Hal Willner, o produtor que gostava de homenagear grandes músicos

É claro que são os músicos quem faz a música. Mas a história da música está também repleta de figuras que, por outras ações complementares, acabam também por escrever episódios marcantes. É o caso de Hal Willner. Também fez discos (escute-se Whoops I’m An Indian, de 1998). Mas teve sobretudo um importante trabalho como produtor ao lado de nomes como os de Lou Reed, Marianne Faithfull, Neville Brothers ou Gavin Friday. Mas foi com a materialização de ideias mais amplas, cruzando memórias e referências com ações no presente, e ao programar os espaços de música de um dos programas de televisão mais marcantes do nosso tempo, que o seu nome ficou inscrito na história da música. Deixou-nos esta semana, aos 64 anos, mais uma vítima da pandemia que tomou conta do mundo em 2020.

         Natural de Filadélfia, onde nasceu em 1956, Hal Willner mudou-se para Nova Iorque nos anos 70, começando por trabalhar como assistente de produção antes de, na década de 80, tomar as rédeas da programação musical do programa Saturday Night Live. É igualmente nos anos 80 que começa a desenvolver uma lógica de “tributos”, chamando artistas para recriar ou homenagear outros músicos ou outras épocas. Em 1981 chamou nomes como Bill Frisell, Carla Bley, Steve Lacey, Brandford e Wynton Marsalis, entre outros, para homenagear Nino Rota e as suas contribuições para o cinema de Fellini em Armacord: Nino Rota. Seguiram-se discos de tributo, pensados numa lógica semelhante, celebrando a música de Thelonious Monk, Kurt Weil, Charles Mingus, as canções clássicas dos filmes de animação da Disney (em Stay Awake) ou Harold Alan, entre muitos outros. Mais adiante, já nos anos 80, perante uma proliferação do formato do álbum de tributo, Hal Wilner criou também alguns títulos na área do spoken word, entre os quais Spare Ass Annie and Other Tales, que juntou leituras de William Burroughs à música dos Disposable Heroes of Hiphoprisy.

Hal Wilner estendeu este modelo de tributo aos palcos, com homenagens a nomes como Tim Buckley (no mítico concerto que deu a conhecer o jovem Jeff), Allen Ginsberg, Edgar Allan Poe, Leonard Cohen (ideia na base do filme I’m Your Fan) ou Lou Reed. O seu trabalho como curador e produtor estendeu-se ainda ao cinema com bons exemplos em filmes como Short Cuts de Robert Altman ou Million Dollar Hotel de Wim Wenders. – N.G.

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