Dez discos que definiram o meu gosto – João Carlos Callixto

Cada disco pode contar várias histórias. E quem quiser mais do que ficar olhar para as capas pode agora ler aqui… Dez discos… e as respetivas histórias. E assim nasce o gosto de cada um. E hoje quem partilha aqui os seus dez discos e as respetivas memórias é o João Carlos Callixto.

Durante semanas, via inúmeros amigos – uns mais “virtuais”, outros menos, outros amigos de sempre – a publicarem no Facebook diariamente listas de dez discos importantes para a dita “formação do gosto musical” de cada um. O desafio consiste em escolher os discos (supostamente não escrevendo nem uma linha sobre eles) e nomear outros tantos amigos para fazer o mesmo. Se “temia” que alguém me “nomeasse”, por saber bem do “problema da escolha” (título de uma canção da Filarmónica Fraude, banda que faz parte desta lista), tive que arranjar um “estratagema” para rapidamente cumprir o desiderato quando três amigos me passaram o testemunho no espaço de 24 horas. Para esticar os limites, passei de 10 para 13 discos (a minha desculpa será que nasci num dia 13 de Outubro) e mesmo assim tive que me centrar quase exclusivamente em discos que descobri e pelos quais me apaixonei até aos meus 20 anos – com duas únicas excepções, que surgem precisamente no fim da lista. Sim, porque a lista está organizada cronologicamente mas seguindo não a respectiva ordem de edição e antes a ordem pela qual eu conheci cada disco. Para tal, vali-me dos meus “preciosos” apontamentos, compilados ao longo de cerca de 30 anos, e que me permitem saber com exactidão não só a data e o local em que cada disco entrou na minha colecção mas também ajudam a relembrar a circunstância em que o mesmo ocorreu. Dito isto, naturalmente que não poderia recusar o repto do Nuno Galopim para deixar umas linhas sobre cada disco e detalhar um pouco mais a forma como o mesmo entrou na minha vida e deixou marcas profundas até aos dias de hoje. Uma última nota: todos os discos aqui “recenseados” foram originalmente ouvidos em compact disc, independentemente de terem ou não sido originalmente publicados em vinil, sendo que um deles (o penúltimo, de João Maria Tudella) continua até aos dias de hoje a não conhecer edição digital.

The Doors, “The Doors”

(1967)

Novembro de 1991: terceiro álbum da minha colecção de CDs, foi também o primeiro que comprei, já que o anterior (“Tripping the Live Fantastic”, duplo ao vivo de Paul McCartney) tinha sido oferecido pelos meus pais no Natal do ano anterior. A “histórica” aquisição teve lugar na Discoteca Lisboa Rock, no Centro Comercial da Portela de Sacavém, e o dinheiro necessário para tal foi “desviado” da verba destinada aos lanches na escola… Reduzindo substancialmente as “doses”, conseguia comprar um CD novo por mês – e assim fui constituindo a discografia completa de estúdio dos Doors (com Jim Morrison) nessa leva de reedições. Quando uns meses depois a “artimanha” foi descoberta é que foi mais complicado… Mas, passados quase 29 anos, posso dizer que valeu bem a pena desbravar “as portas da percepção”, uma vez que se não fosse a descoberta dos Doors nesta altura não seria decerto a pessoa que sou: o universo artístico da banda determinou muitos dos passos e escolhas até ao dia de hoje.

José Afonso, “Cantigas do Maio”

(1971)

Maio 1993: décimo nono álbum da minha colecção de CDs, marcou também praticamente o primeiro contacto sério com a música portuguesa. Antes, apenas me tinha interessado por “Palavras ao Vento”, a estreia dos Resistência, e decerto que essa audição pesou também na decisão de adquirir na Discoteca Festival, na Baixa (encerrada definitivamente no passado mês de Fevereiro), o histórico quinto álbum de originais de José Afonso. Mas peso teve também a audição de vários discos do cantautor em casa de um casal amigo dos meus pais, onde recordo a “boa estranheza” que causava ouvir aquelas palavras e aqueles sons a que não estava de todo habituado – naturalmente, fora um ou outro “hino”, como o próprio “Grândola, Vila Morena”. Depois da paixão pelo rock ter sido “benzida” pelos Doors, a paixão pela nossa música não poderia assim ter melhor padrinho que José Afonso – o fado, e Amália Rodrigues, só muitíssimo mais tarde passariam a entrar no campo dos gostos musicais.

Joy Division, “Closer”

(1980)

Julho de 1993: vigésimo oitavo álbum da minha colecção de CDs, fez parte de um “pacote” comprado no Verão dos meus 15 anos em Oxford durante um curso de Inglês de duas semanas naquela histórica e universitária cidade inglesa. Curiosamente, com uma única excepção (“Loaded”, o 4.º álbum dos Velvet Underground), todos os outros discos dessa “leva” eram britânicos: os Queen, com “News of the World”, os Echo & the Bunnymen, com a recém-publicada colectânea “The Cutter”, os Soft Machine, também com uma colectânea, “The Untouchable”, e os Joy Division, de quem queria muito ter os dois álbuns de estúdio, “Unknown Pleasures” (1979), e este “Closer”, capítulo final da banda, do ano seguinte. Ambos foram comprados na loja Our Price de Oxford e eram de facto algo há muito desejado – na escola secundária, o meu pequeno grupo de amigos mais próximos tinha feito circular em cassete gravação desses dois álbuns e a urgência desmedida daqueles sons não mais deixou de me habitar o “coração e a alma”.

Pink Floyd, “The Piper at the Gates of Dawn”

(1967)

Dezembro de 1993: quadragésimo primeiro álbum da minha colecção de CDs, foi prenda de Natal do meu irmão (naturalmente, “instruído” por mim para tal). Aos meus pais coube-lhes oferecem-me “The Final Cut” (1983), tendo sido estes na altura os meus dois primeiros álbuns dos Pink Floyd – o que balizou desde logo a minha paixão pela banda especialmente ao longo e criativo período com Roger Waters. No entanto, entrar no universo sonoro de “The Piper at the Gates of Dawn”, ainda com o delicado e alucinado Syd Barrett a comandar as tropas, é mergulhar num caldeirão psicadélico de que nunca se pode voltar incólume. Já agora, as restantes duas prendas desse Natal foram os álbuns “New York”, de Lou Reed (também oferta paterna) e a colectânea “Sleepless – The Concise King Crimson”, da banda esquizóide de Robert Fripp.

Nirvana, “In Utero”

(1993)

Abril 1994: quadragésimo sexto álbum da minha colecção de CDs e primeiro disco que tive dos Nirvana, foi comprado dias depois da morte de Kurt Cobain, na Discoteca Orfeu, então existente no ainda novo Centro Comercial dos Fojos, na Bobadela (Sacavém). O álbum anterior, o clássico “Nevermind”, e este “In Utero”, faziam também parte das cassetes e das paixões partilhadas por um grupo maior de amigos e colegas na escola secundária. Nunca me esquecerei, aliás, quando dois meses antes uma amiga e colega me desafiou a ir assistir com alguns outros colegas ao concerto dos Nirvana em Cascais e deixei passar a oportunidade, pensando que os veria numa posterior digressão. Não houve mais futuro para os Nirvana, mas quando ao fim do dia 8 de Abril começaram a ouvir-se as notícias da morte de Kurt Cobain tudo parecia ainda ser algum rumor – afinal de contas, já tinha acontecido antes. Desta vez era infelizmente verdade e o rock visceral de “In Utero” não teria mesmo novos capítulos.

The Incredible String Band, “The 5000 Spirits or the Layers of the Onion”

(1967)

Julho 1994: quadragésimo nono álbum da minha colecção de CDs, foi também o início de uma “devoção” sem fim. O disco foi-me trazido de Inglaterra por um amigo e colega que no ano anterior tinha estado comigo em Oxford e que nesse ano voltara para mais um curso, desta vez em Cambridge, e a quem tinha portanto feito a “encomenda”. Ao começar a ouvir o diálogo dolente de guitarra e alaúde que constitui a pequena introdução instrumental de “Chinese White” (a primeira faixa do álbum) e logo depois a voz solo de Robin Williamson e o coro quase em prece deste com Mike Heron, fiquei estacado no meu quarto a pensar: “uau, o que é isto? Existe música assim?”. Existia, felizmente, e a partir daí só me ficou a faltar – até hoje – vê-los ao vivo, juntos ou separados. Um a um, fui-me deleitando com a música que brotava de todos os magníficos doze trabalhos de estúdio que a Incredible String Band publicou entre 1966 e 1974. A título de curiosidade, nesse Verão de 1994, este disco sucedeu em termos de novas aquisições a outro disco que poderia figurar nesta lista, “The Marble Index”, de Nico, e a “Helen of Troy”, de John Cale – único acompanhante da “sacerdotisa” alemã nesse álbum maior que pode ter sido editado em 1969 mas que pertence a todos os tempos.

Love, “Forever Changes”

(1967)

Abril 1995: octagésimo primeiro álbum da minha colecção de CDs, foi adquirido numa visita de estudo a Espanha que teve lugar quando estava no 12.º ano. Ainda me recordo de chegar à camarata e de ouvir num discman portátil o CD pela primeira vez, ao lado de uma colega a quem pretendia também “evangelizar” musicalmente. Meses antes, tinha-me já iniciado no universo de Arthur Lee e dos Love através da etapa anterior no percurso discográfico da banda, “Da Capo”, e “levado” pelos Doors, grupo que Arthur Lee recomendara à Elektra Records. Ficara desde logo preso à força proto-punk de “Stephanie Knows Who” ou de “Seven & Seven Is”, ao sonho folk de “The Castle” (com cravo, instrumento cujo som desde logo me seduziu) ou à trip de “She Comes in Colors” – mas “Forever Changes” trazia um elaborar dessa mistura sonora entre rock, músicas latinas, jazz e aquilo a que ainda não se chamava “músicas do mundo”. O clássico “Alone Again Or”, que abre o disco, é também a entrada neste álbum semi-conceptual que nos leva numa cápsula temporal – e que ainda não entendi como não chegou a integrar nenhuma banda sonora de Quentin Tarantino.

Pharoah Sanders, “Karma”

(1969)

Fevereiro 1996: centésimo quadragésimo oitavo álbum da minha colecção de CDs, foi o meu segundo disco de jazz. O primeiro, “Free Jazz”, do quarteto de Ornette Coleman, tinha-o adquirido em finais de Outubro do ano anterior tendo em vista também um pedido de autógrafo ao músico, que se deslocava a Lisboa a um concerto (o autógrafo aconteceu mas não no disco e sim no bilhete do concerto que acabei por não ver também por isso). Já com Pharoah Sanders, por cujo trabalho me apaixonei ao ouvir pela primeira vez este “Karma” (que adquiri na loja da Valentim de Carvalho, então na Praça do Rossio), nunca me cheguei ainda a cruzar, tendo já infelizmente perdido um concerto dele em Lisboa. Mas ouvir pela primeira vez todos os devaneios instrumentais da suite “The Creator Has a Master Plan”, com os seus mais de trinta minutos, acabou por ser uma estrada de Damasco para mim e, à força, também para o meu pai – cujo escritório ficava ao lado do meu quarto.

Banda do Casaco, “Dos Beneficios dum Vendido no Reino dos Bonifácios”

(1975)

Outubro 1997: quadricentésimo vigésimo sétimo álbum da minha colecção de CDs, cheguei primeiro a ele por via da audição do LP original e só depois o compraria em CD, na Virgin Megastore de Lisboa. Um grande amigo da família, infelizmente já desaparecido, deixou-me um dia “vasculhar” na sua arrecadação e de lá trouxe o “Pois Canté!!”, do GAC-Vozes na Luta, o “10000 Anos Depois Entre Vénus e Marte”, de José Cid (que pouco depois o meu amigo me ofereceria), e este primeiro álbum da Banda do Casaco. Apesar de os sons da folk misturados com todo o tipo de experiências fora da caixa não me serem já na altura de todo estranhos (bastaria citar de novo a Incredible String Band), não estava de facto habituado a ouvi-los cantados em português. E ver que a Banda do Casaco não só o fazia como o fazia “em grande estilo”, com músicos de primeira água, com as melodias sinuosas de Nuno Rodrigues e com as letras desconcertantes de António Avelar de Pinho, foi uma revelação – e o início de uma paixão que moldaria definitivamente o meu gosto. Neste caso, fui “lavado lavado sim” – mas nunca “levado”.

Filarmónica Fraude, “Epopeia”

(1969)

Maio 1998: e aqui, já ultrapassada a barreira dos 500 CDs na colecção, oiço pela primeira vez a música feita pela Filarmónica Fraude – com a possível excepção de “Animais de Estimação” ou de “Menino”, canções publicadas nos dois EPs iniciais e que surgiam uma ou outra vez na rádio. A reedição de “Epopeia” em CD integrava um conjunto de redisponibilizações nesse formato de algum reportório clássico da então PolyGram, mas sofreu desde logo a vicissitude de a editora não ter localizado as fitas originais e ter-se visto confrontada com a necessidade de recorrer a um LP para a transposição. Ainda que a qualidade de som não fosse a ideal, fiquei rendido a este projecto anterior de um letrista que já conhecia da Banda do Casaco – António Avelar de Pinho, ele de novo – e a um escritor de canções que juntava épocas e tradições – António Luís Linhares de Sousa, mais tarde director coral e ensaísta musical. Com 20 anos, imaginava como poderia ter soado aos jovens que em 1969 tinham essa idade ouvir esta música que cantava contra a Guerra Colonial sem nunca a citar directamente.

Quarteto 1111, “Quarteto 1111”

(1970)

Junho 1998: integrado numa outra série de reedições de clássicos portugueses, desta vez dos arquivos da então EMI – Valentim de Carvalho, adquiri este CD na Valentim de Carvalho do recém-inaugurado Centro Comercial Colombo. Até aqui, conhecia apenas algumas das canções do histórico primeiro álbum do grupo através da colectânea “A Lenda do Quarteto 1111”, de 1993. Mas eram poucas, muito poucas: “Domingo em Bidonville”, “João Nada”, “As Trovas do Vento que Passsa” e “Maria Negra”. As três primeiras vinham do lado A do disco, centrado na emigração, e do lado B, dedicado ao racismo, só conhecia portanto a última. Alguns meses antes, tinha também ouvido pela primeira vez algumas das canções do álbum a solo de 1971 de José Cid, o seu primeiro, o que ajudava a entrar no universo ora mais folk ora mais psicadélico do grupo. Em vinil, este ano de 1998 foi também aquele em que comecei a desbravar a obra do Quarteto 1111, primeiro com um dos EPs retirados do álbum “Bruma Azul do Desejado” (editado em 1973 e em que o grupo acompanhava a voz de Frei Hermano da Câmara) e logo depois com o histórico EP de estreia do grupo, “A Lenda de El-Rei D. Sebastião”, de 1967. A paixão desmedida por tudo o que se relacionasse com o Quarteto 1111 e com os seus membros, com José Cid à cabeça, ficaria desde logo bem plantada – e é algo para durar pelo menos “10000 anos”…

João Maria Tudella, “Tudella Canta Música de Pedro Jordão” (1969)

Abril 2002: claro que por esta altura conhecia já várias canções de João Maria Tudella, com “Kanimambo” omnipresente. Em 2000, tinha aliás adquirido o meu primeiro disco do cantor, uma colectânea em CD que juntava canções de várias fases da carreira e que mostrava assim um retrato “desenquadrado” da mesma. No entanto, tinha-me desde logo permitido conhecer composições da autoria de Pedro Jordão, nomeadamente “Ao Vento e às Andorinhas”, que Tudella interpreta no Festival da Canção de 1968, e, acima de tudo, “Liberdade” (com texto de Manuel Alegre), e que se tornaria numa das “canções da minha vida”. Ao perceber que a mesma pertencia a um álbum todo ele escrito por Pedro Jordão e com textos de mais grandes poetas (Fernando Pessoa, José Gomes Ferreira ou Reinaldo Ferreira, entre outros, para além de Rui Malhoa, habitual colaborador de Pedro Jordão), cabendo a Jorge Machado as orquestrações, não descansei enquanto não o encontrei. E, ao ouvi-lo, que revelação: afinal a dita canção ligeira portuguesa de 50s e 60s (para alguns, o famigerado “nacional-cançonetismo”) era bem mais vasta e diversificada do que o epíteto homogeneizador de 1969 criado por João Paulo Guerra pretendia transparecer. Naturalmente que o jornalista fora certeiro naquele momento, em que importava demarcar os “campos” – mas nem ele próprio previu decerto que tanta gente viesse a usar e a abusar impunemente dessa “bandeira” de forma ora “maldosa” ora “néscia”. A partir da escuta deste álbum, de capa negra, tudo ficava claro: a canção ligeira portuguesa pré-1974 era um campo para estudar mais e mais e sem a qual se tornava impossível conhecer a fundo a época e as que se lhe seguiriam. “Quero um Cavalo de Várias Cores”!

Petrus Castrus, “Mestre”

(1973)

Novembro 2007: e o ultimo disco desta selecção de treze acaba por ser especial por várias razões. Uma delas, desde logo, é ser o clássico do rock em Portugal que se tornou desde a sua edição original pela Sassetti em 1973. Com poesia de autores como Sophia de Mello Breyner Andresen, o brasileiro Manuel Bandeira, José Carlos Ary dos Santos, Bocage ou Alexandre O’Neill, sem esquecer de novo Fernando Pessoa, mostra ainda a força da escrita dos dois irmãos José e Pedro Castro. Musicalmente, tinham em Rui Reis o complemento ideal para os sonhos “sinfónicos” e em Júlio Pereira e João Seixas o acrescento rock que se mostrou ideal. Mas esta obra maior da nossa música permanecia em 2007 num enorme semi-esquecimento “oficial”, sem ter nunca surgido qualquer reedição de alguma das canções do disco e com apenas um tema de um single (“A Bananeira”, de 1974, que eu adquirira em vinil em 1998, na loja Discolecção, então a funcionar nas galerias do Hotel Amazónia) a surgir em CD, na colectânea “Biografia do Pop-Rock” (editada em 1998 e em cuja festa de apresentação em Lisboa, no espaço Espelho d’Água, tive a sorte de estar presente). Assim, fruto de uma minha colaboração de cerca de um ano com a Companhia Nacional de Música (que ficara com o espólio da editora Sassetti), sugeri a Nuno Rodrigues (fundador e editor da referida Companhia) que se fizesse a reedição do álbum. No entanto, as fitas não existiam no arquivo da editora, apenas o contrato e o álbum. Ora o dito contrato tinha uma morada em Lisboa – liguei para o número de telefone correspondente e não é que, ao fim de tantos anos, me atende o próprio Pedro Castro? Explicada a intenção da editora e reatada a amizade antiga (Nuno Rodrigues fora produtor e voz convidada do segundo álbum dos Petrus Castrus, “Ascenção e Queda” – assim mesmo, com erro em “Ascensão”), logo ficámos a saber que o músico guardava uma cópia em fita do master final do álbum, a partir da qual o técnico de som José Fortes viria a fazer o restauro de som. Coube-me o enorme prazer de escrever o texto de apresentação dessa histórica primeira reedição do álbum, ao qual se juntaria o material destinado a um single que deveria ter visto a luz do dia em 1977 (com “Agente Altamente Secreto” e “Pouca Terra”) e ainda um segundo disco com material mais recente, todo ele da autoria de José Castro e também inédito. Em 2008, viria a estar também ligado à reedição em vinil deste histórico álbum, pelo selo catalão Guerssen. Na mesma altura, começava a colaborar com a RTP, na altura no Arquivo da Rádio – e assim os tempos se voltaram a reencontrar, até aos dias de hoje.

Nota final: claro que, mesmo tendo passado esta selecção de 10 para 13 discos, muitos outros trabalhos mereceriam e deveriam estar aqui. Mas como a Matemática tem as suas contingências, vi-me obrigado a deixar para outras “núpcias” discos que tiveram também papéis tão essenciais na formação do meu gosto. E assim não pude falar de álbuns como “Revolver” (dos Beatles), “Younger than Yesterday” (dos Byrds), “The Velvet Underground & Nico”, “A Gift from a Flower to a Garden” (de Donovan), “Caetano Veloso” (primeiro a solo do músico), “Aoxomoxoa” (dos Grateful Dead), “The Marble Index” (segundo a solo de Nico), “Mudam-se os Tempos, Mudam-se as Vontades” (estreia de José Mário Branco), “Os Sobreviventes” (estreia de Sérgio Godinho), “Please to See the King” (dos Steeleye Span), “Rattus Norvegicus IV” (estreia dos Stranglers), “A Música no Tempo de Camões” (dos Segréis de Lisboa), “Aion” (dos Dead Can Dance), “Magic and Loss” (de Lou Reed), “Só” (de Jorge Palma), “I Should Coco” (dos Supergrass), “K” (dos Kula Shaker). E como escolher discos na vastíssima e riquíssima obra de Jacques Brel, Serge Gainsbourg, Adriano Correia de Oliveira, Brigitte Fontaine ou Lluís Llach?… São muitas paixões e muitos gostos musicais, que sempre tentei que fossem mais inclusivos do que exclusivos. Para benefício de todas as partes!

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