Albuquerque, no Novo México, já inscrita na mitologia pop em outras ocasiões (como por exemplo o facto de acolher a ação da série “Breaking Bad”), conheceu definitivo lugar neste mapa mundo dos grandes acontecimentos da cultura popular com a entrada em cena dos The Shins, uma banda desde sempre sobretudo associada ao seu fundador e vocalista James Mercer, na verdade o único elemento que se tem mantido a bordo desta aventura desde o início da aventura, em 1996.

Os The Shins, que desde cedo despertaram atenções entre os mais próximos das movimentações em territórios indie, ora quando andaram pela estrada a abrir concertos dos Modest Mouse, ora quando lançaram um primeiro single em 1998 (“Nature Bares a Vacuum”), cativou atenções maiores quando, em 2001, editaram o álbum de estreia “Oh Inverted World”, de cujo alinhamento sairia mais tarde, rumo à banda sonora de “The Garden State” (de 2004), o tema “New Slang” que se transformaria num dos grandes clássicos do panorama pop/rock alternativo da alvorada do milénio e lhes daria um passaporte para um patamar de visibilidade que daria ao terceiro álbum “Wincing The Night Away” (2007) uma vida com horizontes de comunicação consideravelmente mais largos. Por essa altura o grupo tinha já vincado as marcas de identidade da sua música e o seu espaço no panorama indie norte-americano com o lançamento de um segundo álbum, que acentuou em tudo as boas sugestões já antes apresentadas no disco de estreia.

Originalmente lançado em 2003, criado já no estúdio entretanto montado na cave da casa de James Mercer em Portland (no Oregon), “Chutes Too Narrow” continuou então a desenvolver o modo como James Mercer & companhia procuravam o cruzar da sensibilidade indie que os Ths Shins tinham vivido desde os seus primeiros instantes com a progressiva busca de um certo classicismo pop, procurando referências nos grandes livros dos sessentas, entre os Beatles e os Byrds, investindo ainda por outros ecos do folk e rock com tempero piscadélico, encontrando heranças que expressaram segundo uma personalidade frequentemente mais dada às luzes do que às sombras. Sob uma sensibilidade poética que traduz admiração por nomes que vão de um Syd Barrett a um Nick Drake, James Mercer desenvolve claramente aqui uma postura vocal mais segura e tranquila, moldando canções que confirmaram o talento melodista do timoneiro da banda. Apesar de um berço mais discreto face ao que acompanharia discos posteriores de James Mercer (quer com os The Shins quer no projeto Broken Bells), o tempo acabaria por reconhecer “Chutes Too Narrow” como um dos grandes momentos que o mundo indie nos deu a escutar nos primeiros anos do século XXI.

“Chutes Too Narrow”, dos The Shins, regressa numa reedição em LP e CD, estando também disponível nas plataformas digitais, num lançamento da Sub Pop.

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