Rough Trade East (Londres)

A Rough Trade East abriu as portas num espaço de dimensões consideráveis e um visual ‘cool’ em 2007, mas transporta no nome o peso de uma história que associamos a uma importante revolução no panorama das lojas de discos independentes nos anos 70. Texto: Nuno Galopim

A história das lojas Rough Trade em Londres recua a 1976, estando associadas desde o início à eclosão de uma nova geração de editoras independentes nascidas em plena revolução (de sons e de modos de trabalhar) punk. A primeira loja abriu em Kensinsgton Park Road nesse ano, mudando-se depois para Talbot Road (junto a Portobello Road), um pequeno espaço carregado de memórias e ainda hoje com as portas abertas. Pelo caminho houve uma outra loja em Covent Garden (mais concretamente em Neil’s Yard), mas mas esta fechou as portas uma outra operação maior arrancou numa zona mais a Leste da cidade, em Brick Lane. A Rough Trade East (por oposição à Rough Trade West de Talbot Road) nasceu num espaço consideravelmente maior do que o habitual para as pequenas lojas independentes. Um meio caminho entre as velhas megastores (e Londres chegou a ter várias, todas elas sempre apinhadas de gente) e as pequenas lojas, a Rough Trade East é hoje uma loja de relevância maior no panorama londrino.

         À entrada há um café e uma zona de lounge, desde logo estabelecendo uma ideia de que, além dos discos à venda, o ambiente é coisa ali a ser tida em conta. O vinil domina claramente o cenário, estando os CD (ainda em quantidade significativa) arrumados ao fundo da loja. Os singles (sete polegadas) são muito poucos, e estão junto ao balcão das caixas.

         A arrumação dos discos faz-se por áreas. E se nos caminhos do pop/rock, indie ou do jazz a coisa é fácil de apreender, já nos planos do que é música de dança e “urban” (o tal termo que musicalmente não quer dizer nada mas é ainda usado para juntar várias expressões com ascendência em vários trilhos da música negra), a coisa já pede ginástica e imaginação. Da última vez que ali estive (em fevereiro) procurava Moses Sumney. E a verdade é que nem o funcionário a que me dirigi sabia do que eu falava nem ele mesmo tinha a certeza, perante a descrição, sobre onde o poderia encontrar…

Espelho da oferta em vinil do nosso tempo, a Rough Trade East divide atenções entre novidades e reedições (sobretudo de clássicos de pop/rock, indie, soul, jazz e bandas sonoras). Há uma paredes com uma oferta em livros que não é tão volumosa em quantidade e diversidades como, por exemplo, a secção de música da Foyle’s. Mas ali surgem alguns títulos interessantes. Pelo que é também recanto a espreitar.

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