Carl Orff, “Catulli Carmina”

A cantata cénica Carmina Burana representou um triunfo para o compositor alemão Carl Orff (1895-1982). Poucas obras da música erudita do século XX alcançaram o mesmo patamar de reconhecimento popular (chegou mesmo a ser usada em publicidade e é frequentemente integrada em programas voltados para o grande público). Mas poucas levantaram também tão diferentes opiniões, das mais diretas expressões do foro estético a críticas de perfil ideológico. Carmina Burana é uma cantata cénica baseada em cantos medievais profanos com o mesmo nome (os festivos ‘carmina burana’), e foi estreada em Frankfurt em 1937. O vigor do ritmo sustenta a estrutura de muita da música de Carl Orff. E aqui, uma vez mais, as vozes aceitam essa geometria arrumada, ao mesmo tempo que as cores das orquestrações, não seguindo os padrões habituais da grande orquestra, escutam preferencialmente metais e percussões… Carmina Burana ganhou uma dimensão global a partir dos anos 60 através de uma série de bem sucedidas gravações pelas mais variadas orquestras e maestros, em todas as grandes etiquetas discográficas com catálogo de música clássica. Fez-se por isso referência maior da música do século XX – usada desde a publicidade ao cinema, do Saló, ou os 120 Dias de Sodoma de Pasolini ao Excalibur de John Borman.

Esta cantata abre, na verdade, um tríptico que se completa com duas outras obras: Catulli Carmina (de 1943) e Il Trionfo di Afrodite (de 1953), próximos nos métodos de trabalho e fontes, mas sem a opulência da obra original, que na verdade sempre ofuscou as restantes peças destes Trionfi.

Estreada em Leipzig em 1943 Catulli Carmina (Ludi Scaenici) é uma obra para coro, solistas e uma pequena orquestra unicamente constituída por instrumentos de percussão. Carl Orff procurou novamente um ponto de partida em poemas, em latim. Desta vez apontou as atenções a Gaius Valerius Catullus (84-54 a-C.), filho de um governador que passou parte do seu tempo em Roma, movimentando-se entre a alta sociedade local, vivendo uma obsessão por uma mulher casada, traduzindo palavras de felicidade e desilusão nesses textos. A abordagem musical é diretamente ancorada nas memórias de Carmina Burana mas, como em algumas das obras de Carl Orff para palco, ao canto acrescentou aqui partes faladas. Aguardada com expectativa, sobretudo dado o sucesso de Carmina Burana, a chegada de Catulli Carmina não causou, contudo, o mesmo impacte.

É histórica esta gravação que Eugen Joachum dirigiu em 1954, com a Orquestra e Coro da Rádio da Baviera, em 1955, contando com as vozes de Annelies Kupper (muito admirada pelo compositor) e Richard Holm. Esta mesma gravação, então lançado pela Deutsche Grammophon, foi em 1957 integrada numa caixa de três LP, juntando, também em gravações dirigidas por Joachum, Carmina Burana e Trionfo di Afrodite, sob a designação comum Trionfi.

Esta, mais fácil de encontrar em LP, é uma outra gravação, editada pela Deutsche Grammophon em 1971, uma vez mais com Eugen Joachum a dirigir, mas agora com as vozes de Arleen Auger e Wieslaw Ochman, juntamente com o Coro da Ópera de Berlim.

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