Miguel Ângelo

Miguel Angelo é um músico com uma história que passa por vários grupos e projetos. “Delfins, Resistência, Movimento, a Solo e bem acompanhado” como ele mesmo diz. E acrescenta: “na Arquitectura só a moralidade, Teatro e TV como side-projects“. Tem cinco romances editados mais uma autobiografia de carreira (1 Lugar ao Sol, Arcádia, 2010). Os discos dos outros são, desde sempre, a sua companhia preferida, à frente dos concertos, livros e filmes.

Qual foi o primeiro disco que compraste?

Led Zeppelin II, na inner sleve estão as minhas iniciais e a data de Agosto de 1974 (já antes do Morrissey assinava eu os discos dos outros, haha!). Competia com a discografia do meu irmão mais velho e marcava a propriedade… Na realidade antes deste álbum já tinha uma ou duas colectâneas do Sound like Hits e Top of the Pop’s (covers dos êxitos do ano) e um disco de versões latinas de canções dos Beatles. Mas o primeiro a sério que comprei foi este. Já o primeiro que tive e que veio oferecido com o gira-discos Telefunken foi o single Cum on Feel the Noise, dos Slade, no ano anterior.

E o mais recente… 

São dois, um é o disco de Natal deste ano do Josh Rouse (The Holiday Sounds of Josh Rouse) e outro é uma edição de 1985 no Japão da Disques du Crepuscule (mais concretamente Crepuscule au Japon), Un Hommage à Marguerite Duras, com poemas declamados de Richard Jobson (de quem li recentemente a autobiografia e ando a revisitar a carreira) sobre música de Virginia Astley e Vini Reilly.

O que procuras juntar mais na tua coleção? 

Coisas novas, claro, mas também algumas reedições e remasterizações de discos que provavelmente já tenho…

Um disco pelo qual estejas à procura há já algum tempo. 

Não é bem à procura, mas estou à espera da reedição remasterizada de Setting Sons, dos The Jam. 

Um disco pelo qual esperaste anos até que finalmente o encontraste. 

Aconteceu isso com Modernism – A New Decade, o canto de cisne dos The Style Council. Devido ao que aconteceu com a rescisão editorial, o último disco do grupo foi praticamente uma “não edição” e os preços dos poucos exemplares existentes por aí eram proibitivos. A reedição recente da discografia completa em vinil incluiu esse flirt infame de Paul Weller com a casa de Chicago.

Limite de preço para comprares um disco… Existe? E é quanto? 

Sessenta euros, por escrito.

Lojas de eleição em Portugal… 

Física gosto mesmo da Louie Louie, casa onde comecei a recomprar exclusivamente vinil, circa 2005 (os preços eram muito mais convidativos na altura). Mas a maior parte das coisas que me chegam vêm do online via Discogs, Norman Records ou Sound of Vinyl.

Feiras de discos. Frequentas? 

De vez em quando. A última onde estive ocorreu no SMUP da Parede e trouxe de lá, a bom conselho do Edgar da Groovie Records, uma colectânea da editora You are the Cosmos só com bandas que usam guitarra eléctrica de 12 cordas (Twelve String High). Também comprei há algum tempo, na Gare do Oriente, a versão do Man Machine dos Kraftwerk em alemão. Encontram-se sempre coisas e temos de refrear a gula.

Fazes compras ‘online’? 

Sim, a maior parte. Compro muitas vezes em pre-order, que contraria um dos males do nosso tempo, que é a necessidade da satisfação imediata, e traz a surpresa da chegada “inesperada”. Um pouco como os discos que há muito tempo atrás mandava vir por correio da Cob records ou Gemma records e demoravam cerca de trinta dias a chegar…

Que formatos tens representados na coleção? 

Ao longo dos tempos, ainda alguns: cassete, vinil, CD, mini-disk, super-audio CD, 5.1 e pautas.

Os artistas de quem mais discos tens? 

Contando com singles, maxi-singles e álbuns deve ser dos The Style Council, Paul Weller, Bob Dylan, David Bowie, The Jam, Scott Walker…

Editoras cujos discos tenhas comprado mesmo sem conhecer os artistas… 

Muitas! O selo como selo de qualidade já tinha começado para mim com a 2-Tone, depois seguiu com a Postcard, Les Disques du Crepuscule, ZTT, Creation, Matador, Factory, Mute, Thrill Jockey, Jagjaguwar…

Uma capa preferida… 

A do Heroes, do Bowie, pilhada ao artista alemão Erich Heckel, é sem dúvida uma das minhas preferidas mas também gosto de outras mais provocatórias como por exemplo a do Days in Europa, dos Skids, que usa o poster dos Jogos Olímpicos de 1936.

Um disco do qual normalmente ninguém gosta e tens como tesouro. 

Discos de Natal. Muitos dos meus amigos odeiam música de Natal. Eu colecciono. Destaco aquele que mais perplexidade causa e que considero a minha hidden gem do género: When my Heart Finds Christmas, do crooner Harry Connick Jr.

Como tens arrumados os discos? 

Ou desarrumados, melhor dizendo… Arrumo cronologicamente pela ordem de compra, indo buscar atrás a discografia do artista/banda. Mas passado pouco tempo o caos começa a instalar-se…

Um artista que ainda tenhas por explorar… 

Como deve ser, o Captain Beefheart, confesso…

Um disco de que antes não gostasses e agora tens entre os preferidos. 

O debut de 1967 do Bowie. Descobri aquilo quando andava a ouvir o Low e era difícil compreender que o artista era o mesmo. Hoje delicia-me. O Low ainda e também, claro.

Já compraste discos que, afinal, já tinhas? Caso sim, quais. E o que fazes com os discos repetidos? 

Sim, acabou de me acontecer com o primeiro single dos The Clockworks, comprado online em pré-venda. Ofereço sempre a um amigo que goste ou que ache que goste.

Há discos que fixam histórias pessoais de quem os compra. Queres partilhar um desses discos e a respectiva história? 

Tenho de referir o No More Heroes, dos The Stranglers. Foi o primeiro álbum punk que comprei e de que aprendi a gostar à força, um pouco como aconteceu com a cerveja. Forcei-me a ouvir e a beber, não podia ser de outra forma, havia ali muita coisa que estava em jogo, não só pela afirmação pessoal e social como pelo espírito progressista que sempre tive. Tanto um quanto a outra eram um corte com o delicodoce, num dos casos com o que restava do rock sinfónico e progressivo com os quais crescera e de algum pop redondo que já ouvia, no outro com os sumos de açúcar e colas de segunda linha que consumia desde pequeno. No fundo, o amargo do qual se aprende a gostar. 

Um disco menos conhecido que recomendes…

Voltando a Richard Jobson e às suas edições poéticas, foi uma aquisição recente em vinil e é o que ando a ouvir em casa, repetidamente: Ten Thirty on a Summer Night, também baseado num romance de Marguerite Duras e editado pela Les Disques du Crepuscule, em 1983.

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão /  Alterar )

Google photo

Está a comentar usando a sua conta Google Terminar Sessão /  Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão /  Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão /  Alterar )

Connecting to %s

This site uses Akismet to reduce spam. Learn how your comment data is processed.