Cinco singles (menos conhecidos) dos Kraftwerk

Cinco Dias, Cinco Discos… Esta semana vamos caminhar através de cinco singles dos Kraftwerk que muitas vezes passam a leste das atenções… É verdade que nunca editaram oficialmente um “best of”… Mas numa compilação de singles estes mereciam um ligar junto dos clássicos… Texto e escolhas: Nuno Galopim

1973. “Kohoutek-Kometenmelodie”

Nascidos em finais dos anos 60, num espaço que tinha mais afinidades com a música experimental do que com as visões pop que desenhariam mais tarde, os Kraftweerk viveram uma primeira etapa da sua discografia apenas no formato de álbum. A anteceder a edição de Autobahn, os primeiros sinais de uma nova abordagem à composição na obra dos Kraftwerk chegou em finais de 1973 com um single que dividia uma ideia entre ambas as faces do disco. Com o título Kohoutek-Kometenmelodie, numa clara alusão ao cometa identificado em março de 1973 pelo astrónomo Lubos Khoutek, os Kraftwerk propunham um tema instrumental com uma carga melódica até então nunca vista na sua obra, numa das duas partes do tema chegando mesmo a definir um padrão rítmico insistente. Os dois temas que apresentaram neste single seriam regravados de novo para pouco depois integrar o alinhamento de Autobahn, a maior diferença residindo no facto de terem trocado a ordem da parte mais rápida e mais lenta da composição.

1974. “Mittenacht” EP

Apesar das opções mais pop que se materializaram nas edições em single para o grande mercado ligadas ao álbum Autobahn – em concreto um edit do tema-título, que alcançou projecção global, e o luminoso Komettenmelodie 2, contudo sem os mesmos resultados – os Kraftwerk lançaram então um EP com uma série de temas extraídos da face B do seu álbum de 1974.

Apenas com edição no mercado holandês, o EP juntava no lado A o tema essencialmente textural Mittenacht e o ambiental Morgenspaziergang, dexiando no lado B Komettenmelodie 1. Como alinhamento o EP é coerente. Mas foi uma proposta claramente nos antípodas do rumo mais pop que o grupo então começava a tomar. A capa volta a explorar a linguagem visual de Autobahn.

1975. Kommenenmelodie 2

Habituámo-nos a ver o clássico Autobahn (do álbum de 1974 do mesmo título) como a primeira materialização de uma ideia pop com ferramentas electrónicas. De facto, nesse tema de duração mais próxima dos contemporâneos devaneios progressivos que da lógica do single pop, procurava explorar uma ideia de melodismo pop, uma estrutura alternada entre uma sugestão de quase-refrão e desenvolvimentos, representando tematicamente uma visão germânica de uma identidade “pop”, com espelho de personalidade colectiva encontrado numa auto-estrada, da mesma forma como os Beach Boys tinham retratado a Califórnia de inícios de 60 através do surf.

Mas Autobahn não era a única tentativa de construção pop nesse álbum dos Kraftwerk. De resto, mais próximo até da estrutura da canção, e com duração de pouco mais de cinco minutos, o menos popular Kometenmelodie 2 é, na verdade, uma ideia anterior. Começou por ter uma primeira versão em disco, num lado B de um single de 1973. Depois surgiu no álbum Autobahn e até num EP para o mercado holandês. Em 1975 Kommenenmelodie 2 foi editado como segundo single extraído de Autobahn, não conseguindo contudo repetir os feitos do tema-título do álbum. É, contudo, um interessante pedaço de electrónica visionária, ainda ingénua na melodia, mas firme num desejo de levar a pop a um terreno nunca antes visitado pelo homem.

1986. “The Telephone Call”

Segundo single extraído do alinhamento de Electric Cafe, The Telephone Call expolora, por um lado, e tal como acontecera em Pocket Calculator, uma lógica de relacionamento com sons ligados ao objecto no centro das atenções (o telefone).

Por outro segue uma linha melodista mais evidente, contrastando aqui com o ascetismo de Musique Non Stop. Com uma versão alternativa do mesmo tema no lado B, The Telephone Call foi dos menos bem sucedidos entre os singles dos Kraftwerk na fase posterior a 1974.

2017. “Die Roboter 3D”

Para encontrar um sete polegadas a 45 rotações dos Kraftwerk tínhamos de recuar até Radioactivity, na nova versão apresentada em 1991 no álbum The Mix. Pelo caminho houve alguns singles, desde Expo 2000 aos vários que surgiram associados ao álbum de 2003 Tour de France – Soundtracks. Na verdade só em 2017 voltou a haver um lançamento em sete polegadas… Mas saiu com uma revista, a Musikexpress (que, entretanto, em 2019, editou um outro, com o tema Autobahn).

O single está apenas gravado num dos lados, apresentando uma versão nova de Die Roboter (a mesma que o grupo tem levado a palco nas atuações inseridas na digressão 3D entretanto já documentada em disco e Blu-Ray).

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