Rema Rema “Wheel In The Roses” (1980)

Depois de editados quatro singles em janeiro de 1980, todos eles pela etiqueta AXIS (e com números de catálogo de Axis 1 a Axis 4), a necessidade de mudar o nome da editora conduziu Ivo Watts Russel e Peter Kent à designação que, de facto, faria história: 4AD. E coube então a um EP, lançado pelos Rema Rema, a honra de “estrear” o catálogo da 4AD como… 4AD.

O grupo, que teve uma existência muito breve, nasceu quando se juntaram músicos que se tinham afastado recentemente de outras bandas. Gary Asquith (guitarras e voz) e Mick Allen (baixo e voz) vinham dos The Motors. Por sua vez Marco Pirroni (guitarra) tinha passado pelos Siouxsie and The Banshees. A eles juntaram-se ainda Mark Cox (teclas) e Dorothy “Max” Prior (bateria). Animados por um sentido de urgência herdado do punk, mas refletindo já os sinais de cruzamentos com novos desafios formais que caracterizou algumas frentes do então chamado pós-punk, os Rema Rema juntavam o calor e a intensidade das guitarras com um discurso rítmico vincado e desafiante, chamando ainda ao caldeirão de ideias elementos criados com sintetizadores e uma abordagem vocal que vincava o caráter anguloso e pouco polido das ideias em jogo (que por vezes não ficam longe de primeiras visões de um som “industrial” intenso, mas algo… assombrado.

Os Rema Rema chegaram à 4AD através das lojas da Beggars Banquet. Tal como sucedera com as quatro bandas que haviam editado na fase Axis (Fast Sect, Bearz, Bauhaus e Shox) era frequente haver maquetes deixadas nos balcões das lojas. Uma das bandas que assim fez chegar uma proposta à 4AD foram, como conta o livro Facing The Other Way de Martin Aston, os Duran Duran! Uma manhã, depois de fazer a ronda pelas lojas, Ivo Watts Russel regressou à de Hogarth Road para ali encontrar os elementos dos Rema Rema a conversar com Peter Kent. Mal escutou a maquete que ali estavam a apresentar, Ivo sentiu que aquele som podia representar um momento especial na história da jovem editora.

O equilíbrio interno entre os elementos do grupo era frágil, com várias frentes e forças a desenhar desejos de seguir caminhos distintos. Tanto que, quando (pouco depois daquela manhã) chegou a hora de editar um disco, o grupo já se tinha separado. Ivo não desistiu, mesmo assim, da ideia de os editar. Tanto que, sendo impossível levar os Rema Rema a estúdio para gravar, o EP então editado, com o título Wheel In The Roses, acabou por juntar dois temas gravados ao vivo (Rema Rema e Fond Affections) e duas maquetes (Feedback Song e Instrumental).

Para a capa foi usada uma fotografia de 1949 tirada no Sudão por George Rodger, mostrando dois homens da tribo Nuba, à qual Mick Allen juntou o desenho de uma rosa. Sem banda para fazer promoção, na altura o disco passou longe das atenções dos media, mas o tempo fez com que fosse reconhecido como uma peça importante do pós-punk britânico… E, claro, um episódio marcante na história da 4AD.

Todos os elementos dos Rema Rema partiram para outras aventuras. E na verdade a separação do grupo ocorreu porque Marco Pirroni saiu para se juntar a Adam Ant numa nova formação dos Adam and The Ants. Asquith, Allen e Cox formaram então os Mass, mas logo depois separaram-se, com o primeito a rumar aos Renegade Soundwave e os dois restantes a partir para os Wolfgang Press. “Max” juntou-se aos Psychic TV e chegou a editar a solo.

Em 2019 a integral das gravações dos Rema Rema foi reunida na antologia Fond Reflections. – N.G.

 

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