E, de subitamente… eis que surgiu um novo álbum de Caribou

Seis anos depois de “One Love” o canadiano Dan Snaith volta a apresentar um disco através do seu projeto Caribou. Não traz muitas surpresas, mas é um disco tranquilamente sedutor. Texto: Nuno Galopim

Através de nomes como Manitoba, Daphni ou Caribou o músico canadiano Dan Snaith tem vindo a construir uma das mais interessantes obras nos espaços da música eletrónica deste início de século. Filho de um matemático, irmão de uma professora universitária de… matemática, começou por definir um rumo no ofício da família. A primeira mutação, que o desviou em exclusivo das reflexões mais abstratas para um terreno concreto, feito de música, revelou (através dos primeiros títulos que gravou como Manitoba) um dos mais interessantes pensadores da música eletrónica dos primeiros anos do novo século. Ao mesmo tempo que completava uma tese no Imperial College londrino, uma nova reviravolta desviou a sua música rumo a outros caminhos, passando a assinar os discos como Caribou revelando, todavia, a nova música uma abertura de horizontes a outros interesses que foi registando em discos que foram traduzindo sinais de buscas em vários sentidos.

Há, contudo, um caminho de progressão mais focada que se começa a desenhar em Swim (2010) e aprofunda depois em Our Love (2014). Depois de ter desviado algumas atenções sobretudo para o projeto Daphni (mais centrado na exploração de arquiteturas rítmicas), Dan voltou a colocar na linha do horizonte a criação de um novo disco como Caribou. Chegou a esboçar perto de 900 ideias, das quais o trabalho de depuração e seleção o encaminhou junto a 12 temas que agora, seis anos depois de One Love, encontramos em Suddenly (ao que parece o título tem a ver com um certo encantamento da filha do músico por esta palavra).

Se One Love traduzia ecos do nascimento da filha, o novo disco que Dan Snaith edita como Caribou volta a apontar azimutes temáticos ao universo familiar. Plasticamente não escapa aos universos já habituais nos caminhos pelos quais a sua música. Eletrónicas como ferramentas, cenografias repletas de incidentes e detalhes inesperados e um evidente interesse em continuar a explorar a canção, com resultados particularmente interessantes em temas como You & I ou Like I Loved You. Não há na verdade reviravoltas ou surpresas. Antes uma experiência de continuidade. Ou seja, para quem gosta do trabalho de Dan Snaith (sobretudo como Caribou), Suddenly não desilude. Talvez o hiato de seis anos pudesse surpreender mais. Mas na verdade o alinhamento é coisa tão tranquilamente saborosa que não nos leva a pedir mais do que aquilo que nos é dado.

“Suddenly”, de Caribou, está disponível em LP, CD e nas plataformas digitais, numa edição da City Slang.

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