Street Kids, “Trauma” (1982)

Apesar de relativamente esquecidos pelo tempo, em parte talvez por falta de edição em CD das suas canções – apenas Propaganda existe, para já, em CD, integrado no primeiro volume de O Melhor do Rock Português – os Street Kids foram, todavia, uma das mais importantes “escolas” da primeira geração de 80 do pop/rock nacional.

Este colectivo nascido em Cascais, em 1980, revelaria nomes como os de Nuno Rebelo (mais tarde nos Mler Ife Dada), Nuno Canavarro, Luís Ventura (futuro vocalista dos Lobo Meigo) e acolheu o ex-Corpo Diplomático Emanuel Ramalho (ou seja, Flash Gordon, antes nos Corpo Diplomático e depois nos Rádio Macau e Delfins). O baixista Rebelo, juntamente com Eduardo Sobral e Mané, vinham dos Plástico.

Animados pela agitação que borbulhava no Portugal de 1980, são dos primeiros a revelar sinais da assimilação da new wave em solo português, estreando-se ainda esse ano com o single Let Me Do It, ao que se segue, em 1981, um segundo: Super Wen. São tidos como uma das mais promissoras bandas nacionais, valendo-lhes a opção pelo inglês algumas críticas.

Em 1982, ao trabalhar um álbum de estreia, optam pela mudança para o português. O single Propaganda/Tropa Não revela a nova personalidade da banda, na verdade apenas diferente na língua, já que musicalmente seguiam a mesma e coerente demanda pós-punk. As rádios adoptaram-nos e a sua música fez parte da banda sonora do ano. Trauma, editado nesse 1982 pela Vadeca, sofreu o impacte da ressaca que vivia então o pop/rock português depois do excesso de oferta e da “mais fome que barriga” de 1980 e 81.

Todavia, o álbum pode hoje ser recuperado como um dos mais interessantes do seu tempo. Formalmente, o disco reflecte uma banda de espíritos do seu tempo, com visão adiante dos horizontes mais limitadores da época, mostrando a música ecos das movimentações em clima pós-punk ao assimilar a presença dos sintetizadores junto do corpo mais “clássico” de guitarra, baixo e bateria. O disco traduz ainda uma personalidade crítica (chamou-se-lhe então de “intervenção”) bem clara numa agenda de temas que levaram às canções. E revela a voz tranquila, discreta, mas em sintonia com a música, de Luís Ventura.

Até hoje esta é uma das pérolas do pop/rock português da geração de inícios de 80 ainda sem representação na era digital. Nem o disco foi nunca reeditado em CD (se bem que parece ter estado na lista dos possíveis títulos a lançar na coleção Os Dias do Vinil da VC) nem está disponível nas plataformas oficiais de streaming.

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