“Red Hot + Blue” (1990)

Assinalando o 30º aniversário da Red + Hot Organization, o GiRA-DiSCOS está a recordar, ao longo deste ano, os discos da série que deu os primeiros passos, em 1990, com este “Red Hot + Blue”.

Quase um ano depois de criada a Red + Hot Organization, um primeiro disco chegou aos escaparates para uma primeira ação de combate ao VIH através da música. Não era a primeira vez que músicos se juntavam com semelhante propósito. Elton John, Dionne Warwick, Gladys Knight e Stevie Wonder tinham gravado em 1985 uma versão de That’s What Friends Are For, de Burt Bacharah, aí nascendo o primeiro single-campanha que recebeu mediatização global e levou palavras de luta contra a doença aos quatro cantos do mundo, recolhendo fundos pelas vendas do disco. Em 1990, com Cole Porter na berlinda, uma mão cheia de músicos criou versões de clássicos maiores da história da música norte-americana.

Colecção de 20 versões de canções de Cole Porter, Red Hot + Blue não só serviu idênticos objetivos como representou o modelo de uma ideia de álbum-tributo cujo impacte gerou uma multidão de descendências. Sem mais em comum senão os objetivos humanitários do disco e o facto de morarem criações de Cole Porter na base de cada canção, Red Hot + Blue reflete essencialmente a diversidade de caminhos que a lista de convidados expressa por si mesma. Neneh Cherry encontra caminhos para I’ve Got You Under My Skin através da assimilação de elementos da cultura hip hop. 

David Byrne confirma o seu interesse por músicas de latitudes exteriores aos eixos pop/rock em Don’t Fence Me In. Iggy Pop junta-se a Debbie Harry para criar um hino elétrico em Well Did You Evah. Annie Lennox atinge patamares máximos de emotividade na abordagem minimalista para voz e piano de Every Time We Say Goodbye. Os franceses Les Negresses Vertes levam heranças parisienses a I Love Paris. Tom Waits veste muito ao seu jeito It’s All Right With Me. KD Lang é directa e pungente em So In Love. Os Erasure conduzem electrónicas de travo pop rumo a Too Darn Hot. Os U2 mostram, em Night + Day, primeiros sinais de uma transformação linguística em progresso na sua música (e da qual nasceria Achtung Baby)…

Podíamos continuar a descrição passando por nomes como os de Salif Keita, Neville Brothers, Jimmy Sommerville, Aztec Camera, Sinead O’Connor ou Fine Young Canibals que, entre outros mais, completam o alinhamento do álbum. Uns mais certeiros, outros menos consequentes. Mas entre todos uma ideia comum e, no fim, um dos mais sólidos e marcantes dos discos-tributo alguma vez registados. E um primeiro episódio numa história que, depois deste, somou já muitos outros títulos a uma obra ainda hoje dedicada à mesma causa. – N.G.

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