Algumas breves notas sobre o reencontro com os OMD na Aula Magna

Os OMD passaram uma eternidade sem visitar palcos portugueses. Em 2018 a “primera vez” teve aquele sabor de uma promessa antiga que finalmente se cumpria. Agora era a vez de trazer algo diferente. Tanto que Lisboa e Porto foram escolhidas pelo grupo para assegurar o arranque da digressão que assinala a celebração dos seus 40 anos de carreira. Porém, e mesmo tendo sido uma noite bem passada, e com algumas canções que a memória coletiva da geração dos 80s não esquece, a coisa soube… a pouco.

A noite na Aula Magna foi um pouco o concerto da outra vez, talvez com mais corpo (sobretudo pela presença da bateria) e ligeiras mudanças de alinhamento. O lote de singles (muitos) é saboroso, mas a coisa, no todo, acabou “fraquinha” como celebração de 40 anos de vida. Na verdade parecia uma extensão natural da última digressão… Houve a estreia mundial ao vivo do novo single ‘Don’t Go’. Houve duas (duas!) memórias mais remotas… Mas o poder do apelo da ‘nostalgia’ ditou o clima da noite. E pouco mais do que nostalgia foi o que se serviu.

Podiam ter feito um ‘set’ mais longo de memórias da etapa 79/80, que está cheia de momentos incríveis (e que são peças fulcrais na construção de uma ideia de canção pop feita com eletrónicas). Foi bom ouvir ‘Statues’ (do segundo álbum) e o lado B de ‘Electricity’ (‘Almost’). Mas podiam tocar mais temas dos dois LP de 1980 e ainda um ou dois dos inéditos que surgem na caixa agora editada… E depois trabalhar melhor a cenografia… Juntar imagens…

Em suma, a noite foi apenas um ‘best of’, que podia acontecer em qualquer altura. E com as doses açucaradas de um menor ‘Dreaming’ ou um ‘So In Love’ em vez dos bem melhores ‘Telegraph’ ou ‘Genetic Engineering’. Um ‘Time Zones’ pré-gravado para dar espaço a uma breve mudança cénica – que lembra o ‘electro set’ da digressão dos Duran Duran por alturas de ‘Red Carpet Massacre’ não chega para celebrar ‘Dazzle Ships’ como um disco que, na altura, o tempo não entendeu mas que, aos 40 anos de vida, é claramente uma obra de referência na obra dos OMD.

Sim estão “em forma” como se dizia no fim entre quem saía da sala. Sim ainda fazem discos interessantes (e tocaram três temas dos álbuns mais recentes), ao contrário da maioria das reuniões de bandas da sua geração. Mas ficou claro que a plateia dos OMD vive apenas do mercado da memória. Ao contrário de uns contemporâneos Depeche Mode, aqui não se cruzam gerações.

A primeira parte foi um aborrecimento. Era bom ver os três Cavaliers of Fun na mesma banda e não cada um “na sua”. Temas com “intros” longas demais. E uma tremenda falta de “sumo” nas melodias (ao contrário do que havia nos Loto)… Arranjos (ou tentativas de os criar) não chegam para fazer canções.

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão /  Alterar )

Google photo

Está a comentar usando a sua conta Google Terminar Sessão /  Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão /  Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão /  Alterar )

Connecting to %s

This site uses Akismet to reduce spam. Learn how your comment data is processed.