Waldemar Bastos: uma voz maior na encruzilhada de referências da música do mundo lusófono

Morreu, aos 66 anos, o músico Waldemar Bastos, figura maior na história da música angolana e uma das mais importantes vozes na história de uma visibilidade internacional do próprio universo musical que emergiu dos países lusófonos nas últimas décadas do século XX, precisamente quando o fenómeno da world music ganhou grande fôlego discográfico.  

Nascido em M’Banza Kongo em 1954, Waldemar Bastos mudou-se para Portugal depois de 1975 e foi em Portugal que lançou as bases de uma carreira que mereceu imediata atenção com o álbum Estamos Juntos, editado pela EMI-Valentim de Carvalho em 1983 e no qual cruzava originais seus e expressões de contemporaneidade da música popular com ecos e memórias de tradições angolanas. Chico Buarque e Martinho da Vila eram dois dos nomes que surgiam entre os colaboradores que chamou a esse seu álbum.

O cruzamento de linguagens que a sua música revelava – e ele mesmo gostava de referir que traduzia uma identidade “afro-luso-atlântica” – cativou atenções em várias frentes. Tanto que, em 1988, os Heróis do Mar o convidam para colaborar em Africana, um dos singles extraídos daquele que seria o derradeiro álbum de estúdio do grupo português. A canção dos Heróis do Mar servia, de certa forma, de espelho (ou sequela) de A Velha Chica, canção que encontramos no alinhamento de Estamos Juntos. A canção tinha já dado título, em 1983, a uma antologia de música popular angolana (O Canto Livre De Angola) na qual surgiam ainda nomes como os de André Mingas ou Filipe Mukenga.

O seu percurso incluiu títulos como Angola Minha Namorada (1989) e Pitanga Madura (1992) antes de ter lançado a obra-prima Pretaluz, álbum de 1998 que lhe deu ainda maior visibilidade global. Estamos Juntos, por exemplo, tinha conhecido imediata edição no Brasil e Angola Minha Namorada conhecera, por exemplo, lançamento local na Holanda. Mas através da Luaka Bop (editora de David Byrne) o álbum Pretaluz ganhou maior projeção, levando ainda mais longe a voz e a música de Waldemar Bastos (o New York Times, por exemplo, lançou-lhe um tremendo elogio por esses dias). De Dulce Pontes a Ryuichi Sakamoto ou Arto Lindsay não faltaram outros vultos maiores ao longo do seu percurso.

A discografia de Waldemar Bastos envolve ainda títulos como Renascence (editado em 2004 pela World Connection), Love Is Blindness (2008) e Classics of My Soul (2012).

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