Philip Glass, “Einstein on The Beach” (1978)

Depois de talhar as bases e fundamentos da sua linguagem musical, contribuindo então para a definição do minimalismo, Philip Glass procurou a exploração de novos horizontes e novos desafios. Num deles deu por si a trabalhar, pela primeira vez, para um palco, juntando à sua música o trabalho de escrita de palavras, as vozes de cantores e um trabalho de encenação de grande protagonismo na concepção da ideia. Com Bob Wilson concordou em trabalhar uma obra centrada numa figura histórica. E Albert Einstein é o nome que gera o consenso. Com os músicos (e os recursos instrumentais – ou seja, teclados e sopros) do Philip Glass Ensemble como ponto de partida, Glass concebe uma partitura que expressa ainda as premissas fundamentais (da sua visão) do minimalismo.

Juntos, Wilson e Glass decidiram adotar uma estrutura não linear e não narrativa. As cenas procuravam, antes, refletir sobre a personagem e as suas ideias. A obra (que acabaria designada como sendo uma ópera) apresentava a figura do grande físico do século XX em cinco atos, algumas cenas sendo separadas por interlúdios a que chamam Knee Plays (o nome resultava da noção de ligação que os joelhos representam numa perna). Os textos cantados eram essencialmente números, notas musicais e letras, as palavras (provenientes de textos de Lucinda Childs, Christopher Knowles e Samuel L Johnson) surgiam antes num registo spoken word. Aos músicos do ensemble e vozes juntava-se ainda um violino.

Einstein On The Beach teve estreia no Festival de Avignon em 1976, revelando desde logo uma visão nova de teatro musical. O seu impacte foi profundo na subsequente produção operática de Philip Glass e desempenhou um papel igualmente fulcral no reencontrar da ópera como um espaço de grande vitalidade no panorama da música no final do século XX. Com cinco horas de duração (sem intervalos), a obra permitia ao espectador entrar e sair da sala quando entendesse.

A primeira das diversas versões de Einstein on The Beach hoje disponíveis no mercado foi aquela originalmente lançada pela Tomato Records numa caixa com quatro álbuns em vinil que chegou às lojas em 1979 e que juntava gravações, com algumas das cenas em versões encurtadas, da música (interpretada pelo Philip Glass Ensemble) que fora apresentada entre palcos norte-americanos e europeus na sua digressão de 1976. Reeditada pouco depois pela CBS, essa primeira gravação surgiu pouco depois no formato de um CD quádruplo e originou tarde mais uma versão low price que ainda hoje está disponível nas lojas.

Há contudo uma rara edição promocional que junta, em apenas um LP, um conjunto de fragmentos da ópera. O disco, lançado pela Tomato Records para anunciar a edição da sua caixa original de 1979, apresenta como capa uma fotografia de um dos momentos da ópera e que surge precisamente como imagem de “capa” do booklet que surgiria depois na caixa. Na contracapa este LP promocional reproduz a crítica de Andrew Porter publicada em 1976 no New York Times por alturas da estreia em palco da ópera.

O alinhamento deste LP promocional inclui:

Lado A: Knee 5 / Building / Spaceship / Knee 3 / Night Train

Lado B: Dance 2 / Trial/Prison / Knee 4 / Train 1

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