Uma revista atenta a nichos, mas que nos pode levar para vários mundos

Tem a forma de um livro (com cerca de 200 páginas) e sai duas vezes por ano. A “Record” fala sobretudo de músicos e DJ e mostra frequentes relações com outras artes e a moda. É apontada a nichos, mas escuta muitos mundos de sons. Texto: Nuno Galopim

É verdade que, por sinais dos tempos, é mais fácil encontrar espaços de jornalismo musical atual em plataformas online do que em páginas impressas. Talvez por isso sejam mais frequentes nos nossos escaparates as publicações internacionais votadas a espaços da memória (ou que ali encontrem pelo menos ganchos para “segurar” públicos) do que aquelas que vivem essencialmente da contemporaneidade… Mas nada como procurar. E se procurarmos notaremos que, além das revistas mais “conhecidas” (e entre muitas há títulos como a Mojo, Uncut, Rolling Stone ou Wire, cada qual com a sua personalidade bem vincada), há por aí outras publicações sem o mesmo mediatismo ou números de tiragem, mas bem atentas à música e aos músicos do presente. Uma delas chama-se Record, tem o formato de um livro de aproximadamente 200 páginas e sai duas vezes por ano.

Presentemente no seu número 7, a Record já deixou claro qual o universo que quer abordar e a que públicos se dirige. É uma revista sobre música, músicos e… discos. Editorialmente é focada em espaços de nicho, notando frequentemente ligações entre a música e os universos da arte, da moda e da cultura num sentido mais lato. Neste número, por exemplo, um dos artigos não é mais do que um portfólio que reflete a relação do pintor Miró com a música, quer através de capas de discos que usaram pinturas suas ou apresentando reproduções de obras que refletiam a presença da música (ou da dança).

O grosso de todas as edições da Record é feito de entrevistas de fundo com músicos, DJ, editores ou colecionadores que fazem dos discos que têm em casa um uso que transcende a vontade de os reunir num mesmo espaço. Nesta edição, por exemplo, mergulhamos com Weyes Blood (ou seja Natalie Mering) no espaço do seu estúdio caseiro, ora para a escutar em narrativas que passam pela sua relação com a música ou em concreto com o recente Titanic Rising, ora para mostrar (numa reportagem fotográfica) os instrumentos e o ambiente que ali podemos encontrar. Juan McLean é outro nome maior que encontramos nesta edição… E a estes dois juntamos figuras como Biscuit, Andras, Rosa Terenzi, Colin Self, Michel Gaubert, Eric Duncan ou Budino, este último um importante colaborador (musical) em projetos de Karl Lagerfeld. O leque de entrevistas mostra como, mesmo em espaços de nicho, a amplitude de referências dos gostos e trabalhos pode alargar os horizontes da música da qual se fala nestas páginas.

Como extra cada edição vem acompanhada de uma segunda publicação mais “magra” no volume de páginas, habitualmente dedicada a um ensaio visual. Com a Record número 7 encontramos um portfólio fotográfico de Nathan Perkel sobre a cultura do gamelão na Indonésia. Uma vez mais vamos aqui para lá das geografias do mais do mesmo…

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