Mychael Danna “Exotica – Original Motion Picture Soundtrack” (1994)

Quarta colaboração entre o compositor Mychael Danna e o realizador Atom Egoyan, o filme “Exotica” deu ao músico canadiano a sua primeira edição em disco num catálogo com dimensão internacional. Texto: Nuno Galopim

Compositor canadiano, Mychael Danna cruzou-se com a obra de Atom Egoyan em 1987 logo por ocasião de Family Viewing, a segunda longa-metragem do realizador, nascendo aí um entendimento que renovou a parceria em várias ocasiões. Depois de uma pontual interrupção em The Calendar (1993), o filme seguinte voltou a juntá-los correspondendo a colaboração a um dos primeiros casos de maior reconhecimento que Mychael Danna conheceu nessa etapa inicial do seu percurso profissional, valendo-lhe inclusivamente uma edição em disco através do catálogo da Varèse Saraband, um dos mais ativos no universo da música para cinema nesses anos de projeção global do mercado do CD (o disco nunca teve edição em vinil).  

         Estreado em 1994, com uma narrativa centrada em volta de um clube de strip, Exotica não só chamou atenções para o cinema de Egoyan como, cativou a curiosidade de muitos para o modo como a música que se escutava ao longo do filme cruzar universos estéticos e geográficos, mesmo que não tivessem qualquer relação umbilical com a ação. Casado com uma mulher de ascendência indiana, Mychael Danna tinha já explorado no seu álbum de estúdio Sirens (de 1991) a possibilidade de diálogo entre ecos da música da Índia e as possibilidades da música criada com recurso a eletrónicas. Em Exotica levaria essa relação mais longe explorando não apenas instrumentação e métodos de produção mas também uma paleta de batidas que aproximavam a sua abordagem aos espaços de diálogo que, ao mesmo tempo, mas em cenário londrino, revelavam nomes como os Transglobal Underground, Talvin Singh, Loop Guru ou Fun-Da-Mental.

         Apesar de alguns momentos de música incidental (necessária para intantes concretos do filme) se afastarem desta lógica de cruamento, faixas como o tema do genérico, Dilko Tamay Huay (na verdade um ghazal composto em colaboração com Bal Swaroop Rahi), Inside Me, Pagan Song, A Little Touch ou Mujay Yaad aproximam estas experiências mais dos terrenos de inspiração mais próxima de Bollywood que um Bally Sagoo ou Jolee Mukherjee então desenhavam. Estas afinidades podem dever-se ao facto de Mychael Danna ter gravado a banda sonora de Exotica entre Toronto e Bombaim, abrindo um espaço de trabalho a que regressaria depois em filmes como Kama Sutra: Uma História de Amor (1996) e Casamento Debaixo de Chuva (2001), ambos de de Mira Nair.

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