares diretamente herdados da new wave, experimentaram a pop eletrónica e, depois, rumaram a um terreno pop/rock mais clássico e de apelo mainstream. “Be Yourself Tonight”, que agora completa 40 anos de vida, correspondeu, em 1985, à passagem desta última fronteira.
De facto, depois de editados três álbuns claramente dominados pela presença das eletrónicas os Eurythmics apontaram o passo seguinte a um reencontro com valores mais tradicionais da cultura rock’n’roll. Outro elemento-chave na criação de “Be Yourserlf Tonight” foi um abraçar de heranças do universo R&B, chamando aos arranjos claras referências ao som da Motown (juntando metais e coros de escola soul) e convocando colaborações. Elvis Costello cantou em dueto em “Adrian”. Stevie Wonder levou a harmónica a “There Must Be An Angel”, que foi o segundo single extraído do disco. E para o single seguinte, e dada a indisponibilidade de Tina Tuner (a quem era destinada a canção), convidaram a estúdio Aretha Franklin, que ao lado de Annie Lennox fez de “Sisters Are Doing it For Themselves” um poderoso hino. A canção, na verdade, surgiu tanto no álbum de 1985 dos Eurythmics como em “Who’s Zoomin Who”, disco que nesse mesmo ano Aretha Franklin lançou em seu nome.

Apesar de definido sob referências distintas das que tinham dado aos Eurythmics clássicos da primeira idade da pop eletrónica como “Sweet Dreams (Are Made of This)”, “Love Is a Stranger” ou “Here Comes The Rain Again” e peças mais experimentais como “The Walk”, “Aqua” ou “The First Cut”, o álbum de 1985 gerou quatro novos episódios de grande impacte pop, juntando às já referidas parcerias com Stevie Wonder e Aretha Franklin o diálogo entre raízes rock e soul de “Would I Lie To You” e a pop de arranjo elegante de “It’s Alright (Baby’s Coming Back)” e depois outros momentos (que não chegaram a single) onde se notam mais evidentes sinais de ligação aos discos anteriores, com electrónicas mais evidentes do que nas canções escolhidas para, sobretudo, os três primeiros singles. O alinhamento guarda uma pérola que acabou por nunca conhecer exposição maior, mas que vale a pena anotar entre as melhores canções dos Eurythmics. “Adrian”, o tal dueto com Elvis Costello, é peça a reter entre esta etapa na vida de uma banda que, aos lados B dos singles desta etapa fez chegar sinais da sua admiração pelos Doors ou Françoise Hardy. Só um problema de saúde de Annie Lennox (que então viveu também uma mudança de look nos telediscos) obrigou o disco a não conhecer vida em palco por aqueles dias. Teria sido “a” digressão de referência do duo.





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