Mário Valente

Mário Valente tem 46 anos. É DJ desde 1994, programador do bar Lounge, autor do programa semanal “Salón Fuzz” na rádio Vodafone FM e cofundador da editora de discos Table Sports.

Qual foi o primeiro disco que compraste.
Certamente foi algum 7” aí por volta dos oito ou nove anos, lembro-me de comprar vários mas não sei precisar qual foi mesmo o primeiro. Sei qual foi o primeiro LP: o Thriller do Michael Jackson, comprado com o dinheiro da mesada na Compasso em Campo de Ourique, tinha uns dez anos.

E o mais recente…

Foi há poucos dias: Dance of the Cowards dos Greater Than One, na Flashback em Londres. Não é particularmente raro e encontra-se bem para compra online, mas nunca tinha calhado encontrado em loja, por isso aproveitei.

O que procuras juntar mais na tua coleção?
Por vício profissional, compro imensos máxis de disco / italo / boogie por causa das versões extended. De resto, para ouvir em casa, junto um pouco de todos os géneros e épocas, uns mais raros, outros muito fáceis de deitar a mão, o que é um problema não só para a carteira como para manter a coleção arrumada.

Um disco pelo qual estejas à procura há já algum tempo.
Não me lembro de nenhum disco que queira mesmo muito, muito, muito e ainda não tenha comprado. Talvez completar a discografia dos Coil, do Pharoah Sanders e dos Cathedral. Não são impossíveis de encontrar, simplesmente ainda não calhou decidir empatar o dinheiro aí.

Um disco pelo qual esperaste anos até que finalmente o encontraste.
Já o tinha em versão um bocado escavacada, mas foi preciso esperar vários anos até encontrar o Sea Shells da Peggy Lee em estado mint numa loja. Esse não aparece mesmo muitas vezes…

Limite de preço para comprares um disco… Existe? E é quanto?
Depende. Já paguei 80 ou mais euros por uma box set. Mas acho que nunca paguei mais do que 30 a 40 euros por um disco em segunda mão. Recuso-me a alimentar esse mercado da especulação. Se um disco chega a valores pornográficos nas lojas e mercados online, então só há que esperar que alguém o reedite. As reedições são essenciais para nivelar os preços e favorecem a saúde das editoras e artistas mais pequenos porque fazem com que os discos cheguem aos consumidores em vez de ficarem retidos em montras e listagens de vendas a preços proibitivos. À malta que compra logo dois ou três exemplares de uma edição limitada para depois fazer negócio eu digo sempre, “ó amigo, isso é muito feio…”.

Lojas de eleição em Portugal…
Flur, Peekaboo, Groovie Records e Louie Louie são as que acompanho mais em Lisboa. Infelizmente não tenho o tempo que desejaria para as visitar com regularidade, mas costumo encomendar através dos sites.

Feiras de discos. Frequentas?
Em Portugal? Já frequentei mais. A gentrificação também chegou às feiras e está tudo muito caro e mais do que escolhido. Mas sempre que vou lá fora, passo a vida enfiado em caves de lojas de discos a limpar caixotes “bargain bin”.

Fazes compras ‘online’?
Sim, para novidades, quase sempre nas lojas de Lisboa que citei em cima. Para segunda mão (discogs, etc), pouco.

Que formatos tens representados na coleção?
Acho que só não tenho bobines. 

Os artistas de quem mais discos tens?
Talvez Prince, Butthole Surfers, Foetus, Kylie Minogue e Pet Shop Boys.

Editoras cujos discos tenhas comprado mesmo sem conhecer os artistas…
Várias: comprei sempre tudo o que apanhei da Finger Lickin’ e Sofrito, mais recentemente Time Capsule, Mukatsuku e Bahnsteig 23 são editoras que também compro à confiança.

Uma capa preferida…
Esta é das perguntas mais difíceis. Vou dizer três: For Your Pleasure (Roxy Music), Locust Abortion Technician (Butthole Surfers)  e o I Need a Man dos Man To Man. Quando publicares este artigo já sei que me vou arrepender de não ter escolhido outros.

Um disco do qual normalmente ninguém gosta e tens como tesouro.
Não sei, porque faço questão de passar todos os meus tesouros nos DJ sets e há sempre alguém que dança.

Como tens arrumados os discos?
Tenho uma divisão principal onde guardo o “arquivo”. Estão organizados por géneros maiores e dentro de cada género estão por ordem alfabética (e por ordem cronológica no caso dos artistas mais representados). Ao lado está um armário só para 7” (esses só por ordem alfabética, porque não uso tanto), e noutra divisão, os CDs (também só por ordem alfabética, pelo mesmo motivo). Finalmente, na sala tenho os discos que ando a ouvir/passar no momento, e esses estão arrumados por tipos de DJ set. Assim, se precisar de um set de italo disco, já tenho ali um molhinho pronto, o mesmo para sets mais ambientais, mais “pista”, mais rock, etc. Depois há os que não estão arrumados, que são aqueles que ainda não tive tempo para ouvir e infelizmente vão-se amontoando…

Um artista que ainda tenhas por explorar…
Imensos, não dá para ouvir tudo, especialmente quando não se recusa nenhum género à partida.

Um disco de que antes não gostasses e agora tens entre os preferidos.
Isso acontece-me tantas vezes que nem consigo nomear um caso. Uma das coisas fixes de ouvir música ao longo de várias décadas é perceber que não há certezas absolutas e admitir que o gosto vai mudando, bem como o interesse por outros géneros. Tal como o inverso, deixar de ter paciência para coisas que se adorava antigamente.

Já compraste discos que, afinal, já tinhas? Caso sim, quais. E o que fazes com os discos repetidos?
Claro. Aconteceu-me ainda na semana passada. Comprei o 12” inglês do When Doves Cry do Prince porque não me lembrava de ter aquela capa cá em casa. Mas afinal já tinha o disco, só que era a edição americana, que tem uma capa completamente diferente. Acontece. O que faço? Depende. Neste caso nem sei, como sou completista do Prince, na volta ainda fico com os dois…

Há discos que fixam histórias pessoais de quem os compra. Queres partilhar um desses discos e a respetiva história?
Eu associo muito os discos às viagens, porque é quando tenho mais tempo livre para explorar as lojas. Nesses casos, lembro-me perfeitamente em que loja comprei determinado disco, tenha sido na semana passada ou há trinta e tal anos. É uma das coisas que o online não tem, aí não se associa a um espaço ou a uma cara, não fica uma memória. Mas as maiores memórias vêm sempre dos discos oferecidos, pela família, pelos amigos, pelos próprios artistas, esses são obviamente muito especiais.

Um disco menos conhecido que recomendes…
Tenho sempre tantos que apetece responder: venham sair à noite para dançar e quando ouvirem qualquer coisa nova que gostem não hesitem em perguntar o que é. Não usem o Shazam, por favor!

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