Apresentam-se sob um nome conjunto. Como Passengers. Mas na verdade não eram mais senão os elementos dos U2, aos quais se juntou, a tempo inteiro, Brian Eno (e não apenas como produtor). Juntos criaram um disco que procurava ir além da lógica da canção pop, experimentando ideias e ensaiando caminhos novos numa etapa que se sucedeu a “Achtung Baby” (1991) e “Zooropa” (1993), dois dos mais interessantes discos da obra dos U2. As composições, que nasceram de sessões de trabalho antes de iniciada a criação do álbum “Pop”, foram pensadas para filmes imaginários, se bem que na verdade algumas deles tenham mesmo acabado por servir a banda sonora de filmes reais. Entre os colaboradores deste álbum contam-se Luciano Pavarotti e Howie B.
Na verdade a ligação dos U2 a Brian Eno levava já uma década de vida, tendo os seus caminhos encontrado um primeiro episódio de cruzamento em “The Unforgetable Fire”, álbum de 1984 cuja produção contou ainda com a contribuição de Daniel Lanois. Eno manteve-se ao lado dos U2 nos discos seguintes (salvo em “Rattle and Hum”), mas depois do acentuar das vertigens mais desafiantes em “Achtung Baby”, reforçadas depois em “Zooropa”, o quarteto chegou a um terreno mais próximo das possibilidades de respiração de um fulgor exploratório. Com filmes imaginários em mente (mas também alguns de facto reais no mapa das consequências), U2 e Brian Eno criaram um álbum de música que poderia dar corpo a imagens.

Essencialmente instrumental, com pontuais experiências na forma de canção (como em “Miss Sarajevo”, “Your Blue Room” ou “Elvis Ate America”), “Original Soundtracks 1” aprofundou os métodos de trabalho e as demandas que tinham tomado a linguagem e música dos U2 durante a concepção de “Zooropa”. A vontade (não concretizada) de criar música para um filme de Peter Greenaway e a memória do próprio “Music For Films” de Brian Eno estiveram na base deste desafio (bem concretizado) que, apesar do cinema como destino eventual, é na essência um projeto de disco. Música que aqui nasceu chegaria depois a filmes como “Para Além das Nuvens” que juntou Michaelangelo Antonioni e Wim Wenders, o documentário “Miss Sarajevo” de Bill Carter e “Ghost in the Shell” de Mamoru Oshii. Apesar de pontual e sem grande expressão na discografia posterior dos U2, esta aventura teve entre as suas consequências mais diretas uma aproximação do grupo ao cinema. Nesse mesmo ano deram “Hold Me Thrill Me Kiss Me Kill Me” à “Batman Forever” e, cinco anos depois, contribuíram com várias canções para a banda sonora de “Million Dollar Hotel” de Wim Wenders.
Agora, 30 anos depois, e sem nunca ter surgido um volume 2 que o título poderia ter sugerido, “Original Soundtracks 1” regressa com uma primeira prensagem em vinil. Este lançamento surgiu no quadro de edições do Record Store Day.
“Original Soundtracks 1”, dos Passengers, está disponível numa nova prensagem em 2LP, num lançamento da Island/Universal





Deixe um comentário