Isabel Roma

Nasceu em 1977 e a música é uma das suas paixões, desde criança. Trabalha na RTP desde de 1999 e tem produzido muitos conteúdos musicais para o grupo público de media. 

Qual foi o primeiro disco que compraste?

Tenho que ir por partes, porque há vários primeiros e são todos importantes! Há o primeiro que me ofereceram, que terá sido o Brincando aos Clássicos da Ana Faria, uma introdução à música clássica, para crianças. Ainda sei as letras de cor… Depois há o primeiro que eu escolhi, no natal de 1984, em que eu tinha 7 anos. A opção era entre qualquer coisa do género de Ministars e Wham!. A minha escolha foi Wham!, o Make it Big. Tocou muito. Ainda hoje toca, de vez em quando!) . O primeiro disco que comprei mesmo, com a minha semanada, foi Madonna, o Like A Prayer de 89. Mas nesse mesmo ano descobri os Cure e mudei de rota! 

E o mais recente… 

Fui buscar, com uns dias de atraso, o Ghosteen, do Nick Cave, e aproveitei para trazer também o primeiro dos Barry White Gone Wrong, o Tornado de 2017. 

O que procuras juntar mais na tua coleção? 

O que mais procuro são as minhas bandas preferidas, fazer as coleções completas, LP, cassete e CD. Das que gosto mesmo tenho praticamente tudo, mas ainda há as edições internacionais… enfim!  E depois há tudo o resto, gosto muito de ouvir discos novos completos, antes de comprar. Raramente compro por impulso, tenho de ouvir primeiro. E depois há aquelas coisas de que nem gosto assim tanto, mas acho prudente ter, pelo menos, uma coletânea ou uma coleção de singles ou um disco ao vivo! Mas neste caso basta-me CD, claro!

Um disco pelo qual estejas à procura há já algum tempo. 

À procura, propriamente, não estou, já encontrei tudo à venda online. Não tenho é orçamento para comprar os devaneios todos! Por exemplo, o Small 11 de 1978, dos Cure, que é o primeiro single, anterior à Fiction, com o Killing An Arab e o 10.15 Saturday Night no lado B.  Mas também a edição do mesmo single pela Fiction, o Fics01, de 79. O problema é que há tantos mais… 

Um disco pelo qual esperaste anos até que finalmente o encontraste. 

Como tenho dez anos de atraso em relação à minha música preferida, ando sempre a ir para trás no tempo. Houve algumas, poucas, edições portuguesas dos Cure que seria impossível eu ter comprado. Cada vez que encontro uma edição portuguesa fico feliz! É o caso do LP do The Head on The Door, de 85. Um que procurei algum tempo e que, entretanto, comprei, foi o LP Blue Sunshine dos The Glove, do Smith e do Severin. Mas como eu queria a edição UK de 83, e não a de 90 ou de 2013, nem de outros países, demorou um bocadinho. 

Limite de preço para comprares um disco… Existe? E é quanto? 

Já paguei €5 por raridades e €60 por coisas que nem valiam tanto a pena. Se for Cure, Pixies, Bauhaus, por aí, dificilmente resisto, caso não tenha a edição. Mas tenho um limite mensal para música, discos e concertos, e vou fazendo a matemática de uns meses para outros. 

Lojas de eleição em Portugal… 

Há duas lojas onde faço mais compras hoje em dia e gosto muito de ambas. A Tubitek, onde eu ia em miúda e que reabriu na altura certa! E a Piranha, que é onde faço encomendas de coisas esquisitas, encontro discos usados e coisas estranhas ou que não conheço. Quer numa quer noutra sabe bem só estar lá, a ouvir música ou a ouvi-los falar de música! 

Feiras de discos. Frequentas? 

Gosto da feira de inverno que há sempre em Cedofeita. Costumo ir os dois dias e desgraço sempre o orçamento inicial… 

Fazes compras ‘online’? 

Faço imensas compras online, até porque há coisas que procuro que nem sequer existem cá. Faço em lojas nacionais, como a Rastilho, que é mesmo boa! Faço em sites de vendas, como o OLX, onde já comprei coisas inacreditáveis. E faço em lojas internacionais.  Tenho menos tendência para Amazon ou eBay. Não gosto muito de contribuir para monopólios… Mas admito que perco boas oportunidades por isso. 

Que formatos tens representados na coleção? 

7’’, 10’’ e 12’’, CD, mini-cd, cassete, alguns cartuxos, e depois VHS, DVD, laserdisc, bluray (Isto conta como coleção de discos? No meu caso, em que as prateleiras estão por bandas, tem de contar!) … assim de repente não estou a ver mais nenhum formato. 

Os aristas de quem mais discos tens? 

Cure, claro! Uma diferença brutalíssima para os segundos, que são os Pixies, mesmo incluindo os projetos paralelos do Charles e da Kim. E depois Bowie, Nick Cave, Siouxsie (com Banshees e com Creatures) Bauhaus e seus sucedâneos. Linhas de gosto bastante distintas! Mas há bandas de que compro tudo e só não constam aqui porque ainda têm pouca discografia, como Arctic Monkeys, The National, Linda Martini, ou porque acabaram cedo demais, como Nirvana…

Editoras cujos discos tenhas comprado mesmo sem conhecer os artistas… 

A 4AD, pouco mais. 

Uma capa preferida 

Disintegration, dos Cure. Sou um bocado óbvia, não é! Mas ainda hoje me comove, a capa e o disco. Tenho em póster, claro, na parede da sala. 

Uma disco do qual normalmente ninguém gosta e tens como tesouro. 

Não é bem um tesouro, mas quase não encontro quem goste. O White Room dos KLF, de 1991. Se calhar por ser tão diferente do que eu habitualmente gosto.  E os meus amigos não gostam dos Cure como eu, por isso levam umas valentes secas comigo…

Como tens arrumados os discos? 

Já tive uma separação entre música portuguesa e estrangeira. Agora está tudo junto, por ordem alfabética de banda/ cantor e depois por ano de primeira edição. Nos casos de discos iguais, de países diferentes, acresce a ordem alfabética dos países. Quando há reedições 180g, ou assim, normalmente junto com a edição original. 

Um artista que ainda tenhas por explorar… 

Tantos! Outro dia percebi, com um amigo, que há um disco dos Morphine que não comprei na altura. E assim, 20 anos depois, descobri uma série de canções que desconhecia. Isto acontece-me… Outro exemplo, esta semana andei a ouvir os portugueses Barry White Gone Wrong, que mal conhecia, e por isso fui comprar o primeiro disco. Depois há as paixões que viram amores. Há uns anos apaixonei-me por Linda Martini e só descansei quando comprei tudo o que havia e, daí para a frente, compro tudo o que eles editam. Normalmente ando assim, para trás e para a frente. Confesso que, até hoje, ainda não consegui entrar bem em Radiohead, e Thom Yorke, e culpo-me um bocado por isso. Um dia, talvez. 

Um disco de que antes não gostasses e agora tens entre os preferidos.  

Acontece-me muito com Cure, porque é o que ouço todos os dias, tipo ida à missa. Durante uns anos não gostei do Bloodflowers, de 2000, agora adoro. Depois voltou a acontecer-me como 4:13 Dream, de 2008. Há um que ainda me está entalado, que o self tittled “The Cure”, de 2004. Tenho que lhe dar mais uns anos… 

Já compraste discos que, afinal, já tinhas? Caso sim, quais. E o que fazes com os discos repetidos? 

Várias vezes. Por isso é que instalei a app do Discogs no telefone! Como tenho a minha coleção completa lá, verifico tudo com a app. É infalível! Já me aconteceu com Red Hot Chilli Peppers, o Californication, com Sétima Legião, que é uma das minhas bandas preferidas de sempre, e com Ornatos. Assim que me lembre! Fiquei com os duplicados, fechados. Posso vir a oferecer a alguém, não pensei nisso. 

Há discos que fixam histórias pessoais de quem os compra. Queres partilhar um desses discos e a respectiva história? 

Partilho várias pequenas histórias de discos que, por alguma razão, não esqueço. Uma tem a ver com Roxette e é um parêntesis, antes de falar mais a sério, com toques de tragicomédia! Ofereceram-me o Joyride no natal de 91. Que calamidade! Levei-o vezes sem conta para a feira da Vandoma. Nunca, mas mesmo nunca, ninguém me quis comprar essa pérola que, infelizmente, ainda aqui anda em casa!.. Agora a sério… O Disintegration, dos Cure, porque mudou o rumo musical da minha vida. Ouvir aquelas canções aos 12 anos foi profundamente impactante! O Nevermind, dos Nirvana. Vinha eu já com alguns anos de Pixies. Mas ouvir o Nevermind foi uma brutal chapada na cara, para uma miúda como eu. 

Um disco menos conhecido que recomendes… 

Vou ter de recomendar Cure, porque acho que as pessoas pensam que conhecem, mas não conhecem bem. E porque quem me conhece me associada sempre a eles! Há uma box set de demos que saiu em 2004, chamada Join the Dots, que fecha o ciclo com a Fiction Records e que ajuda a perceber melhor a origem de algumas canções. 

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