Joaquim Paulo

Tem 54 anos, nasceu em Leça da Palmeira e está a viver em Lisboa há já dezanove. Tem uma editora discográfica, a Mad About Recordss, que é especializada em reeditar discos no formato vinil (exclusivamente) e que tem distribuição mundial. Tem também um programa de rádio na Antena 3: “Matéria Prima”. É autor dos livros “Jazz Covers” e “Funk & Soul Covers”, ambos publicados pela Taschen.

Qual foi o primeiro disco que compraste?
“Selling England by The Pound” dos Genesis. Comprado com o meu dinheiro, em Fafe nas férias de verão em casa do meu avô, e depois de uma difícil escolha que demorou horas para desespero do empregado na loja.

E o mais recente? 
Nunca consegui comprar a edição original de um disco jazz funk dos anos 70 e que persegui durante anos e anos, pelos menos a um preço decente: dos Forty Seven Times It’s Own Weight “Cumulus Nimbus” que foi editado em 1975 na  minúscula editora independente texana Fable Records. O disco ao longo dos anos adquiriu estatuto de culto e era quase impossível comprar. Agora, finalmente há a belíssima reedição da editora inglesa Jazzman.

O que procuras juntar mais na tua coleção?
Os discos que persigo ha anos e anos. Quase todos eles oriundos do jazz. Completar a colecção Blue Note de 10”, da editora Strata East e da Nimbus 

Um disco pelo qual estejas à procura há já algum tempo.
Posso dizer 4? Orquestra Afro-Brasileira ‎– Obaluayê! de 1957, um 10” muito raro;  Michael Garrick Band ‎– “Home Stretch Blues” para tentar fechar a colecção Brit Jazz; Robert Cotter “Missing You”, e “You Got Dat Wright” o único disco gravado pelo saxofonista Prince Billy Mahdi Wright  

Um disco pelo qual esperaste anos até que finalmente o encontraste.
Tive a felicidade de “tropeçar” numa bela colecção de discos ha uns tempos e uma das pérolas no lote era um dos holy grails da library music “Vocal Shades and Tone” da cantora Barbara Moore na editora Music de Wolfe de 1972

Limite de preço para comprares um disco… Existe? E é quanto?
Agora existe. Não quero perceber  nem compreendo os valores pornográficos que alguns discos atingem. Já perdi a cabeça algumas vezes para aprender que, se calhar, não vale mesmo a pena…
 
Lojas de eleição em Portugal… 
Discolecção, é claro. 
 
Feiras de discos. Frequentas? Quais? 
Não frequento. Gosto de lojas. Tento encontrar uma loja de discos em qualquer parte para onde vá. Meia volta visito a feira de Utrecht. 
 
Fazes compras ‘online’?
Sim, é inevitavel. Não consigo fugir à tentação. 

Que formatos tens representados na coleção? 
Maioritariamente jazz, Soul/funk, Brasil, Library music, primeiras gravações de musica electronica.
 
Os aristas de quem mais discos tens?
John Coltrane, Miles Davis. Depois poderia falar das editoras Blue Note, Impulse. 
 
Editoras cujos discos tenhas comprado mesmo sem conhecer os artistas…
Qualquer coisa que a jazzman reedita, qualquer disco que me apareça da Nimbus, da Tribe, todos da nova editora Gondwana.
 
Uma capa preferida.
“A love supreme” do John Coltrane, “Bitches Brew” e “On the corner” do Miles Davis, “I want you” do Marvin Gaye
 
Uma disco do qual normalmente ninguém gosta e tens como tesouro.
Tenho muitos. Mas posso destacar o meu guilty pleasure “Brother to Brother” do Gino Vannelli, especialmente pelos delírios de fender rhodes e moog do irmão Joe Vannelli.

Como tens arrumados os discos? E como é que se lida com o espaço da casa invadido por discos?
Arrumo os discos por género, e alfabeticamente . Depois tenho 3 espaços especiais dedicados à Blue Note, Impulse e aos 10” (alfabeticamente organizados e por género). 

Um artista que ainda tenhas por explorar…
Frank Zappa. Comecei a ouvir muito tarde, mas agora impressionou-me a tal ponto de desatar a comprar tudo do Zappa.

Um disco de que antes não gostasses e agora tens entre os preferidos.
“Harvest” do Neil Young. 

Já compraste discos que, afinal, já tinhas?
Vergonhosamente ainda faço isso. Passei a vida a comprar discos repetidos. Foram muitos. 

O que fazes com os discos repetidos?
Gosto muito de oferecer discos aos meus amigos. Ou então uso como moeda de troca. 

Um disco menos conhecido que recomendes…
Recentemente foi editado em vinil um disco que possuía em CD desde 2003: “I Trawl The Megahertz” de Paddy Mcaloon , o líder dos Prefab Sprout. Um dos discos mais belos e profundamente comoventes que ouvi. 

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