Piranha – Loja de Música (Porto)

Uma aventura já com um quarto de século apostada numa relação especial com os clientes (que a loja trata como amigos) e com uma seleção com diversidade mas também claros focos em alguns géneros musicais. A Piranha – Loja de Discos está de parabéns. Texto: Nuno Galopim

A celebrar os 25 anos de vida a Piranha é uma loja de discos muito ativa e também já cheia de histórias. Foi “inaugurada em 1995, mais precisamente no dia 1 de Dezembro, mas obviamente não apareceu da noite para o dia”, conta-nos Miguel Teixeira, o seu proprietário. Ele mesmo conta que esteve sempre “ligado, de alguma, forma à música, tanto como melómano e colecionador, como também em vários programas de rádio, na fanzine Peresgótika e na editora e distribuidora com o mesmo nome”. E tudo “começa aí”, já que “tinha a distribuidora de cassetes, que funcionava basicamente por trocas, e mais tarde e porque tinha bastantes contactos em editoras por todo o lado”, começou “a distribuir e a vender, por catálogo, em papel, o material de algumas labels, como a Jungle, Cleopatra ou a Nightbreed Records, só para referir algumas”.

Como as lojas que então existiam “deixavam muito a desejar” no seu “gosto pessoal e no que procurava”, e como já desde o início dos anos 80, encomendava vir discos de Inglaterra, “também por catálogo” e “pelo menos uma vez por ano, tentava lá ir (ou pedia aos pais ou aos tios, que viajavam muito pela Europa e que traziam o que aqui dificilmente chegava)”, pensou: e porque não ser ele mesmo “a fazer aquilo que realmente queria e gostava com a música?”.

A ideia “de abrir um espaço começou a fervilhar”. Como era cliente da Torpedo e da Carbono em Lisboa e “já conhecia o pessoal”, e como a Carbono “queria expandir-se, a solução mais fácil e rápida, foi fazer uma espécie de joint-venture com eles” e abriram no Porto em 1995, com o nome de Carbono. A sociedade “até correu bem”, mas passados uns dois anos, Miguel sentiu que se “estava a limitar e a desviar da ideia e do caminho da loja que idealizava”. Dissolveram a sociedade, tomou o controlo da loja e mudou o nome para Piranha. E recorda: “Não me recordo ao certo como surgiu o nome Piranha – Loja de Música, mas penso que foi num dia em que estávamos vários amigos e clientes na loja e fizemos uma espécie de brainstorming e alguém sugeriu este nome. Como era fácil de decorar, funcionava bem, tanto em português, como em inglês, ficou Piranha”.

A partir daí “as coisas começaram a funcionar mais a sério e embora acumulasse a função na loja com a profissão na altura” – era diretor criativo e trabalhava numa agência de publicidade, tendo feito a formação académica em Belas Artes – teve optar: “poderia ser muito difícil, pois era deixar um trabalho muito bem remunerado e certo, por uma coisa incerta, mas a paixão pelo mundo da música, sempre falou mais alto e foi muito fácil decidir. A partir daí dediquei-me e até hoje, quase só e inteiramente à Piranha e não me arrependendo um único dia da decisão que tomei”.

A Piranha “foi a primeira loja do género a apresentar e a explorar este nicho de mercado dos discos e CD em segunda mão na região Norte e no Porto”. Na altura “não existia nada aqui” e este foi um dos principais motivos que também o levou a abrir a loja: “era uma franja de mercado que não estava a ser explorada e que fazia muita falta. Material novo, de uma forma ou de outra, as pessoas acabavam por encontrar noutras lojas mais generalistas, mas o material descontinuado e raro e que já não se arranja em estado novo, só está mesmo disponível assim nos usados. Por isso a nossa grande aposta na secção do material em segunda mão”. A Piranha compra, troca e vende “todo o tipo de material usado”, embora os discos em vinil e CD e os DVD novos sejam “talvez uns 65 a 70 por cento do stock e das vendas”. Para além dos discos em vinil e CD, dos DVD, Blu-Ray e cassetes, a Piranha “tem também uma secção dedicada a livros relacionados com música, revistas e fanzines também da especialidade”. Há ainda “uma pequena secção” de merchandise, com T-shirts, canecas, capas de plástico para proteção dos discos em vinil e CD.     

Sobre os géneros musicais em que a Piranha mais se especializa, “mas tendo sempre uma grande abertura a todos os estilos”, Miguel diz-nos que “serão o metal, nas suas dezenas de vertentes e o post-punk e goth”. Estes serão “os estilos preponderantes, embora o punk/hardcore, prog rock e o pop/rock indie também tenham grande procura e importância e relevo na loja”.

         Quem é o público da Piranha? Miguel responde: “os nossos amigos, que por acaso também são os nossos clientes, pois é assim que os vemos e tratamos, são de uma faixa etária que vai desde os 15 aos 65 anos. Obviamente a faixa entre os 25 e os 45, será aquela em que teremos mais clientes, também porque normalmente corresponde a trabalhadores em atividade e com um maior poder de compra. Mas sempre foi e é, muito heterogéneo e eclético.  O único aspeto que achamos algo estranho e bizarro é que temos muito mais clientes masculinos do que femininos, na proporção de 80 para 20 por cento, o que é algo incompreensível, mas sempre foi assim”.

         Sobre se sente que esteja a nascer um novo circuito de lojas de discos no Porto, Miguel conta-nos: “Gostaria de afirmar isso, mas não creio e parece-me somente uma espontânea e momentânea coincidência o facto de terem recentemente aparecido mais uma ou duas lojas aqui no Porto. Penso que devido ao aumento das edições e consumo de vinil, fez com que aparecessem mais algumas lojas, mas não me parece que se possa afirmar que se trate de “um circuito” de lojas de discos. É certo que há hoje mais oferta do que havia há dois ou três anos, mas já vimos esta situação acontecer por várias vezes e em diferentes alturas e anos, pois com 25 anos de existência da Piranha, dezenas lojas já abriram e encerraram e já estamos um puco habituados a estes fenómenos ocasionais e temporais”.

E que futuro imagina o proprietário da Prianha para o universo das lojas de discos? E aqui, uma vez mais, é claro e direto: “Infelizmente, e não queria com isto ser demasiado pessimista, mas 25 anos de “estrada” já nos dão algum calo… O futuro e o panorama não serão radiosos ou sequer bons. Também por causa do contexto da pandemia, a situação das lojas de discos piorou e vai piorar ainda mais, pois todos nós estamos a passar um mau bocado. Aquelas empresas como nós, que terão por trás uma estrutura bem delineada e com alguma folga financeira para investir nesta altura, serão com certeza aquelas que irão prevalecer. Mas é a lei do mercado. A opção que fizemos em apostar e trabalhar num nicho de mercado especializado, tendo pessoas altamente especializadas a trabalhar na Piranha e fazendo um atendimento personalizado e muito cuidado, fazem com que essa seja a nossa diferença. E os clientes são inteligentes e facilmente se apercebem e sabem isso. Um aspeto curioso, é que mesmo no meio deste desastre que tem sido a pandemia, tivemos este ano os três meses em que mais faturamos desde 2015, o que significa algo por parte dos nossos amigos/clientes”.

A 1 de dezembro de 2020, a Piranha fez 25 anos de vida. Mas as medidas de restrição em vigor impedediram a celebração que gostariam de ali fazer. Miguel conta que tinham planeado efetuar uma exposição de discos em vinil raros e uma outra de fotografias de concertos, “mas não é possível”, já que estão “inseridos numa galeria comercial e agora não dá para fazer nada”. Por isso decidiram “festejar” online, no site www.piranhacd.com e nas páginas do Instagram e Facebook.

PIRANHA – RECORD STORE

Centro Comercial Parque Itália, 752 – Loja 73 – 1º Piso

4050-012 Porto

Horários:
De segunda a sexta-Feira das 11.00 às 20.30 horas
Aos sábados das 11.00 às 13.00 horas e, depois, das 14:30 às 20.00 horas
Aos domingos e feriados das 15.00 às 19.00 horas

(estes horários naturalmente correspondem a períodos sem restrições)

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