Bananarama “Deep Sea Skiving” (1983)

Editado em 1983 o álbum de estreia das Bananarama “Deep Sea Skiving” revelava uma visão muito própria de caminhos para a canção pop que o trio continuaria a desenvolver na primeira metade dos anos 80. Depois de “Venus” a história seria outra… Texto: Nuno Galopim

Formadas em 1979 em Londres as Bananarama surgiram de um encontro de Sara Dallin e Keren Woodward, duas amigas de infância chegadas de Bristol com Shiobahn Fahey. Esta última e Sara estavam então a estudar jornalismo, ao passo que Keren tinha já conseguido encontrar trabalho na BBC. Entusiastas das movimentações que o punk tinha operado no panorama musical britânico de então, foi certamente com entusiasmo que acharam, através do baterista Paul Cook, um espaço para viver precisamente por cima do lugar que servira de sala de ensaios para os Sex Pistols. A música, em pouco tempo, falaria mais alto nas suas vidas do que os rumos profissionais que tinham começado por idealizar.

Começaram então por contribuir com coros ou fazer participações especiais em concertos de nomes como os The Jam, Monochrome Set ou Iggy Pop. E com a ajuda de Paul Cook gravaram então uma maquete de apresentação na qual faziam uma versão de Aie a Mwana, uma canção de 1971 assinada pelo francês Daniel Vangarde e pelo belga Jean Kluger, editada então pelo grupo Black Blood. Esta canção, cantada em swahili, foi o aperitoivo que então levaram a uma primeira ronda entre editoras, de lá regressando com um acordo editorial pontual que lhes dava direito a gravar um primerio single pela Demon Records. Lançado em setembro de 1981 o single chamou sobretudo a atenção da imprensa musical e valeu às Bananarama (nome inspirado pela canção Pyjamarama dos Roxy Music) um artigo nas páginas da revista The Face. Por sua vez seria este artigo o responsável pelo passo seguinte na carreira do trio…

Terry Hall, recentemente saído dos Specials, estava a trabalhar canções para o seu novo grupo, os Fun Boy Three… Eram também um trio. E a ideia de estabelecer uma parceria com as Bananarama fez sentido na sua visão para o álbum do seu grupo… De resto o encontro foi tão feliz que gerou inclusivamente o single de 1982 It Ain’t What You Do (It’s the Way That You Do It) – uma versão de uma velha canção de jazz que tinha já surgido na voz de Ella Fitzgerald, e que surgiria depois no álbum dos Fun Boy Three – como daria às Bananarama o seu primeiro grande êxito.

O impacte deste segundo single adubou rapidamente o interesse de várias editoras pelo potencial das Bananarama… E em pouco tempo estavam a trabalhar num álbum de estreia pela Decca, editora na qual se manteriam até ao início dos anos 90. Antes mesmo do início das sessões do álbum gravaram mais uma versão, esta a recuperar Really Saying Something, que tivera primeira vida pelas Velvettes em 1964, via Motown. Desta vez foram as Bananarama a devolver o convite aos Fun Boy Three para colaborar…

Para o álbum trabalharam, além das versões, com uma mão cheia de originais. Começaram portrabalhar com a dupla Steve Jolley e Tony Swain (os autores de Shy Boy, tema que abre o alinhamento do disco), mas o confronto de visões sobre o que deveria ser o caminho das Bananarama acabou por afastá-los. A decisão valorizou não apenas a presença de algumas canções assinadas pelas próprias Bananarama como a condução de uma abordagem estética por elas definida e moldada. Nascia assim uma música que cruzava referências de geografias mais alargadas (para lá da “nação” pop europeia), valorizando a percussão e a própria utilização de eletrónica de um modo distinto do que então estava em voga. A união das vozes e as tonalidades quentes definiram um clima pop novo e muito pessoal que, quando chegou a altura de gravar o segundo disco, já não deixaram dúvidas sobre destinos e rumos a tomar para Steve Jolley e Tony Swain que voltaram assim a colaborar com o trio.

A visão pop das Bananarama tinha sido definida pelas três cantoras. E nada melhor do que a capa do álbum que as revelou em 1983 como expressão visual dessa identidade… Na hora de procurar uma comparação com alguém do som e da imagem podemos apenas dizer que são… as Bananarama. E, sublinhe-se, a imprensa musical da altura deu por isso e aclamou a chegada do trio ao panorama pop de então.

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