Cláudia Duarte

A Cláudia Duarte tem 40 anos. É “partner” da This is Ground Control, um estúdio especialista em comunicação e marketing cultural. A rádio e o DJing também passam pela sua vida… E hoje fala-nos dos seus discos.

Qual foi o primeiro disco que compraste?

Desde muito novinha, tinha na minha mãe a mais dedicada dealer para o meu vício dos discos e das revistas de música. Mas com o dinheiro da semanada, terá sido o Angel Dust dos Faith No More.

E o mais recente?

Sou dos 90’s, adoro vinil, mas não resisto a CDs. Logo ando a aproveitar o facto de a maioria das pessoas se estar a desfazer dos seus e ando a comprá-lo em bundle.Tenho comprado muita coisa boa, MUITO barata. A última compra online incluia La Luz “Weirdo Shine”, Camera Obscura “Let’s Get Out of This World”, The Hidden Cameras “Smell of Our Own”, John Barry OST Beatgirl, Moldy Peaches. A última compra física foi o último álbum ao vivo, em Paris, das Sleater Kinney.

O que procuras juntar mais na tua coleção?

Há coisa de três anos tive um golpe fortíssimo na minha coleção, diria mesmo uma tragédia à escala pessoal que me destroçou: roubaram-me quase 600 CDs. Depois da tremenda generosidade de amigos, conhecidos, editoras, desconhecidos que gostavam dos meus programas na Radar ou dos meus DJ sets, e, claro, do investimento pessoal que fui fazendo desde então, ainda não consegui repor tudo. Vou mais ou menos a metade, pelo repor essa colecção continua a ser a grande prioridade.

Um disco pelo qual estejas à procura há já algum tempo.

Queria muito ter o EP Dirty Washing da Vivien Goldman, a 1ª K7 demo das Heavens to Betsy ou o primeiro do Quarteto 1111 que emolduraria logo, e com folha de ouro.

Um disco pelo qual esperaste anos até que finalmente o encontraste.

Mais que encontrar, estou feliz de finalmente ter o vinil do Woods das Sleater Kinney.

Limite de preço para comprares um disco… Existe? E é quanto?

Ia avançar com um valor mas ando tão doida para conseguir recuperar a colecção da Irma La Douce que perdi (sim, tinha tudo) que acho que só posso mesmo dizer que o limite será sempre o das minhas possibilidades. Mas não sou de dar muito dinheiro por discos. Mais que forreta, adoro pechinchas, admito. Faz parte do encanto. Até hoje, o disco mais caro que comprei custou 45€ e foi para oferecer.

Lojas de eleição em Portugal…

A Louie Louie é a de verdadeira eleição porque é um local que humanamente me é muito especial: é onde descubro discos, meto a conversa em dia, muitas vezes afogo mágoas pessoais e profissionais, encontro outros melómanos, onde discorro livremente sobre amores e ódios musicais e onde troco algumas das piadas mais idiotas de que há memória na história. A verdade é que tenho uma enorme crush fraternal pelo pessoal que lhe dá vida: o Hugo aka Mr Mitsuhirato, DJ e amigo extraordinaire, com quem costumo passar discos e que acerta sempre no que vou gostar, e pelo André, talentosíssimo artista de traço leve e colorido como podem comprovar em Instagram.com/cvspe. Tem também o melhor corte de cabelo dos últimos tempos. Isso parece-me importante. Depois, também vou à Flur e à Glam-O-Rama. E não faço menor ideia porque não vou mais à Groovie Records que é uma perdição! Em Coimbra, a paragem é na Lucky Lux.

Feiras de discos. Frequentas? Quais?

Não frequento.

Fazes compras ‘online’?

Faço maioritariamente compras online e aí sou de perder (muito) tempo.

Que formatos tens representados na coleção?

CD, Vinil de quase todos os tamanhos, algumas K7s e ainda VHS de concertos.

Os artistas de quem mais discos tens?

De Suede, David Bowie e Depeche Mode.

Editoras cujos discos tenhas comprado mesmo sem conhecer os artistas…

As de eleição: Rough Trade e Domino. Tendo em conta quem está por trás da nova Table Sports (Hugo Moutinho, Mário Valente, Pascal Vermeulen), parece-me que essa será outra editora que vai ditar o nem ter de ouvir para saber que é bom.

Uma capa preferida

Adoro artwork de discos, tenho tantas preferidas que me vou ficar por aquela que visualizei imediatamente a ler a pergunta: a do Actually dos Pet Shop Boys, que amo!

Um disco do qual normalmente ninguém gosta e tens como tesouro.

O melhor disco de hard rock dos anos 80: o Appetite for Destruction dos Guns n’ Roses. Também adoro o Pensando em Ti dos Gemini e achava que ninguém gostava! Mas tendo em conta o último disco dos Capitão Fausto, e o seu sucesso, afinal estava errada. E ainda bem!

Como tens arrumados os discos? E como é que se lida com o espaço da casa invadido por discos?

Em prateleiras, empilhados em armários, em casa, no escritório, no carro, em bolsas, sem qualquer ordem. A verdade é que tenho os meus discos tão misturados como os diversos estilos musicais de que gosto. Tenho Brian Jonestown Massacre a seguir a Maria Guinot, logo depois os Einstürzende Neubauten, o Moreira da Silva ou os Combustible Edison. Já tentei arrumar por ordem alfabética mas passado um tempo está tudo misturado outra vez. Adoro os meus discos, e por gostar tanto deles, gosto que tenham o meu ritmo, me acompanhem, tenham vida. Então tenho uma relação orgânica com eles. Quanto ao espaço, arranja-se sempre até porque a nossa casa serve para quê senão para abrigar o que nos dá conforto?

Um artista que ainda tenhas por explorar…

Às vezes acho que todos e todas! Mas neste momento, com a sua morte prematura, apercebi-me que não conheço a fundo a obra do David Berman, pelo que ando a ouvir os discos de Silver Jews que nunca tinha ouvido e os novos Purple Mountains. Passivamente, lá vou explorando os artistas de jazz que o meu namorado vai colocando no gira discos, como o Coltrane. Continua a ser terreno quase virgem para mim.

Um disco de que antes não gostasses e agora tens entre os preferidos.

Não vou dizer um disco mas os primeiros três dos Bauhaus. Estava mesmo convencida de que não gostava nada deles e tenho descoberto das músicas mais bonitas que alguma vez me passaram pelos ouvidos. Acho maravilhoso ter estas descobertas pelo que nunca estou fechada a tentar ouvir discos, bandas/artistas que neguei anteriormente. À excepção dos Radiohead 😉

Já compraste discos que, afinal, já tinhas? Caso sim, quais.

Claro. Acho-me uma amadora de discos muito peculiar porque admito que não consigo ter uma sentimento de objecto sagrado em relação a eles. Aliás, não o consigo ter em relação a qualquer objecto. Falo, claro, daqueles que não encaro como mais valiosos/raros, ou seja, os que não estão reservados à contemplação (e esses são muito poucos). Tal como os livros que gosto de riscar, dobrar, anotar, também os meus discos são muitas das vezes vítimas da vida e da forma como gosto de os viver. Pelo que já comprei várias vezes o mesmo disco, seja porque simplesmente não me lembro se o tenho ou não, ou não sei se está audível. Acho que já perdi a conta de quantos Ziggy Stardust ou Violator comprei, por exemplo.

O que fazes com os discos repetidos?

Normalmente, o que está em pior estado vai para o lixo.

Um disco menos conhecido que recomendes…

Todos os que têm a mão do Jonathan Richman, Modern Lovers incluídos claro! E não posso deixar passar a oportunidade de falar também de um dos melhores discos nacionais das últimas décadas: o Slow de Minta & The Brook Trout. Anseio pelo dia em que Portugal, a Europa, o mundo se vai render aos verdadeiros tesouros que são as músicas e a voz da Francisca Cortesão.

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