Pedro Costa

Pedro Diogo Costa tem 51 anos e é locutor e realizador de rádio desde 1986. Começou no Rádio Clube da Parede. Entre 1987 e 1993 esteve na Rádio Comercial onde, entre muitas outras coisas, apresentou os programas “O Cantante”, “Manhãs Da Comercial” e “4º Bairro”. Está desde a fundação (em 1994) na Antena 3, primeiro com o programa “Planeta E” e “Costa a Costa”. Tem ali actualmente tem um painel diário para além de continuar a ser responsável por dois espaços de autor: “Coyote” (Antena 3) e “Costa a Costa” (agora na Antena 1). Consumidor e ouvinte de música (e de rádio) desde sempre comprou os seus primeiros discos tinha uns dez ou onze anos. E o hábito ganhou forma “conforme a semanada o permitia.

Qual foi o teu primeiro disco?

Como prenda as colectâneas de versões “Super Budget” da Orfeu dos The Giants: ”Rock N´Rool” (capa preta) “Rock On” (capa vermelha) e “Rock All Over” (capa cinzenta).Também me lembro perfeitamente de ter recebido num Natal a banda sonora do filme “Skateboard”, por causa do “Sweet Rider” do Dr.John e do “Skate Out” do Mickey Thomas. Com o meu próprio dinheiro lembro-me dos singles do “Can´t Stand Losing You” dos Police e o “Cavalos de Corrida” dos UHF. O primeiro á álbum foi o “Rocket to Russia” dos Ramones. Os Ramones são certamente os “meus Beatles”. Foram também o meu primeiro concerto em Cascais… Nessa primeira fase fui muito influenciado pelos meus “heróis radiofónicos”, com os quais viria a trabalhar anos mais tarde: Luis Filipe Barros, António Sérgio, Adelino Gonçalves e, nas cenas mais exóticas e de uma certa “margem” e nicho de World Music (não tinha este nome na altura) e country, pelo Humberto Boto e pelo Jaime Fernandes. No meu grupo de amigos de infância tínhamos também os irmãos mais velhos com gostos mais “destilados” e que, com outra capacidade económica, tinham acesso a quase tudo o que podia ser importado.

E o mais recente?

O(s) mais recente(s) já estão encomendados… Mike Selesia “Flavor” e Orquestra St. Moritz (Dir.Erlon Chaves) “Procura-se uma Virgem”. Reedições fantásticas da Mad About Records.

O que procuras juntar na tua coleção?

Simplesmente procuro juntar o que me dá prazer ouvir. Desde sempre… E por isso não sou um colecionador, mas simplesmente um “acumulador” musical. Tive também a sorte de ainda ter apanhado uma fase da Indústria em que a promoção se fazia igualmente com a oferta de discos em vinil e CDs e por isso aos discos comprados juntaram-se uma série de muitos outros. Tive também o privilégio de ter recebido partes da coleção de amigos que me confiaram os seus discos em vinil, sabendo do meu gosto e respeito pelos mesmos.

Um disco pelo qual estejas à procura há muito tempo…

A resposta aqui vem em um pouco no seguimento do que disse anteriormente… Vou quase sempre ao “sabor do vento”… ou dos dedos. Do que quero naquele dia. Porque senão estava tramado… Há muita coisa para nos entreter, e para nos levar o dinheiro. Principalmente “Discografias Completas”… Lembro-me assim de repente de duas ou três coisas simples, banais e até não muito caras. Mas que têm de chegar até mim naturalmente… Uma já consegui: “As vozes do 25 de Abril”, um documento sonoro fantástico narrado pelo Luís Filipe Costa que me lembro em miúdo ouvir em casa de amigos dos meus pais e depois. Depois talvez as cópias americanas (em bom estado) do “Damn The Torpedos” do Tom Petty e do “Aloha From Hawai Via Satellite” do Elvis Presley”. Lá está… Estive com este último na mão há uns anos atrás em Nashville, mas havia outras “prioridades” naquele dia. Se me “arranjarem” a edição brasileira de 1973 de  “O Fabuloso Fittipaldi” dos irmãos Valle com os Azymuth… aceito.

Qual é o teu limite de preço para um disco?

O limite tem de ser obrigatoriamente o bom senso. Mas depende do que tens disponível para gastar a determinada altura. Prefiro sempre levar várias escolhas do que gastar todo o “orçamento” numa só.

Quais são as tuas lojas de referência?

Sound Club, Louie Louie, Flur, Groovie… Discolecção e Carbono onde já não vou há algum tempo. Também já comprei muitas coisas na Fnac, claro.

Frequentas feiras de discos?

Só a de Lisboa onde estive duas vezes… Não fui no ano passado… Mas lá está… Prefiro lojas.

Fazes compras online?

Só de música digital e CDs via Amazon. Vinil? Não, não faço…Tenho família (risos)…

Que formatos tens representados na tua coleção?

Vinil: Maioritariamente 12 polegadas (álbuns e máxi singles) e alguns singles 7 polegadas… 10”  muito poucos, mas lembro-me de um do qual gosto particularmente da capa, que é o “Girl At Her Volcano” da Rickie Lee Jones, uma artista que adoro. Depois CDs…Também milhares de álbuns e singles, claro. Cassettes: muitas menos do que devia… Se soubesse o que sei hoje… (risos)

Os artistas de quem mais discos tens…

Dylan, Neil Young, Grateful Dead, Emmylou Harris, Beatles, Stones, Prince, Joan Baez, Joni Mitchell, Cash, Van Morrison, Pink Floyd, Genesis, Echo And The Bunnymen, R.E.M.,Peter Gabriel, Springsteen, Roxy Music, Cocteau Twins, Talking Heads, Ramones, Clash…Herb Alpert, Michelle Shocked, Doors… Elvis… Brel, Miles Davis… Coltrane; enfim destes “essenciais”  sou eclético , e  são dos que mais cópias tenho… No que diz respeito aos “géneros” sou igualmente eclético. Maioritariamente pop/rock, mas tenho muitas coisas de eletrónica/dance, hip hop, reggae, coleções e alguma coisa de world music. E fui sempre comprando ao longo da minha existência álbuns de jazz e de musica clássica… Agora muito mais em formato vinil.

Editoras das quais compraste discos mesmo sem ainda conheceres os artistas…

A minha geração teve uma “panca” com a 4AD… Factory, Rough Trade … Depois, mais tarde a Deutsche Grammophon e a ECM nunca me deixaram “ficar mal”. Sim, claro que já comprei coisas “às cegas” destas editoras.

Uma capa preferida.

Tenho várias. E então no Jazz é um “mundo”… As capas clássicas da Verve… Mas os Grateful Dead são possivelmente a minha banda favorita e a “cover art” de alguns dos álbuns é fantástica. Se tiver que escolher uma será a do “Wake Of The Flood”, desenhada pelo eterno Rick Griffin, um dos grandes nomes da cultura visual psicadélica de São Francisco na passagem dos anos sessenta para os setenta. É um desenho muito poético, inspirado nos ciclos da vida e que, pessoalmente, representa igualmente toda a nostalgia das melodias do Jerry Garcia e da suas dinâmicas em conjunto com a poesia do Robert Hunter.

Um disco do qual habitualmente ninguém gosta e que tens como tesouro.

Serão sempre alguns, não é? “Fresh Fruit In Foreign Places” do Kid Creole ? Noutro estilo o “Guitar Town” do Steve Earle, o “Boomtown” dos David + David e o “If I Could Only Remember My Name” do David Crosby. Este último é para mim um dos mais belos discos de sempre… Vale o que vale… (risos) Mas se tiver que escolher só um, e vamos para algo completamente diferente; o “L’Apocalypse Des Animaux”… sim o Vangelis. Na altura Vangelis Papathanassiou. É para mim uma pérola “ambient”, principalmente o lado B. O Vangelis é assumidamente um dos meus “guilty pleasures”… sem culpa.(risos)

Como tens arrumados os discos?

Como tenho dois “postos de escuta” em casa (sala e sótão) os discos estão espalhados por vários móveis. É portanto um “caos” muito organizado na minha cabeça onde sei (quase…) exactamente onde está o que quero ouvir a determinada altura. O curioso é que muitos deles estão também dispostos nos ditos móveis por ordem cronológica de entrada na minha vida… E por estilos musicais e discografias de artista… Pessoalmente é uma maneira mais fácil de saber onde estão.

Um artista que ainda tenhas por explorar.

A resposta clássica (e verdadeira) é o Zappa (risos), mas há alguns, claro. O “explorar” para mim não passa necessariamente por ter a discografia completa mas sim os mais relevantes. Da Elis gostava de ter todos os álbuns de estúdio dos setenta, no mínimo. Mas podíamos começar em 1966. Só tenho três ou quatro fora as coletâneas. Do Sinatra também gostava de ter mais coisas em vinil, porque em CD já não está nada mal.

Um disco de que antes não gostasses e agora tens entre os preferidos…

O “The Lamb Lies Down On Broadway” dos Genesis. Quando o ouvi pela primeira vez (1976 ou 1977 talvez… com a cópia de um irmão mais velho de um grande amigo meu) era muito novo para compreender todo aquele universo sonoro. E mesmo uns anos mais tarde no inicio dos oitenta continuava a ser um disco que considerava “chato”. Depois … bem… Agora tenho-o como um dos favoritos. Existem discos que fazem sentido na nossa vida, e que só são “assimilados” muitos anos após a sua edição . Há outros que não… Só “valem” naquele momento. Aconteceu-me quase a mesma coisa com algumas coisas do Tom Waits… A determinada altura só gostava do “Rain Dogs” e do “Swordfishtrombones” (risos)

Já compraste discos repetidos? E o que fazes depois com eles?

Claro que já. Mas sempre assumidamente – acho que tenho uma bela ideia do que tenho ou não tenho (risos) – ou para ter uma melhor cópia em vinil, ou para ter uma versão em CD, ou vice versa. Os exemplos são muitos. Mas, por exemplo, do Springsteen, dos Grateful Dead e de outros, tenho a discografia (oficial) toda em vinil e CD… O que às vezes é estúpido, mas que dá muito jeito no meu trabalho. Já me aconteceu também dar muitos dos meus repetidos a amigos, claro.

Há discos que associamos a histórias pessoais. Queres partilhar uma?

Tenho muitos discos que estão ligados aos locais físicos onde foram adquiridos e que são especiais para mim. Londres, Amesterdão (há uns anos era um paraíso para o vinil)… Houve uma altura da minha vida em que ia muitas vezes aos Estados Unidos e essa noção da viagem e das memórias musicais trazidas ficaram. Lojas fantásticas também como a “Newbury Comics” em Boston, a “Waterloo” em Austin ainda antes da moda de visitar a cidade pelo “South By Southwest”… A lendária “Tower” de Los Angeles que visitei nos anos 90. A famosa “Ernest Tubb” em Nashville… Sítos fabulosos em Nova Iorque ou em Telluride (a “Telluride Music Company”) numa terra linda nas montanhas do Colorado. Mas o meu momento momento “High Fidelity” preferido – e todos nós temos um (ou vários) a dado momento da vida – aconteceu mais perto daqui. Há coisa de dez anos em Madrid (na “Discos Babel”) em que a dada altura num “digging” que já durava há mais de uma hora começou a tocar no PA da loja uma coisa que me parecia um clássico perdido, e para mim desconhecido, da era rockabilly… Um “country & western” cheio de vida que me cativou logo aos primeiros acordes. O disco tocou todo enquanto eu continuava na minha busca de outras coisas… A cada faixa que tocava, eu só pensava que tinha que ter “aquilo”. E só muito depois disso e já quando me preparava para pagar umas outras compras, e de outras coisas terem tocado no PA, é que tive “coragem” de perguntar ao balconista o que tinha tocado antes. Obviamente que ele tinha “topado” o que eu estava a escolher e “disparou” aquilo a ver se pegava… E pegou…Saí de lá com as cópias em vinil e CD do primeiro “Kitty, Daisy & Lewis” que ainda hoje é uma pérola, e que sempre que o oiço me transporta imediatamente para aquele fim de tarde/principio de noite em Madrid.

Um disco menos conhecido que recomendes…

Lembro-me assim de repente do “Tales of Mozambique” do Count Ossie, lendário percussionista jamaicano em namoro com as sonoridades africanas. E já sei que depois disto publicado me vou lembrar-me de mais seis ou sete… ou dez… (risos).

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