Samuel Cruz

Licenciado em Jornalismo há 17 anos, pela Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra, soube cedo que o seu caminho profissional tinha de ser ligado à música. Passou por diversas rádios locais desde o final dos anos 90 e acabou a escrever para o extinto portal Cotonete, da Media Capital, e para publicações como a DIF. Está na MTV desde 2008 e é atualmente Coordenador Musical e de Programação do canal de televisão.

Qual foi o primeiro disco que compraste?

“Jagged Little Pill”, da canadiana Alanis Morissette, e o álbum homónimo de estreia dos americanos Garbage. Foram os primeiros LP que comprei com o meu próprio dinheiro e continuam a ser dois dos meus favoritos.

E o mais recente…

Ofereceram-me o vinil de “Antwerpen”, da Portuguesa Surma. Foi certamente a artista nacional que mais ouvi em 2019, este álbum é incrível e ela é uma performer arrebatadora. ‘Hemma’ é uma das minhas canções favoritas de todos os tempos.

O que procuras juntar mais na tua coleção?

Eu cresci com o CD, que se tornou mainstream na década de 90 do século passado, pelo que a maioria dos itens na minha coleção são compact disc. Agora procuro sobretudo vinil. Na era do digital continuo a achar que, embora seja fabuloso ter uma discografia ilimitada no telemóvel ou no PC ou tablet, nada substitui a magia do físico.

Um disco pelo qual estejas à procura há já algum tempo.

As versões originais dos dois primeiros álbuns dos Irlandeses The Cranberries, “Everybody Else Is Doing It”, de 1993, e “No Need To Argue”, de 1994. Foram dois discos importantes durante a minha adolescência e aos quais perdi o rasto.

Um disco pelo qual esperaste anos até que finalmente o encontraste.

Entrei tarde nos universos da Fiona Apple, da Tori Amos ou dos Massive Attack mas tornaram-se dos meus artistas favoritas.

Limite de preço para comprares um disco… Existe? E é quanto?

Olho para um disco como um investimento. Lembro-me de ser miúdo e ir aos postos de escuta das lojas ouvir álbuns durante dias ou até semanas, numa escolha criteriosa, até porque o dinheiro da mesada não dava para muitas extravagâncias, até que finalmente os comprava. Hoje não demoro tanto a decidir, mas as escolhas continuam a ser ponderadas.

Lojas de eleição em Portugal… 

Quando era adolescente ia sobretudo à Valentim de Carvalho da Rua Ferreira Borges, em Coimbra, a minha cidade Natal. Ia à loja com tanta frequência que acabei por me tornar amigo de alguns dos funcionários, que chegavam a oferecer-me posters dos artistas de que eu mais gostava. Se procurava uma obra mais erudita bastava atravessar a rua e tinha a discoteca Nova Almedina e se procurava raridades ia a uma a loja no centro comercial do Cine-Teatro Avenida. Acho que já todas fecharam portas, infelizmente. Em Lisboa, talvez a Carbono, a Louie Louie e a Flur Discos. Quando faço alguma viagem também não resisto a entrar em todas as lojas que encontro.

Feiras de discos. Frequentas?

Raramente. 

Fazes compras ‘online’?

Nos últimos anos bastante mais do que em lojas físicas.

Que formatos tens representados na coleção? 

CD, CD single, vinil, cassete, DVD e até alguns VHS.

Os artistas de quem mais discos tens?

Certamente a Björk! O que é curioso porque no início da carreira dela eu era demasiado novo para a compreender. Achava-a demasiado fora da caixa e os meus gostos musicais gravitavam mais para artistas e bandas mais “convencionais” como os Oasis, R.E.M., The Cure, Jewel, Nirvana, Depeche Mode, Lenny Kravitz ou Pearl Jam. Só comecei a admirar a genialidade da Björk a meio segunda metade dos anos 90.

Editoras cujos discos tenhas comprado mesmo sem conhecer os artistas…

Talvez a 4AD.

Uma capa preferida.

Sem dúvida a do álbum “Debut”, da Björk.

Uma disco do qual normalmente ninguém gosta e tens como tesouro.

“Left Of The Middle”, da australiana Natalie Imbruglia. É um belo disco pop rock, completamente subvalorizado e ofuscado pelo sucesso do single ‘Torn’. 

Como tens arrumados os discos?

Numa estante, por ordem alfabética, para os encontrar e guardar mais facilmente.

Um artista que ainda tenhas por explorar…

A britânica Celeste.

Um disco de que antes não gostasses e agora tens entre os preferidos.

Os dois primeiros álbuns da Björk, “Debut”, de 1993, e “Post”, de 1995, e algumas coisas do período dela na banda The Sugarcubes.

Para quem trabalha em televisão, com vídeos musicais, a coleção de música em casa também envolve DVD e Blu Rays de música? Tens alguns que te tenham marcado mais?

Tenho uma coleção considerável de DVDs e até alguns velhinhos VHS, exclusivamente dedicados a videoclipes e concertos ao vivo. A minha primeira recordação musical é de ser muito miúdo e ter imenso medo de ver o ‘Thriller’, do Michael Jackson, por isso é até algo irónico que eu tenha acabado a trabalhar na MTV. Um dos meus concertos favoritos em DVD é o “Live in Bucharest: The Dangerous Tour”, gravado em 1992 durante um concerto esgotadíssimo com 90,000 pessoas na plateia. É, provavelmente, um dos melhores registos do quão inigualáveis eram os espetáculos do Rei da Pop, a sua genialidade e o fervor da grande maioria dos seus fãs.

Há discos que fixam histórias pessoais de quem os compra. Queres partilhar um desses discos e a respectiva história?

Lembro-me de quando comprei a compilação “Tried And True: The Best of Suzanne Vega”. Acho que foi talvez em 1998 ou 1999 e só conhecia uma ou duas músicas da cantora, provavelmente ‘Luka’ e ‘Marlene On The Wall’ Comprei-o por puro instinto, sem sem o ouvir antes, porque gostava da voz, claro, mas sobretudo da forma como ela interpreta as canções. Esse álbum deve ter perto de 20 músicas e não há uma única de que não goste. Acabei por ir descobrir a discografia da Suzanne Vega e também já assisti a vários concertos dela. 

Um disco menos conhecido que recomendes…

“Colour The Small One”, o segundo álbum da Sia, de 2004. Lembro-me perfeitamente que o single ‘Breathe Me’, provavelmente uma das canções mais intensas de sempre, deu que falar ao servir de banda sonora para o último episódio da série “Six Feet Under” e foi isso que me fez querer conhecer a artista e depois queres ter esse disco na minha coleção. Gosto bastante desta fase inicial da carreira da australiana e também do período em que ela colaborava com a banda Zero 7.

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