O adeus a John Prine, referência maior da folk norte-americana

“When I woke up this morning, things were looking bad”… Podia ser um statement para os dias que correm. Na verdade são os primeiros versos de Illegal Smile, a canção que abriu, em 1971, o álbum de estreia de John Prine. Não era uma estrela global nem, apesar dos vários Grammys conquistados nas áreas da folk, um nome na primeira linha das atenções de muitos. Mas se acrescentarmos que era figura de referência para nomes como Johnny Cash ou Bob Dylan e que Roger Waters o descreveu como bem mais estimulante para si do que os Radiohead, então talvez fique no ar a vontade de o (re)descobrir. Chamava-se John Prine e, após dias de luta contra a doença de que atinge todo o globo neste momento, sucumbiu esta noite. Tinha 73 anos.

            Natural de Maywood, no Illinois, onde nasceu em 1946, John Prine, aprendeu música nos dias de juventude. Mas o serviço militar levou-o à Alemanha e, depois, a necessidade de trabalhar fê-lo carteiro. Mas não deixou de tocar nem de cantar. E uma noite, enquanto tocava num bar de Chicago que regularmente abria o palco a amadores, chama a atenção de um jovem jornalista. Roger Ebert não era ainda o crítico de cinema em que depois se transformou. Mas ao escutar John Prine resolveu escrever umas linhas elogiosas sobre o músico. Aos poucos juntou a esta opinião outras, igualmente favoráveis, conquistando visibilidade numa cena folk que então ganhava fôlego em Chicago. Kris Kristofferson foi, então, um dos maiores entusiastas do jovem talento em tempo de afirmação. E em 1971 editava um álbum de estreia ao qual chamou, simplesmente, John Prine, em cuja capa se apresentava sentado num fardo de palha.

            O discos e os seguintes cativaram atenções. As canções revelavam uma voz poética que chegou Dylan a descrevê-la como algo na linha de um “existencialismo proustiano”… Já Johnny Cash chegou a confessar que John Prine era um dos raros músicos de quem escutava discos em casa quando procurava inspiração para escrever. As canções refletiam um olhar sobre o mundo ao seu redor, traduzindo e refletindo sobre temas sociais muitas vezes através de histórias vivenciais.

Tal como sucedeu com o disco de estreia (produzido por Arif Mardin), John Prine gravou para a Atlantic, mudando-se em 1978 para a Asylum até que, em 1984, criou a sua própria editora, a Oh Boy Records, pela qual lançou, daí em diante, os seus discos, numa obra que tem como episódio mais recente The Tree of Forgiveness, de 2018. – N.G.

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