13. Chavela Vargas "“Con el Cuarteto Laura Foster" (1961)

Este é o número 13 da lista “100 Discos Daqueles que Raramente Aparecem nas Listas…”

Apesar das origens rurais mexicanas entre as décadas de 20 e 30 do século XX, cativando originalmente um público socioculturalmente mais desfavorecido, foi em ambiente urbano que, mais adiante a canção ‘ranchera’ ganhou outras plateias e, consequentemente, uma expressão discográfica numa geografia bem para além daquela que antes conhecera. A canção, tradicionalmente cantada por homens, veiculando as palavras um ponto de vista masculino, teve contudo em Chavela Vargas (1919-2012) uma das suas mais notáveis vozes. Os jogos de ambiguidade que vincaram a diferença, sublinharam traços de identidade que moldaram tanto a figura como a carreira, e que, juntamente com as capacidades interpretativas, um importante corpo de canções e uma vida atravessada por episódios difíceis (dos quais deu conta em Y si quieres saber de mi pasado, autobiografia publicada em 2002), fizeram da cantora um ícone que se fez referência.

De seu nome Isabel Vargas Lizano (Chavela é como um diminutivo de Isabel), nasceu em San Joaquín de Flores, na Costa Rica, em abril de 1919. Aos 17 anos, e sem oportunidades de trabalho por perto, migrou para o México onde acabaria por se estabelecer definitivamente e, mais tarde, obter mesmo a nacionalidade. Começou contudo por cantar na rua antes de encetar uma atividade como profissional do meio. Os seus modos e imagem, que desafiavam códigos normativos de identidade, começaram a ter expressão igualmente no seu jeito de abordar e a si moldar a canção ‘ranchera’, lançando bases de uma carreira que a fez andar pelos palcos e pelos discos até depois dos noventa anos e que inclusivamente a levou ao cinema através de realizadores como Pedro Almodóvar ou Alejandro Gonzalez Iñarritu.

No final dos anos 50 a voz de Chavela Vargas começou a cativar atenções numa altura em que cantava habitualmente em salas de Acapulco, que se tornara um destino turístico com dimensão internacional. E na alvorada dos anos 60 chega finalmente aos discos, estreando-se com um par de álbuns em 1961, ambos registados sob a chancela de recomendação de José Alfredo Jiménez, uma figura de referência neste universo da canção mexicana. Além de Noche de Boemia, o seu primeiro ano de vida discográfica integra o álbum simplesmente chamado Chavela Vargas, muitas vezes referido como Con el Cuarteto Laura Foster (no qual surge uma primeira gravação sua para o clássico La Llorona), disco que lançou as bases de uma visibilidade internacional da canção ‘ranchera’. – N.G.

“Con el Cuarteto Laura Foster” teve primeira edição em LP no México em 1961. Uma primeira edição europeia ganhou forma em Espanha em 1967, embora com uma capa diferente. A capa original seria retomada por várias edições locais mais tarde, com a chegada do disco ao suporte de CD em 2007.

Da discografia de Chavela Vargas vale a pena descobrir álbuns como:
“Noche Boemia” (1961)
“La Llorona” (1993)
“En Carnegie Hall” (2004)

Se gostou, experimente ouvir:
José Alfredo Jiménez
Lola Beltrán
Lila Downs

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