The Legendary Pink Dots, “The Maria Dimension” (1991)

Pode uma banda ter mais de 40 álbuns editados e morar longe das atenções de muitos, até mesmo os que acompanham de perto os caminhos da música dita alternativa (ou indie ou como lhe quiserem chamar)? Claro que sim… E um exemplo dessa existência hoje afastada do gume dos entusiasmos dos festivais, dos sites hipster e das redes sociais (dos jornais e revistas da especialidade idem idem, aspas aspas) mora nos Legendary Pink Dots. Haverá razões para esta quase invisibilidade, certamente. Mas nada disso impede a banda (ainda ativa) de manter uma fiel legião de admiradores por várias latitudes e manter um bom ritmo de edições e atuações ao vivo.

Mas houve tempos em que não foi assim. E entre a segunda metade dos oitentas e inícios dos noventas, os Legendary Pink Dots eram referência seguida e nome de peso no panorama da música que, afastada das correntes mainstream, definia o seu rumo evocando formas de outros tempos, recontextualizando-as numa linguagem atual e, podemos dizer mesmo, visionária e entusiasmante.

A expressão “progressivo” é muitas vezes aplicada à sua música, talvez pelo carácter algo livre com o qual algumas das canções evoluem, revelando-se um universo instrumental que vai para lá dos ingredientes mais habituais e convencionais. Mais talvez seja mais afinado apontar aqui presença de heranças do psicadelismo (tanto que o nome de Syd Barrett sempre foi dos que mais vezes surgiu entre listagens de eventuais fontes de inspiração). E o álbum The Maria Dimension, de 1991, revela-se mesmo o exemplo maior de uma forma de olhar (e filtrar) os ecos caleidoscópicos do psicadelismo sob leituras que traduzem não apenas os efeitos do tempo vivido pela música desde finais dos anos 60 e a presença de novas ferramentas em cena, nomeadamente as electrónicas.

Com discografia desde 1981, os Legendary Pink Dots atingem em The Maria Dimension o seu momento maior. A voz de Edward Ka-Spel é presença dramaticamente frágil mas fulcral no jogo de tonalidades que a complexa rede de sons cria em torno das canções. Electrónicas, guitarras, clarinetes, saxofones, uma lira, glockenspiel e outros elementos juntam-se num cenário onde dominam cores vibrantes e texturas que sugerem formas vivas em movimento. Como a restante obra em disco dos Legendary Pink Dots, The Maria Dimension é um tesouro escondido na memória dos noventas… A sua (re)descoberta vale a pena.

“The Maria Dinension”, Legendary Pink Dots (Play It Again Sam, 1991)

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