Teresa Lage

Teresa Lage tem 59 anos. Formou-se em Línguas e Literaturas Modernas mas, mal acabou o curso, começou a trabalhar na EMI-Valentim de Carvalho – a editora dos Beatles. Foi para produzir o programa diário da editora na Comercial “Vapor”/”Casa da Música” que se estreou na rádio. Em 1988 mudou-se para a RFM pela mão de Luís Pinheiro de Almeida para realizar “Ob-la-di, Ob-la-da”, um programa semanal sobre os Beatles, e acabou por ficar a produzir muitos mais. Hoje é coordenadora de produção de antena da RFM, continua a gostar de fazer entrevistas e reportagens e a não conseguir viver sem música.

Qual foi o primeiro disco que compraste?

O primeiro LP que comprei foi, em 1973, “American Pie” de Don McLean. Comprei-o na “Canasta”, uma tabacaria ao lado da Mexicana, na Praça de Londres. Na altura já tinha alguns singles, comprados pelo meu pai. O meu pai sempre comprou discos (tinha até uma cópia de “Rock Around the Clock” de Bill Haley em baquelite) e fazia questão de manter também os filhos musicalmente atualizados. Trazia-nos singles novos de uma loja de eletrodomésticos da Alameda e os primeiros que nos deu aí, em 1973, foram “Without You” de Harry Nilson, “ Tuesday’s Death” de Cat Stevens e “Crocodile Rock” de Elton John a quem, apesar dos nosso protestos, ele chamava sempre Tom Jones.  Apesar de tudo, o primeiro LP que comprei foi mesmo “American Pie” que nunca me cansei de ouvir. Foi com muita emoção que, 37 anos mais tarde, em 2010 consegui “apanhar” em Londres, no Royal Albert Hall, um concerto de Don McLean e ouvir pela primeira vez finalmente ao vivo as canções do meu primeiro disco!

E o mais recente…

O “disco” mais recente que comprei foi, em streaming, no iTunes, “Home Tonight / In a Hurry” de Paul McCartney, duas faixas que ele depois lançou em vinil, em picture disc, numa edição limitada, no Record Store Day mas que ainda não consegui arranjar. O último CD que comprei foi “When We All Fall Asleep, Where Do We Go?” de Billie Eilish, porque também gosto de ter alguns dos discos atuais em formato físico. 

O que procuras juntar mais na tua coleção?

Procuro juntar discos de que gosto mesmo e que não me contento em ter apenas em streaming.

Um disco pelo qual estejas à procura há já algum tempo.

Não procuro há muito tempo mas quero ver se arranjo o “Home Tonight/ In a Hurry” de Paul McCartney…em CD ou em vinil… Se não se decidirem mesmo a editá-lo em CD!

Um disco pelo qual esperaste anos até que finalmente o encontraste.

Há coisas que nos marcam na infância e juventude e o filme” Melody”, de 1971 que vi várias vezes em miúda, foi um dos que mais me marcou, não só pelo enredo, mas principalmente pela banda sonora, com música dos Bee Gees e Crosby Stills, Nash & Young. Na altura ouvi muitas vezes o LP em casa de amigos mas nunca o comprei. Depois, anos mais tarde, quando me lembrei de o procurar nunca o encontrei em vinil ou CD. Em 1993, quando tive a sorte de entrevistar os Bee Gees para a RFM cheguei mesmo a perguntar a Barry Gibb se ele conhecia o disco mas Barry nem se lembrava dessa banda sonora. Só há pouco tempo é que consegui finalmente encontrar, em CD, a banda sonora de “Melody” mas numa edição japonesa.

Limite de preço para comprares um disco… existe? E é quanto?

Não tenho limite, mas também não pago disparates. Já gastei bastante em novas edições dos Beatles (juntos e a solo)… Principalmente quando o Paul McCartney decide fazer várias edições de um disco acrescentando, em cada, uma música nova… e me obriga a comprar o mesmo disco 7 vezes! Não coleciono edições com capas ou etiquetas diferentes. O que me leva a comprar um disco é essencialmente o facto de ter músicas novas ou, quando muito, versões ao vivo… porque gosto da emoção dos discos ao vivo.

Lojas de eleição…

A Fnac ou Amazon porque gosto essencialmente de comprar discos novos.

Feiras de discos. Frequentas?

Pouco. Quando tinham discos piratas achava alguma graça. Agora não. Não gosto de comprar discos velhos e em segunda mão.

Fazes compras ‘online’?

Sim. No iTunes e na Amazon.

Que formatos tens representados na coleção?

Tenho muitos discos em vinil do tempo em que não havia mais nada. Tenho LPs, singles, EPs, máxis… mas prefiro os CDs porque ocupam menos espaço e isso é cada vez mais uma prioridade para mim. Também ainda tenho discos de baquelite, da coleção do meu pai.

Quais são os artistas de quem mais discos tens?

Beatles, John Lennon, Paul McCartney, George Harrison e Ringo Starr. Bob Dylan, Bruce Springsteen, Bryan Adams, Elvis Presley, James Taylor, Ed Sheeran, Jayhawks, Oasis, Wilco (que o meu sobrinho me oferece) Devendra Banhart, Sufjan Stevens… Praticamente todos os álbuns de músicos portugueses como Trovante, Sérgio Godinho, Rui Veloso, Xutos e Pontapés, Mafalda Veiga, Tiago Bettencourt, Pedro Abrunhosa e João Só, claro… Assim coisas normais…. Não tenho gostos muito rebuscados. 

Editoras cujos discos tenhas comprado mesmo sem conhecer os artistas…

Apple Records (ah ah)

Uma capa preferida

Tenho muitas …mas uma das minhas preferidas é a capa do “Beatles for Sale” (edição original). Gosto da capa dupla, e das fotos dos Beatles na capa e no interior.

Um disco do qual normalmente ninguém gosta e tens como tesouro.

Para mim os discos são objetos que representam momentos da minha vida, por isso é que não gosto de comprar discos em segunda mão e me custa deitar fora, ou vender, os meus. Um de que provavelmente pouca gente gosta (se bem que me parece que voltou a ser moda) e de que gosto muito é o duplo LP da banda sonora do filme “Jesus Christ Superstar”, com as fotos do filme, as letras etc . O meu pai trouxe-nos esse disco de Itália, em 1974, na altura em que o filme estreou cá. Não me lembro de haver cá essa edição à venda…e como adorávamos o filme, que vimos, nos anos 70, dezenas de vezes, o disco era e continua a ser, para mim, um verdadeiro tesouro. Também tenho “no cofre” o triplo LP “Wings over America”, de 1977 que ouvia a imaginar concertos de Paul McCartney que achava, na altura, que nunca chegaria a ver. Entre os tesouros de que ninguém gosta guardo também alguns daqueles discos que precisavam de muita promoção para vender e, por isso, para os promover, os artistas aceitavam dar entrevistas até a jornalistas portugueses (ah ah ). São tesouros porque foi graças a um desses álbuns “mais promovidos e menos populares”, como “Black Tie White Noise” que conheci e entrevistei David Bowie para a RFM  (cd precioso que tenho autografado por ele!)

Como tens arrumados os discos?

Por ordem alfabética. Mas tenho, separados dos outros, os discos de portugueses, os de brasileiros, de franceses e os dos Beatles.

Um artista que ainda tenhas por explorar…

Essencialmente os artistas novos que vão aparecendo e me vão surpreendendo.

Um disco de que antes não gostasses e agora tens entre os preferidos.

O meu gosto nunca mudou muito e nunca tive vergonha de gostar do que não era moda ou cool mas há coisas que se calhar em miúda achava pirosas, tipo Roberto Carlos, e hoje gosto de ouvir 

Já compraste discos que, afinal, já tinhas? Caso sim, quais. E o que fazes com os discos repetidos?

Muitos….principalmente quando quero comprar em CD um disco de que gostava muito e tenho em vinil mas arrumado longe de casa… E depois descubro que já o tinha comprado em CD. Isso acontece devido à falta de memória e de espaço para ter os discos arrumados (mesmo os CDs) como gostava.  Os repetidos ofereço aos meus sobrinhos.

Há discos que fixam histórias pessoais de quem os compra. Queres partilhar um desses discos e a respetiva história?

Os discos para mim fixam quase todos histórias mas tenho muitos com histórias especiais. O “ Double Fantasy” do John Lennon, comprado dias antes do John Lennon morrer, o “Led Zepellin II”  que o Luis Pinheiro de Almeia me “emprestadeu” à pressa quando, em 1987, o Jimmy Page veio a Portugal comprar uma guitarra portuguesa. Na altura trabalhava ainda na EMI e, como acharam que o conseguia reconhecer, fui a pessoa incumbida de o ir buscar ao aeroporto. O Jimmy Page foi ao Cacém comprar uma guitarra portuguesa, foi a Cascais aos fados ouvir o Rodrigo e eu não queria deixar passar a oportunidade de lhe pedir um autógrafo num disco dos Led Zeppelin . Como não tinha nenhum à mão, pedi ao  Luís Pinheiro de Almeida que me “emprestasse” o Led Zepellin II” dele e que hoje ainda  tenho com o autógrafo “ Theresa Love + Live in the eighties! Jimmy Page”. Claro que o disco que fixa a minha melhor história é o duplo LP “All The Best” do Paul McCartney, graças ao qual, ainda na EMI, o conheci, em 1987. Para promover a edição da coletânea “All The Best” em Portugal, o David Ferreira conseguiu uma entrevista com McCartney para o programa da RTP Vivámusica. Para fazer a entrevista, em Inglaterra, o Vivámusica enviou o Luís Pinheiro de Almeida e a EMI, para garantir que tudo corria bem, enviou-me a mim. E correu tudo bem: Conheci o Paul McCartney e ganhei o meu autógrafo preferido

Um disco menos conhecido que recomendes…

Tantos! Ainda neste Natal, com os meus irmãos cantámos e tocámos, de seguida, todas as músicas de um disco de 1978 que adorávamos e já ninguém conhece, “White Mansions – A Tale from the American Civil War 1861-1865”, de Paul Kennerley, um disco que associo sempre a Jaime Fernandes que o deu a conhecer na radio, no final dos anos 70. “White Mansions” é um album conceptual sobre a guerra civil americana, produzido por Glyn Johns e interpretado por Waylon Jennings, Jessi Colter, Bernie Leadon dos Eagles , Eric Clapton, John Dillon e Steve Cash.

Um pensamento

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão /  Alterar )

Google photo

Está a comentar usando a sua conta Google Terminar Sessão /  Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão /  Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão /  Alterar )

Connecting to %s

This site uses Akismet to reduce spam. Learn how your comment data is processed.