O álbum que sublinha a maioridade dos Metronomy

As contas dizem-nos que passaram 20 anos desde que a história dos Metronomy começou a ganhar forma… E de facto os primeiros gestos, demandas e até mesmo a procura de um nome contam uma história com passos iniciais dados em 1999 mas que correram muito caminho até que, apenas alguns anos depois, começaram a chegar os discos… O primeiro álbum dos Metronomy que me lembro de ter foi Nights Out, o seu segundo disco de originais, editado em 2008… E logo aí um encontro com ideias de exploração da canção pop usando um conceito “clássico” de banda embora valorizando desde logo o papel das eletrónicas. The English Riviera, em 2011 (o disco que nos deu o belo The Look) acrescentava bons momentos a uma narrativa que, mesmo não tendo nunca gerado motivos de revolução ou encantamento maior, foi construindo, disco após disco, um percurso nunca desapontante, juntando ainda ao seu corpo de trabalho, uma progressivamente mais suculenta multidão de colaborações no plano das remisturas. Gorillaz, Sebastien Tellier, Franz Ferdinand, Lady Gaga, Likke Li ou Goldfrapp são alguns dos nomes desta galeria.

E eis que, após um silêncio de três anos (nada invulgar no ritmo atual da criação de álbuns), os Metronomy regressam com um disco que, mais do que nunca, arruma bem todo um quadro de ideias que antes tinham já explorado mas aqui mais bem moldado. É certo que o passado recente de Joseph Mount (o timoneiro dos Metronomy) ganhou valor acrescentado no trabalho de escrita e produção para Honey, o mais recente álbum de Robyn. Mas esses são mais créditos mediáticos do que valores estéticos em jogo quando ele mesmo equacionou a criação de um disco novo que não desvia os olhares da pop mas procura ir mais longe, sugerindo percursos e cenografias como que a pensar que as canções podem habitar um espaço maior que as envolva.

Temas como Whitstand Bay ou Insecurity confirmam as heranças naturais do percurso dos Metronomy, ao mesmo tempo que Salted Caramel Ice Cream sugere um espaço de mais evidente ligação com o universo da música de dança e Sex Emoji sublinha contemporaneidade não apenas nas linhas do som mas no próprio retratar de comportamentos do nosso tempo. A arma secreta de Metronomy Forever está contudo nos elementos de ligação, seja em breves instrumentais ou canções que não parecem querer piscar o olho aos espaços mais habituais nas programações de rádio. O alinhamento acaba por definir um percurso que se sente como uma viagem por um território. Que tem personalidade evidente (e que não volta costas ao passado da banda) e que aqui parece mais bem moldado do que qualquer dos discos anteriores. Metronomy Forever não será candidato a discursos de encantamento hispster nem a elogios desmedidos na crítica. Mas é um belo disco de canções pop. E dá razão a quem sempre acreditou nos Metronomy como uma das bandas mais interessantes neste terreno dentro da sua geração.

“Metronomy Forever”, dos Metronomy, está disponível em 2LP, CD e nas plataformas digitais numa edição da Because Music.

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