Editado em finais de setembro de 1993, o álbum “Very” devolveu os Pet Shop Boys a uma rota de mais evidente relação da canção pop com os estímulos captados na pista de dança, contrariando assim os rumos ensaiados no mais implosivo “Behaviour” (que, com o passar do tempo, se revelaria afinal como um dos melhores momentos de toda a obra do duo). Se as cores pop dos singles “Can You Forgive Her” e “I Wouldn’t Normally Do This Kind of Thing” e a exuberância da versão de “Go West” (original dos Village People) asseguraram o reatar da comunicação com o público mainstream à escala global, a outros momentos de “Very” coube o consolidar de outras faces das quais o grupo não quis abdicar, numa perspectiva de espectro largo que assim tanto comportava a elegância da criação mid tempo em “LIberation”, a cenografia cuidada da balada “To Speak is a Sin”, ou uma ainda mais intensa proposta para a pista de dança que, mesmo não surgindo no alinhamento do álbum, na verdade a ele nasceu associada num CD extra, com o título “Relentless” que, numa das edições originais deste disco de 1993, juntava assim seis mais faixas a este episódio. 

Exclusivo dessa edição em CD com capa “mole”, o disco extra revelava uma série de ensaios mais próximos das linhas da música de dança habitualmente assimilada pelas canções do grupo do que das normas pop pelas quais depois o grupo habitualmente moldava as artes finais das suas ideias. “Relentless” é um disco essencialmente instrumental, que caminha sobretudo entre as esferas da house e as periferias do techno, ocasionalmente mergulhando em terreno deep house, usando a voz como recurso para vocalizações salvo em “One Thing Leads To Another”, canção na qual Neil Tennant reencontra os diálogos entre a voz cantada e sequências faladas (com fluência de rima, piscando o olho ao rap) como já nos mostrara, por exemplo, no célebre “West End Girls”. Lançamento discreto (na verdade esta canção podia ter merecido edição como single), “Relentless” viveu essencialmente como peça extra de uma edição limitada de “Very”, tendo conhecido então uma ainda mais limitada edição promocional em vinil, com as seis faixas do mini-LP distribuídas por três discos de doze polegadas. Agora, a assinalar os 30 anos da edição de “Very” finalmente escutamos o grito do Ipiranga de “Relentless” que conhece edição avulso em CD e, apontada aos colecionadores, uma tiragem (uma vez mais limitada) em vinil amarelo (apenas disponível através do site oficial dos Pet Shop Boys). Afinal nem sempre é preciso chegar ao Record Store Day para termos direito a estas propostas inesperadas…

“Relentless” dos Pet Shop Boys está disponível em LP, CD e nas plataformas digitais numa edição da Parlophone. 

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