Pilar Homem de Melo, “Pilar” (1989)

Editado em 1989, o álbum de estreia de Pilar Homem de Melo, “Pilar”, é uma preciosidade que se recomenda que se procure em segunda mão enquanto ainda passa despercebida nas lojas. Texto: Daniel Barradas

O disco de estreia de Pilar Homem de Melo, Pilar, continua a ser uma das pérolas perdidas do espólio da EMI-Valentim de Carvalho. Corria 1989 e a editora resolveu investir seriamente no álbum de estreia da cantora, quem sabe esperando colar-se ao êxito de Orinoco flow de Enya, como é patente nos arranjos de algumas canções como Lua no olhar e a voz dobrada e ensopada em ecos que perpassa todo o álbum. 

Um elenco de luxo esteve presente: o americano Wayne Shorter na produção; como músicos, Mário Laginha, Mário Barreiros e Yuri Daniel; nas letras, Miguel Esteves Cardoso, Eugénia Melo e Castro, Pedro Ayres de Magalhães e Francisco Menezes (Sétima legião). E às composições originais de Pilar juntam-se os créditos de Nuno Canavarro em duas canções.

O resultado comercial deve ter ficado bastante aquém das expectativas da editora já que o álbum nunca chegou sequer a ver uma reedição em CD e ainda hoje não chegou aos serviços de streaming (embora se possam achar todas as faixas no YouTube). Talvez isso se tenha devido à falhada aposta no single de estreia Um amor assim, a canção teoricamente mais comercial mas francamente menos interessante de todo o álbum… 

A obra permanece, depois de todos estes, anos como uma pequena pérola, ainda distinta de tudo o que a pop portuguesa produziu nos anos 80. Lágrima podia ter-se tornado um standard do jazz português (o piano de Mário Laginha ainda é notável pela sua simplicidade). Momentos como Cidade a arder, A voz ou Lua no olhar podiam ter entrado para a história da música portuguesa como canções incontornáveis, indiscutivelmente belas como são. É difícil perceber como um produto de tamanha qualidade acabou esquecido e enterrado num fundo de catálogo.   

O álbum é também uma singularidade na carreira da cantora já que nos discos seguintes Pilar acabaria por enveredar por caminhos menos interessantes e sem a ilustre companhia da estreia.

Para apreciadores, interessados no vagamente místico nacionalismo pró-medievalista que na década de 80 passou por nomes como os Heróis do Mar, Sétima Legião ou Madredeus, encontra-se aqui uma preciosidade que se recomenda que se procure em segunda mão enquanto ainda passa despercebida nas lojas (embora o preço de uma cópia no site Discogs já ande entre os 50 e os 70 euros). 

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